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Lula e Bolsonaro
Adversários, Lula e Bolsonaro traçam a mesma estratégia para candidatos ao Senado em 2022| Foto: Paulo Pinto/Fotos Publicas e Alan Santos/PR

Líderes nas pesquisas de intenção de voto para a disputa pelo Planalto em 2022, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) têm uma mesma estratégia eleitoral na articulação de suas candidaturas. Eles escolheram a priorizar, nas negociações políticas, o lançamento de candidatos ao Senado em 2022 – a ponto de "abrirem mão" de indicar nomes aos governos estaduais. Ao "ceder" candidaturas a governador, ambos querem facilitar apoios a seus nomes. E, principalmente, pretendem eleger o maior número de aliados para fortalecer a base do futuro governo na Casa. No ano que vem, cada estado irá eleger um senador.

Ainda sem partido, Bolsonaro tem mantido negociação para se filiar ao PP ou o PTB. Ele quer escolher aliados como candidatos ao Senado em todas as 27 unidades da federação. E coloca isso como condicionante para decidir sobre sua filiação.

“Caso dispute a eleição, tenho interesse em uma bancada de deputado federal e de senadores. Interessa [eleger] governador? Interessa. Mas ficaria em segundo plano, até porque não consegui, até o momento, um partido para dizer que vamos disputar as eleições. O nosso compromisso é esse. Deixo o governo do estado para segundo plano", disse Bolsonaro em entrevista à Rádio Jornal de Pernambuco no final de agosto.

No caso do PTB, o presidente da sigla, Roberto Jefferson, deu carta branca para que a presidente interina, Graciela Gienov, negocie a filiação de Bolsonaro. “O PTB está de prontidão para receber o presidente Jair Messias Bolsonaro e seus indicados, pois, nos tempos atuais, a agremiação firma-se como o maior e principal partido conservador do Brasil e da América Latina”, afirma Graciela Gienov.

O PTB entregou uma carta de intenção de filiação ao presidente Bolsonaro. À Gazeta do PovoGioenov já havia adiantado que Bolsonaro teria poder de indicação das candidaturas ao Senado.  “Ele terá, se ele quiser ele terá [poder de indicação]. Isso já está garantindo. Ele vindo a gente vai sentar e fazer a discussão partidária. Vamos conversar estado por estado. Se ele aceitar o nosso convite, provavelmente vamos fazer tudo em conjunto, PTB junto com o nosso presidente. Ele vai ser o nosso maior líder e vamos trabalhar para reconduzi-lo à presidência”, disse.

Ministros de Bolsonaro trabalham por candidaturas ao Senado

Durante suas últimas agendas, Bolsonaro tem demonstrado sua insatisfação com o Senado, que tem imposto diversos entraves ao Palácio do Planalto. Entre os impasses, aliados do governo citam a CPI da Covid, a resistência ao nome de André Mendonça para o Supremo Tribunal Federal (STF) e o distanciamento do presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (DEM-MG).

Bolsonaro chegou a levar o senador Ciro Nogueira (PP-PI) para a Casa Civil no intuito de melhorar a articulação com o Congresso. No entanto, a avaliação entre parte dos governistas é de que isso ainda não ocorreu.

Por outro lado, assessores palacianos admitem que Nogueira, que é presidente do PP, está focado em construir palanques e ampliar a viabilidade política de Bolsonaro para 2022. Entre as articulações, o ministro da Casa Civil tenta diminuir as resistências à filiação de Bolsonaro ao PP.

Entre os aliados, o PP deve receber a filiação do ministro das Comunicações, Fabio Faria, que pretende disputar o Senado pelo Rio Grande do Norte com o apoio de Bolsonaro. Recentemente, o ministro compartilhou em suas redes sociais uma pesquisa do Instituto Seta realizada no estado, onde seu nome aparece tecnicamente empatado em 1.º lugar na disputa.

“É a 4.ª em 60 dias que me coloca bem posicionado para o Senado, desta vez empatado em 1.º lugar. Agradeço o reconhecimento dos potiguares, mas o foco agora é na gestão Bolsonaro, que tem ajudado o Rio Grande do Norte e o Brasil”, escreveu Fabio Faria. O empate técnico seria com Carlos Eduardo (PDT), ex-prefeito de Natal, que aparece com 14,6% das intenções de votos. Faria teria 14,1%.

Apesar de não confirmar sua candidatura, o ministro das Comunicações tem afirmado aos seus interlocutores que já trilhou seu caminho na Câmara, por isso o Senado seria o caminho natural. Fabio Faria é deputado estadual licencidado e pretende se filiar ao PP na janela partidária do ano que vem.

A articulação, no entanto, deve barrar nos planos de outro ministro do governo Bolsonaro, o do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho. Também do Rio Grande do Norte, Marinho já sinaliza que pretende concorrer ao Senado com apoio de Bolsonaro na região. No mesmo levantamento citado por Fabio Faria em suas redes sociais, o ministro do Desenvolvimento aparece em terceiro lugar com 8,8% das intenções de voto.

