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Habeas corpus coletivo

PT usa domiciliar de Bolsonaro para pedir extensão a outros presos

Deputados pedem que STF mande tribunais de todo o país revisarem casos de presos doentes e maiores de 70 anos.
Deputados pedem que STF mande tribunais de todo o país revisarem casos de presos doentes e maiores de 70 anos. (Foto: André Borges/EFE)

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Um dia após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes conceder prisão domiciliar temporária ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), deputados federais do PT protocolaram um habeas corpus coletivo em favor de presos em condições semelhantes. O documento é desta quarta-feira (25) e foi assinado por Rui Falcão (SP), Lindbergh Farias (RJ), Pedro Uczai (SC) e Reimont (RJ).

Sem citar Bolsonaro nominalmente, os petistas alegam que "argumentos humanitários passaram a ser mobilizados, no debate nacional recente, em favor de pessoa de alta visibilidade política com idade superior a 70 anos".

"Se a ordem jurídica admite tutela especial para condenados maiores de 70 anos, essa proteção deve ser lida à luz da igualdade, alcançando de maneira impessoal e nacional todas as pessoas submetidas à mesma condição jurídica de supervulnerabilidade", defendem.

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Habeas Corpus pede que Conselho Nacional de Justiça (CNJ) acompanhe ação nacional para conceder prisões domiciliares humanitárias. Habeas Corpus pede que Conselho Nacional de Justiça (CNJ) acompanhe ação nacional para conceder prisões domiciliares humanitárias. (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

Os parlamentares usam a Constituição, que veda tratamento desumano ou degradante, além de uma ação em que o STF reconheceu um "estado inconstitucional de coisas" no sistema carcerário para pedir que o Judiciário revise todas as prisões de pessoas maiores de 70 anos ou que possuem doenças graves para a concessão de prisão domiciliar, caso não haja nada que desaconselhe a medida.

O habeas corpus cita dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que apontam para 112 mil mortes em presídios brasileiros entre 2017 e 2021, destacando o alto volume de tuberculose nos estabelecimentos prisionais.

Os petistas ainda querem que a Corte reconheça que o Estado pratica "constrangimento ilegal coletivo" ao manter pessoas com doenças graves em "estabelecimentos prisionais sem capacidade concreta de assegurar tratamento adequado, contínuo e compatível com a preservação de sua integridade física e psíquica".

"Se o Estado prende, o Estado responde. Não é juridicamente aceitável que a pessoa custodiada suporte os riscos decorrentes da incapacidade estatal de prover tratamento médico adequado. A assimetria de poder é absoluta: quem está preso não escolhe o ambiente, não define sua rotina clínica, não administra livremente consultas, exames ou terapias. Por isso, o dever estatal de proteção é reforçado", argumentam.

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Ao contrário do que foi solicitado pela defesa, domiciliar a Bolsonaro tem prazo. Após os 90 dias, o ex-presidente pode retornar para a prisão em regime fechado. Ao contrário do que foi solicitado pela defesa, domiciliar a Bolsonaro tem prazo. Após os 90 dias, o ex-presidente pode retornar para a prisão em regime fechado. (Foto: André Borges/EFE)

Jair Bolsonaro foi encaminhado com urgência ao hospital DF Star após apresentar febre e calafrios. Os médicos diagnosticaram uma broncopneumonia bacteriana, o que levou o ex-presidente à Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Diante disso, a defesa reiterou o pedido de prisão domiciliar humanitária.

Moraes autorizou, mas não da forma como os advogados e familiares esperavam: Bolsonaro ficará em casa por 90 dias para que se recupere e, depois disso, deverá passar por uma perícia que determinará seu destino. O prazo passa a contar a partir da alta.

Há, porém, outra questão de saúde em jogo: durante uma coletiva de imprensa, o médico Brasil Caiado revelou que a equipe encontrou uma lesão no ombro direito. Uma cirurgia é vista como possível, mas não antes da recuperação da broncopneumonia. De acordo com Caiado, não é possível prever quanto tempo levará para esta recuperação.

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