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Conhecido como o “homem das malas” de Daniel Vorcaro, o empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, apelidado de Mineiro, é apontado como operador financeiro do esquema de corrupção do Banco Master. Ele teve seu acordo de delação homologado pela Justiça nesta semana.
Mineiro comprava tantas malas que a própria fabricante ofereceu venda direta a ele. Com essas malas, ele teria despachado R$ 1,3 bilhão para Vorcaro distribuir entre seus beneficiários, em um período de 2020 a 2025 — o próprio delator afirmou não saber quem seriam. As malas eram entregues a Fabiano Zettel (cunhado de Vorcaro) ou a motoristas indicados por eles.
Parte dos valores movimentados — especificamente US$ 12,3 milhões (cerca de R$ 69 milhões) — teria como destinatário a produtora Go Up do filme Dark Horse, por meio do fundo Havengate Development Fund, sediado no Texas, EUA. A Polícia Federal realizou nesta quinta-feira uma operação de busca e apreensão relativa ao financiamento do filme.
“Podem revirar do avesso, não tem nada de dinheiro público neste filme. O que tem é interesse político porque ultrapassamos Lula e vamos vencer a eleição”, disse nesta quinta-feira o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Trajetória empresarial
Empresário do setor financeiro e de meios de pagamento, Freixo é natural de Santa Rita do Sapucaí, município próximo a Pouso Alegre, no Sul de Minas Gerais.
Mineiro contou em entrevistas que começou a trabalhar muito cedo: aos 14 anos, como office-boy em uma agência do Banco Nacional em sua cidade natal. Seu avô já tinha experiência no setor e havia aberto o primeiro Banco Hipotecário em Pouso Alegre.
Formado em Administração de Empresas pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), em São Paulo, construiu carreira no mercado financeiro. Sua trajetória no setor começou formalmente em 1983, como operador de crédito rural no Banco Nacional. Ele também passou por instituições como o Banco do Brasil.
Freixo teve uma longa trajetória no Banco Garantia, no qual chegou a ser vice-presidente, e no Credit Suisse, onde ajudou a estruturar a tesouraria internacional. Acumulou cerca de 30 anos de atuação nessas instituições até deixar o Credit Suisse, na década passada.
Empreendedorismo e o Grupo Entre
Em 2016, Mineiro fundou o Grupo Entre Investimentos e Participações, com foco em estruturação de fundos, operações financeiras, negociação de carteiras, títulos públicos, precatórios, crédito não performado e direitos creditórios.
Em 2022, adquiriu a operação da Global Payments no Brasil e criou a Entrepay, instituição de pagamento com modelo B2B que fornecia infraestrutura para outras empresas oferecerem meios de pagamento, sem vender maquininhas diretamente ao varejo.
O grupo recebeu autorização do Banco Central para operar como credenciadora em 2024 e montou um ecossistema com dezenas de empresas — incluindo Leads Securitizadora, Pmovil, WMoney (empréstimos P2P), Octa SCD (antiga Credihome) e Acqio —, além de participações no Linked Gourmet e nas revistas IstoÉ e IstoÉ Dinheiro (marcas digitais adquiridas em leilão judicial).
A Entrepay chegou a movimentar R$ 12,8 bilhões em 2024, segundo dados da própria empresa, e firmou parcerias com bancos estatais (BNB, Banpará, Banco da Amazônia, entre outros).
Em março de 2026, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial das empresas do grupo (Entrepay e coligadas) e a indisponibilidade dos bens de Freixo.
Alvo da PF
Mineiro foi um dos alvos da busca e apreensão na segunda fase da Operação Compliance Zero, em janeiro de 2026, que investiga fraudes ligadas ao Banco Master.
A coluna de Andreza Matais, do portal Metrópoles, informou que a defesa de Vorcaro contestará a delação premiada por supostamente conter as mesmas informações que Vorcaro já havia apresentado em suas delações, que foram rejeitadas. A reportagem procurou a defesa de Vorcaro para confirmar, mas não teve retorno.
Procurado, o advogado de Freixo Júnior, Marco Petrelluzzi, declarou à Gazeta do Povo que não poderia comentar o caso devido ao segredo de Justiça.




