
A Polícia Federal deflagrou a Operação Make Up nesta quinta-feira (10) para apurar supostos desvios de recursos públicos envolvendo Karina Ferreira da Gama. A empresária de 46 anos é dona da produtora Go Up Entertainment e preside o Instituto Conhecer Brasil. A investigação foca no uso irregular de emendas parlamentares e contratos milionários firmados entre suas entidades e o setor público.
Qual é a relação de Karina da Gama com o filme sobre Jair Bolsonaro?
Karina Ferreira da Gama é a proprietária da Go Up Entertainment, a produtora responsável por 'Dark Horse', filme que retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro. A empresa surgiu de uma parceria entre a brasileira GO7 e a americana UP Tone Pictures. Além da produção cinematográfica, a PF investiga o financiamento do longa, especificamente repasses feitos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro a pedido do senador Flávio Bolsonaro. Karina afirma que sua participação se restringiu à prestação de serviços técnicos e que desconhece a origem detalhada dos fundos que financiaram a obra.
Como surgiram as suspeitas sobre o uso de emendas parlamentares?
As investigações da Operação Make Up apontam para possíveis desvios de verbas federais enviadas por meio de emendas do deputado Mário Frias. Em 2023, o parlamentar destinou R$ 2 milhões ao Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina, para projetos sociais. O ministro do STF, Flávio Dino, autorizou a operação alegando que diligências indicam a atuação de uma organização criminosa que direcionava recursos públicos para entidades controladas pela empresária. Tanto Karina quanto o deputado Frias negam qualquer irregularidade e afirmam que os recursos estão sendo aplicados corretamente.
O que a investigação diz sobre os contratos com a prefeitura de São Paulo?
O Instituto Conhecer Brasil (ICB) saltou de pequenos eventos gospel para um contrato vultoso com a capital paulista. Em 2024, a entidade foi a única a participar de um chamamento público para instalar 5 mil pontos de Wi-Fi em periferias, em um acordo que chegou a R$ 157,1 milhões. O Ministério Público e a Polícia Civil suspeitam da capacidade técnica do instituto e da execução dos serviços, já que apenas 3,2 mil pontos foram entregues. A gestão municipal de Ricardo Nunes contesta os valores citados pelos investigadores, afirmando que os pagamentos ocorrem apenas conforme a instalação efetiva.
Como a defesa da empresária está respondendo às acusações?
A defesa de Karina Ferreira da Gama sustenta que ela sempre colaborou com as autoridades, tendo entregue voluntariamente mais de 20 mil páginas de documentos antes mesmo da operação ser deflagrada. Após as buscas, seus advogados apresentaram uma reclamação constitucional ao Supremo Tribunal Federal. O objetivo não é questionar o mérito das provas, mas sim garantir que o processo respeite as competências jurídicas adequadas e decisões anteriores da presidência da Corte. Sobre as emendas de Mário Frias, a empresária afirma que o saldo não utilizado permanece em caixa para os projetos.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.





