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O PL e o PT iniciaram a contagem regressiva para o início oficial da campanha presidencial. As duas principais legendas da disputa já definiram as datas e os locais das convenções partidárias nacionais e caminham para confirmar, sem sobressaltos, as candidaturas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL), apesar das turbulências que cercam ambos os campos políticos.
As convenções partidárias — previstas pelo calendário eleitoral entre os dias 20 de julho e 5 de agosto — tendem a encerrar meses de disputas internas e consolidar as candidaturas para as eleições de outubro. Para cientistas políticos, dificilmente haverá mudanças nos candidatos à Presidência da República. A principal incógnita permanece concentrada na escolha do vice da chapa do PL, considerada estratégica para ampliar alianças regionais e eleitorais.
“As surpresas deverão ficar nas escolhas para vice. Fora isso, quem precisava encontrar partido para disputar a eleição já encontrou ou desistiu”, afirma o diretor-geral do Ranking dos Políticos, Juan Carlos Arruda.
O PL marcou o evento para o dia 25 de julho, na capital paulista. A escolha do maior colégio eleitoral do país busca explorar o peso político do estado de São Paulo, governado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), um dos principais ativos eleitorais da direita. O formato também simboliza uma nova estratégia da legenda em relação às campanhas anteriores.
Convenções partidárias consolidam a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro
Uma semana depois, em 2 de agosto, também em São Paulo, será realizada a convenção nacional do PT, que deverá homologar a candidatura de Lula à reeleição. A legenda já aprovou o emprego do teto legal de gastos da campanha para o primeiro turno e acelera a organização financeira e logística da disputa.
Depois da homologação, os partidos terão até o dia 15 de agosto para registrar as candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), enquanto a campanha oficial começará em 16 de agosto.
A antecipação das definições mostra que PT e PL optaram por reduzir incertezas e concentrar esforços na disputa nacional. Embora existam conflitos internos, nenhum dos dois partidos convive hoje com movimentos capazes de alterar a composição principal das chapas.
O cientista político Adriano Cerqueira, do Ibmec-BH, avalia que as maiores indefinições permanecem nos estados, especialmente em Minas Gerais, enquanto a disputa presidencial chega às convenções praticamente definida. “Em São Paulo, o cenário ficou bem mais claro, enquanto em Minas há ainda grande indefinição”, observa.
Definir palanque em Minas segue como principal desafio para PT e PL
Tanto o PT quanto o PL ainda enfrentam impasses sobre alianças para governos estaduais e Senado, especialmente em Minas Gerais, considerado um dos estados mais decisivos para o resultado da eleição presidencial.
As negociações mineiras permanecem cercadas de indefinições envolvendo candidaturas ao governo estadual e ao Senado, além da formação dos palanques que apoiarão Lula e Flávio Bolsonaro. Estratégias equivocadas em estados-chave podem produzir reflexos diretos sobre o desempenho nacional das chapas.
Outro tema que deverá atravessar toda a campanha é o caso Master. A oposição pretende explorar os desdobramentos das investigações envolvendo lideranças ligadas ao PT baiano, enquanto os petistas prometem responder lembrando episódios envolvendo Flávio Bolsonaro e o financiamento do filme Dark Horse, inspirado na trajetória política de Jair Bolsonaro (PL).
Além disso, o filho do ex-presidente precisa lidar com as críticas públicas da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que anunciou sua saída da presidência do PL Mulher. A direção nacional tentou promover uma reconciliação, mas, paralelamente, Flávio intensificou os encontros com lideranças femininas conservadoras para reduzir os impactos políticos da ruptura junto ao eleitorado feminino.
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Política externa entra na campanha e amplia polarização eleitoral no país
O cenário internacional também deverá alimentar a campanha. Lula tenta administrar os desgastes provocados por atritos recentes com os Estados Unidos, enquanto Flávio Bolsonaro procura transformar a aproximação política com Washington em um diferencial eleitoral.
A disputa tende a incorporar debates sobre economia, segurança pública, relações internacionais e soberania nacional, ampliando uma polarização que já vinha sendo construída antes mesmo do início oficial da campanha eleitoral.
Além das agendas nacionais, dirigentes das duas legendas reconhecem reservadamente que a capacidade de transmitir unidade interna poderá ser tão importante quanto apresentar propostas. As convenções foram planejadas justamente para produzir essa demonstração pública de coesão.









