Bolsonaro na China em 2018. Na quinta-feira (24), ele faz sua primeira visita ao país como presidente.| Foto: Divulgação

Depois de visitar o Japão, o presidente Jair Bolsonaro chega nesta quinta-feira (24) à China, país que mais importa produtos brasileiros no mundo. Diferenças ideológicas manifestadas antes da posse já deixaram de ser levadas em conta, e o governo chinês é um dos interlocutores estrangeiros mais frequentes das autoridades brasileiras. A agenda de Bolsonaro na China contempla esse estreitamento de relações.

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Um conjunto de acordos entre Brasil e China deve ser assinado durante a visita. Três áreas serão os principais focos, segundo o Itamaraty: ampliação e diversificação das importações chinesas, atração de investimentos para o Brasil e cooperação em ciência e tecnologia.

A programação da comitiva de Bolsonaro na China

Ainda na quinta, Bolsonaro participará em Pequim de um jantar oferecido pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, com empresários brasileiros e chineses.

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O principal evento da agenda de Bolsonaro na China ocorrerá na sexta-feira (25). Uma conferência empresarial organizada pela Apex Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), com a participação de Bolsonaro e ministros brasileiros e chineses, servirá para estabelecer negociações comerciais.

Na manhã da sexta, a abertura da conferência terá discursos de Bolsonaro, do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e do ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, fará uma apresentação também pela manhã.

À tarde, Onyx Lorenzoni dará uma palestra sobre investimentos em infraestrutura no Brasil. Ele e outros membros do governo terão encontros com autoridades e empresários chineses para divulgar oportunidades de investimento. A agenda da sexta-feira fechará com um jantar envolvendo autoridades e empresários dos dois países.

Veja os principais assuntos que serão discutidos nos encontros de quinta e sexta-feira.

Ampliação e diversificação das exportações, sobretudo agrícolas

Segundo o embaixador Reinaldo de Almeida Salgado, um dos principais interesses do Brasil no comércio com os chineses é diversificar as exportações da área agrícola. Não por acaso, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, desembarcou na China dias antes mesmo da chegada de Bolsonaro.

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Atualmente, a soja é o produto que o Brasil mais exporta para a China. Em declaração à Folha de S.Paulo, Tereza Cristina afirmou que Brasil e China estão perto de assinar um protocolo sanitário para a exportação de frutas. A China importaria melão brasileiro e exportaria peras ao Brasil.

Autoridades chinesas também estariam interessadas em importar etanol brasileiro. De acordo com o jornal, a ministra diz que um grupo de trabalho entre os dois países deve ser montado em breve para discutir essa possibilidade.

Além disso, a China estuda liberar a importação de carnes de dezenas de frigoríficos brasileiros, o que significaria um incremento na quantidade de carnes exportadas pelo Brasil aos chineses.

Atração de investimentos em infraestrutura, ferrovias, 5G e turismo

Um dos grandes focos da comitiva de Bolsonaro na China será mostrar as possibilidades de investimento em infraestrutura no Brasil. Onyx Lorenzoni será o principal encarregado dessa tarefa, especialmente durante a conferência empresarial da sexta-feira.

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Na terça-feira (22), ainda em visita ao Japão, o chanceler brasileiro Ernesto Araújo afirmou que vê a China como um parceiro importante de investimentos na área de infraestrutura. "É uma presença útil e proveitosa para nós", disse. Em julho, Araújo já havia falado que a China tem grande interesse por projetos de concessões, privatizações e licitações de obras do governo Bolsonaro.

Investimentos no setor ferroviário serão um ponto importante das conversas. O presidente Bolsonaro já afirmou que quer prestigiar as ferrovias durante o seu mandato. Em agosto, ele assinou o contrato de concessão da ferrovia Norte-Sul, que engloba um trecho de mais de 1.500 quilômetros entre São Paulo e Tocantins.

Ainda no âmbito da infraestrutura, espera-se uma parceria entre os dois países na tecnologia de redes 5G. É provável que o Brasil adote a tecnologia 5G desenvolvida pela empresa chinesa Huawei. Mas é pouco provável que o 5G seja tratado com profundidade nesta visita, já que a adoção de uma tecnologia ainda está sendo discutida no Brasil.

Além disso, de acordo com Reinaldo Salgado, o campo do turismo também pode suscitar investimentos chineses em infraestrutura no Brasil. "A infraestrutura de turismo certamente representará oportunidades para investidores chineses. Da mesma forma que você tem malaios que são donos de redes hotéis no Brasil, existem também oportunidades no setor de infraestrutura de turismo", diz o embaixador.

Cooperação em ciência e tecnologia, sobretudo na área energética

Os dois países discutem uma cooperação no setor de energias renováveis e de eficiência energética. Salgado afirma que há esperança de que os governos de Brasil e China firmem, em breve, nesta visita ou durante a Cúpula dos Brics, uma parceria nesse âmbito.

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O governo brasileiro também espera firmar um acordo com os chineses para a realização de intercâmbio científico com jovens pesquisadores.

Bolsonaro na China: Xi Jinping deve retribuir com viagem ao Brasil

Segundo o secretário de Negociações Bilaterais na Ásia, Pacífico e Rússia, Reinaldo de Almeida Salgado, a visita de Bolsonaro à China culmina "um intensíssimo calendário bilateral de visitas de alto nível que ocorreram entre Brasil e China no corrente ano e que comprovam o dinamismo do relacionamento" entre os dois países.

Em maio, o vice-presidente Hamilton Mourão esteve na China para a reunião da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban). Ao longo do ano, vários membros do governo Bolsonaro realizaram encontros com autoridades chinesas.

Além disso, o presidente da China, Xi Jinping, deve vir à Cúpula dos Brics, que ocorrerá em Brasília nos dias 13 e 14 de novembro.