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Quem são os ex-aliados de Bolsonaro que podem apoiar Moro em 2022
Ex-ministro Sergio Moro e o ex-ministro Santos Cruz: ambos integraram o governo Bolsonaro e agora fazem oposição ao governo.| Foto: Robert Alves/Podemos

O ex-ministro e ex-juiz Sergio Moro (Podemos) tem buscado diversos grupos políticos para ampliar suas alianças e, assim, viabilizar sua candidatura a presidente em 2022. E, entre os alvos, estão lideranças que já estiveram ao lado do presidente Jair Bolsonaro (PL).

O presidente nacional do PSL, Luciano Bivar (PE), é um dos ex-aliados de Bolsonaro que conversa com Sergio Moro sobre uma possível composição para as eleições do ano que vem. O PSL está em processo de fusão com DEM e, no próximo pleito, estará nas urnas como União Brasil.

Bivar foi um dos articuladores da filiação de Bolsonaro ao PSL em 2018. Embalado pela onda a favor de Bolsonaro, o nanico PSL elegeu a maior bancada da Câmara dos Deputados, com 54 deputados. Para 2022, a fusão com o DEM fará com que o União Brasil tenha a maior fatia do Fundo Eleitoral, garantindo verba e estrutura para os candidatos da sigla.

Desde a saída de Bolsonaro do PSL, em 2019, Bivar já vinha sinalizando que o partido precisaria se reorganizar para renovar a bancada em 2022. O número de deputados é determinante para a influência do partido e para distribuição dos fundos eleitoral e partidário.

Agora Bivar tenta cacifar um nome do União Brasil como vice na chapa de Sergio Moro, no intuito de ampliar a viabilidade das candidaturas da nova sigla. Recentemente, em reunião da cúpula da sigla, Bivar sinalizou que “Moro é a única terceira via possível” para as próximas eleições.

Mandetta também tenta consolidar apoio do União Brasil a Moro 

Ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta é outro nome que esteve ao lado do presidente Jair Bolsonaro e que, agora, sinaliza apoio a Sergio Moro. Filiado ao DEM, Mandetta é cotado para ser candidato a presidente. E, embora tenha negado que vai desistir da disputa pelo Planalto, nos bastidores da política a informação é de que ele trabalha para compor uma aliança com o ex-juiz da Lava Jato, na qual poderia vir a ser o candidato a vice. Deputado federal por dois mandatos, Mandetta é apontado como interlocutor de Moro com congressistas.

Outro nome do União Brasil que tem pressionado para que o partido esteja na chapa de Sergio Moro em 2022 é o deputado Júnior Bozzella (PSL-SP). Desde que Bolsonaro rompeu com o PSL em 2019, o parlamentar tem sido um dos principais opositores do governo.

“Moro é o herói de toda uma geração cansada de ver o Brasil ser saqueado por corruptos. Ele representa o significado mais genuíno do patriotismo. Deixou a toga e o ministério por convicção, por comprometimento com o país, e isso está na memória de todo brasileiro”, afirma Bozzella.

Além dele e de Mandetta, Sergio Moro conta ainda com a adesão de outros nomes que já apoiaram Bolsonaro, como Professora Dayane Pimentel (PSL-BA), Julian Lemos (PSL-PB) e Luís Miranda (DEM-DF).

General Santos Cruz pode atrair militares que apoiam Bolsonaro para candidatura de Moro 

Recém-filiado ao Podemos, o general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz, ex-ministro do governo Bolsonaro, trabalha agora para viabilizar o nome de Sergio Moro para 2022. Nos bastidores, aliados de Moro acreditam que Santos Cruz pode atrair o apoio de integrantes das Forças Armadas que hoje estão com o presidente Bolsonaro.

De acordo com Santos Cruz, Sergio Moro é o nome da terceira via que será capaz de romper com a polarização entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Bolsonaro. “Eu vejo esse evento como um lançamento da candidatura do Sergio Moro, que é uma das esperanças para o Brasil. Sem dúvida, ele tem condições [de romper a polarização]”, afirmou o militar no evento de filiação de Moro ao Podemos.

Além de Santos Cruz, o general de Exército da reserva Paulo Chagas, que concorreu ao governo do Distrito Federal em 2018 no mesmo palanque que Jair Bolsonaro, é outro militar que agora aposta no nome de Sergio Moro para 2022. “As propostas dele [Moro] vão ao encontro das minhas ideias do que deve ser um presidente”, diz Chagas, que acusa Bolsonaro de ter traído suas promessas.

Para aliados do Planalto, essa aproximação de Moro com militares é vista com preocupação, já que poderia evidenciar uma certa insatisfação das Forças Armadas com o presidente.

Tucanos que apoiaram Bolsonaro se aproximam do ex-juiz 

Moro também tem atraído tucanos que já haviam apoiado Bolsonaro. Um deles é o presidente do PSDB do Rio de Janeiro, Paulo Marinho. O empresário participou ativamente da campanha de Bolsonaro em 2018. E era tão ligado ao hoje presidente a ponto de ter sido escolhido como suplente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Até mesmo o governador de São Paulo, João Doria (PSDB-SP), que já esteve ao lado de Bolsonaro, agora tenta negociar uma composição com Moro para 2022.

Em 2018, quando disputava o governo de São Paulo, Doria acabou abandonando a candidatura à Presidência de Geraldo Alckmin (PSDB) para apoiar Jair Bolsonaro. Na ocasião, o slogan “BolsoDoria”, acabou sendo o mote da campanha do tucano no estado. Apesar disso, Doria rompeu com o presidente e atualmente se diz "amargamente arrependido" pelo apoio dado a Bolsonaro em 2018.

Vitorioso das prévias do PSDB, o governador de São Paulo, João Doria, não descarta uma composição com Sergio Moro para a disputa presidencial do ano que vem. O tucano vem tentando se cacifar como candidato ao Palácio do Planalto e já fez alguns acenos ao ex-ministro.

“É possível. Eu tenho boas relações com Sergio Moro e tenho respeito por ele. Não haveria nenhuma razão para não manter relações com alguém que ajudou o Brasil, com alguém que contribuiu com a Lava Jato, assim como Simone Tebet, uma brilhante senadora, e o senador Rodrigo Pacheco, com boa postura e equilíbrio”, disse o tucano em entrevista à CNN Brasil, citando outros dois pré-candidatos à Presidência.

Após o resultado das prévias, Moro chegou a parabenizar o governador tucano por meio de mensagens. Além disso, o ex-juiz e Doria se encontraram na semana passada e firmaram um pacto de não agressão. O tucano vem dizendo também que os dois estão do mesmo lado, mas não necessariamente na mesma candidatura – o que significa que Doria não pretende abrir mão de ser candidato, mas que não descarta uma aliança em um eventual segundo turno.

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