Recentemente, em entrevista à rádio 96 FM do Rio Grande do Norte, Bolsonaro confirmou o impasse, mas disse que confia em uma aliança entre os dois ministros. "Ele [Fábio Faria] quer alguma coisa e o Rogério [Marinho] parece que quer a mesma coisa. Quem sabe, no final das contas, tire um par ou ímpar entre os dois. Mas sei que eles vão chegar a um bom entendimento", afirmou o presidente.

Também integrante da Esplanada dos Ministérios, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, pretende deixar o DEM e migrar para o PP para disputar o Senado pelo estado do Mato Grosso do Sul. A vaga em disputa será a que atualmente é ocupada pela senadora Simone Tebet (MDB), apontada como pré-candidata à Presidência pelo seu partido.

Além de alguns dos seus ministros, Bolsonaro convidou o empresário Luciano Hang para disputar o Senado por Santa Catarina. Recentemente, após depor na CPI da Covid, Hang admitiu que estava analisando a proposta feita pelo presidente. A candidatura do dono da rede de lojas Havan conta ainda com o apoio do senador Jorginho Mello (PL), que pretende disputar o governo catarinense com apoio de Bolsonaro.

Bolsonaro deve ainda apoiar a reeleição de aliados como Roberto Rocha (sem partido) no Maranhão, Elmano Férrer (PP) no Piauí e Fernando Collor (Pros) em Alagoas.

Pelo Senado, Lula abre mão de candidaturas aos governos estaduais

Assim como Bolsonaro, o ex-presidente Lula também tem colocado as candidaturas aos governos estaduais em "segundo plano". Durante sua passagem por Brasília, o petista reuniu a bancada do PT da Câmara e do Senado para sinalizar que pretende ampliar o número de aliados no Congresso em 2022. Além de aumentar a bancada de deputados, ele sinalizou que a construção de candidaturas ao Senado será prioridade.

Os atuais governadores petistas Camilo Santana (Ceará) e Wellington Dias (Piauí) irão concorrer ao Senado. Na Bahia, Lula descartou a candidatura do atual governador Rui Costa ao Senado em 2022, para apoiar à reeleição do senador Otto Alencar (PSD), tido pelo petista como um aliado no estado. A estratégia visa enfraquecer uma eventual candidatura própria à presidência do PSD, presidido por Gilberto Kassab.

No Rio Grande do Norte, o atual senador Jean Paul Prates (PT) será candidato à reeleição na chapa da atual governadora Fátima Bezerra (PT). A petista lidera as pesquisas de intenção de voto no estado, até o momento, o que deve facilitar a recondução de Prates, segundo petistas. “Nós temos muito claro o nosso lado e estamos juntos para construir um Brasil melhor, e fortalecer a luta no Rio Grande do Norte”, afirmou Jean Paul Prates após se reunir com Lula em Brasília.

Em Pernambuco, o governador Paulo Câmara será candidato ao Senado em 2022 pelo PSB; e deve ser apoiado pelo PT; A estratégia de Lula é garantir palanque para sua candidatura a presidente no estado, além de recompor uma antiga aliança no estado entre o PSB e o PT, que se rompeu durante as eleições municipais de 2020.

O mesmo deve ocorrer com a candidatura de Flávio Dino (PSB), atual governador do Maranhão e que pretende disputar o Senado no ano que vem. Dino tende a ser apoiado pelos petistas.

Já no Rio de Janeiro, a expectativa do PT é indicar um nome ao Senado na chapa do pré-candidato ao governo pelo PSB, deputado Marcelo Freixo. A deputada Benedita da Silva (PT) é cotada para o posto.

Já em Minas Gerais, o PT pretende indicar o deputado Reginaldo Lopes como candidato ao Senado em 2022. Apesar do petista fazer pré-campanha para o governo estadual, Lula pretende negociar a candidatura de Lopes ao Senado em uma aliança com o atual prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), que irá disputar o governo mineiro no ano que vem. A medida garantiria palanque à Lula no estado, que é o segundo maior colégio eleitoral do país.

Em São Paulo, Lula tem apostado no nome do ex-ministro Aloizio Mercadante para a disputa do Senado. A vaga, no entanto, pode ser ofertada para Guilherme Boulos (PSol), caso ele abra mão de sua pré-candidatura ao governo de São Paulo para apoiar o petista Fernando Haddad, pré-candidato petista ao Palácio dos Bandeirantes.

Metodologia de pesquisa citada na reportagem

A pesquisa do Instituto Seta, encomendada pela TV Band, ouviu ouviu 1.500 eleitores do Rio Grande do Norte entre os dias 8 e 10 de agosto. A margem de erro é de 2,9  pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%.

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