O ex-prefeito Fernando Haddad fala durante encontro de petistas com o ex-presidente Lula| Foto: Gabriel Paiva
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O PT começou 2020 de olho em novas estratégias para continuar sendo a referência da oposição ao governo de Jair Bolsonaro. O partido quer evitar o risco de deixar de ser a maior força na esquerda. Para tanto, quer se posicionar nas eleições municipais, no Congresso e também intensificar o "diálogo com as bases" - movimento caro ao ex-presidente Lula.

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O deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP) defende que o combate ao que os petistas chamam de "entreguismo" figurará entre os temas mais abordados pelo partido em 2020. "A orientação é a de que vamos priorizar o tema da soberania", declarou o parlamentar. Na avaliação do PT, o programa de privatizações almejado por Bolsonaro e pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, compromete a soberania nacional.

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"Discutiremos bastante esse assunto para combatermos um governo que está entregando o país", reforçou Bohn Gass (PT-RS).

Líder do partido na Câmara, Enio Verri (PR) disse que a sigla buscará também adotar uma estratégia "propositiva". "Nós apresentamos um projeto que pode estimular a geração de emprego e renda, além de uma proposta diferenciada para a reforma tributária", destacou.

A reforma tributária deverá concentrar as atenções do Legislativo no campo econômico em 2020. O partido terá como representantes no colegiado o deputado Afonso Florence (BA) e os senadores Jaques Wagner (BA) e Rogério Carvalho (SE).

Se o campo econômico e a "soberania" preocupam o partido, uma esfera que não deve figurar entre as maiores prioridades do PT é a dos costumes. O tema avançou pouco em 2019, como reconhecem aliados do governo Bolsonaro, e os petistas acreditam que tampouco deve evoluir no ano atual. "Não vai para a frente porque é uma questão do Bolsonaro, não de sua base. Os verdadeiros liberais não apoiam a pauta de costumes do governo. Não é algo que tem votos suficientes no parlamento", declarou Verri.

Para que o PT avance em suas metas, porém, precisa afastar uma sombra que rotineiramente ronda o partido: a de perder a liderança na esquerda. A possibilidade ganhou força no início de 2019, quando PDT, PCdoB e PSB ameaçaram seguir sem o partido no Congresso Nacional. Acabou arrefecendo à medida em que o ano evoluiu, mas permanece no radar com posicionamentos como o do presidenciável Ciro Gomes (PDT), crítico habitual do PT, e do governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), que se posiciona como nome para a sucessão de Jair Bolsonaro e indica não querer mudar de partido.

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"Não existe esquerda no Brasil sem o PT", avaliou o deputado Bohn Gass. O parlamentar é da opinião de que a oposição precisa da aproximação entre os partidos contrários a Bolsonaro e também com a sociedade civil. "Em alguns pontos, contamos até com apoio do Centrão. Vimos parlamentares de Centro se juntando a nós no 'Fora Weintraub'", apontou o petista, em referência ao pedido de impeachment do ministro da Educação recentemente protocolado pelos oposicionistas.

Eleições: meta é nacionalizar debate

Um raciocínio comum na política é o de que as eleições municipais não devem ser pautadas pela temática nacional. Nas disputas por prefeituras e câmaras de vereadores, as ideologias costumam dar lugar a problemas mais imediatos, como iluminação de ruas e falta de creches.

A estratégia que o PT vai adotar para 2020 fugirá um pouco deste pressuposto. O partido divulgou recentemente uma resolução para a disputa municipal e o texto especifica que o certame deve ser nacionalizado. "Disputaremos 2020 em cada município, mas sem perder a dimensão do contexto nacional nos destinos de cada uma de nossas cidades", menciona a resolução.

O texto traz também diretrizes para a política de alianças do partido. O PT, segundo a resolução, não deve se coligar com PSDB e DEM, mencionados como partidos "neoliberais", e nem com a "extrema direita". Há uma especificação para que as coligações sejam priorizadas com PCdoB, PSOL, PDT, PSB, Rede, PCO e UP - Unidade Popular, sigla formalizada em dezembro do ano passado e que em outubro disputará sua primeira eleição.

A menção ao PCdoB, parceiro histórico do PT, aparece em um contexto em que os dois partidos se estranham na maior cidade do país. Recentemente, o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), que é pré-candidato à prefeitura de São Paulo, disse que o PT deveria "esperar deitado, porque em pé vai cansar e sentado vai adormecer…" que ele retirasse seu nome da disputa para apoiar o indicado petista. A saída de Silva seria uma retribuição ao apoio que o PT deve dar ao PCdoB em Porto Alegre, onde os comunistas lançarão a ex-deputada Manuela D'Ávila.

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"Estamos fazendo um gesto com a Manuela. Esperamos que isso possa se reproduzir, se possível, ainda que no segundo turno. Precisamos buscar o máximo de unidade que pudermos", declarou Bohn Gass.