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O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência, disse estar “surpreso” com a decisão do candidato de deixar o país e destacou que não tem informações sobre o paradeiro dele. Mais cedo, fontes ligadas à Polícia Federal confirmaram à Gazeta do Povo, que Flávio deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos.
“Estamos surpresos, porque ontem [segunda, 26/10] nós conversamos com Flávio sobre a necessidade de — com os 60 milhões de votos que teve — assumir esse papel de liderança da oposição, que é importante, pois nós temos um governo que claramente está fazendo mal ao país”, afirmou Marinho a jornalistas na tarde desta terça-feira (27).
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou, nesta segunda (26), que Flávio entregasse seus passaportes e o proibiu de deixar o país. As medidas cautelares foram anunciadas pelo próprio senador, que garantiu que não tinha intenção de sair do Brasil e reforçou que iria liderar a oposição ao governo Lula (PT).
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O “filho 01” do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é investigado pela Polícia Federal por suposta lavagem de dinheiro junto ao advogado Willer Tomaz. A defesa do senador reconhece que os dois são amigos, mas nega que sejam sócios.
Durante a entrevista, Marinho destacou que, segundo ele, Moraes soube na manhã de domingo (25) que Flávio não teria participação na conta bancária de Tomaz, mas, apesar disso, “sete minutos depois” após o resultado das eleições, a PF teria pedido a aplicação de medidas cautelares.
O relator, também de acordo com o coordenador, teria assinado a ordem cerca de uma hora e meia depois da declaração dos resultados do pleito.
“Numa democracia, é muito estranho, que um candidato à Presidência da República, após o resultado seja objeto de uma medida cautelar para retenção de seus passaportes em que o principal caiu por terra, me parece uma preparação para uma coisa mais persecutória”, disse Marinho.
O coordenador relatou que teve não "notícia ainda por parte do Flávio e advogados do que de fato aconteceu".
"Tentamos contactar o Flávio após as informações. Recebi uma mensagem de texto dizendo que iria dar um tempo hoje e depois conversaria conosco, por volta das 8h da manhã. Estamos surpresos porque conversamos ontem sobre a necessidade para que Flávio assumisse esse papel de liderança da oposição", afirmou.
Família Bolsonaro é alvo frequente de Moraes
A ordem de apreensão dos passaportes de Flávio ocorre após uma sequência de medidas judiciais impostas pelo ministro Alexandre de Moraes a integrantes da família Bolsonaro.
Em julho de 2025, antes da condenação de Jair Bolsonaro por suposta tentativa de golpe, Moraes determinou buscas na residência do ex-presidente, impôs o uso de tornozeleira eletrônica e estabeleceu restrições à comunicação e ao uso de redes sociais.
No mês seguinte, converteu as cautelares em prisão domiciliar, sob a alegação de descumprimento das ordens judiciais. Em novembro, decretou a prisão preventiva do ex-presidente.
Em julho de 2026, publicações de Flávio nas redes sociais foram usadas para impor restrições às visitas a Jair Bolsonaro. O senador, então pré-candidato, divulgou uma carta do ex-presidente que o apresentava como porta-voz do pai e pedia apoio à sua pré-candidatura à Presidência.
O ministro entendeu que a divulgação contornava a proibição de manifestações políticas por terceiros imposta a Jair e suspendeu as visitas de Flávio ao ex-presidente por 90 dias, período que ultrapassava o primeiro turno das eleições. As visitas foram retomadas em meados de outubro.
Moraes também iniciou uma investigação contra Eduardo Bolsonaro por sua atuação nos Estados Unidos em favor do pai. O ex-deputado foi condenado pelo STF por coação no curso do processo e, após o trânsito em julgado, o ministro determinou a expedição de mandado de prisão (de quatro anos e dois meses), a suspensão dos direitos políticos e o cancelamento dos passaportes de Eduardo, que está nos EUA.
Em outro processo, também relatado por Moraes, Eduardo foi condenado, em setembro deste ano, por declarações contra a deputada Tabata Amaral (PSB-SP), feitas quando ele ainda era deputado, em 2021.




