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Durante entrevista coletiva nesta quinta-feira (16), integrantes do governo Lula reforçaram as críticas aos Estados Unidos após a decisão de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Os ministros e auxiliares do governo afirmaram que a medida tem motivação política, classificaram as justificativas apresentadas por Washington como falsas e indicaram que o Brasil poderá recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica, além de oferecer apoio financeiro aos setores afetados.
Participaram da coletiva o ministro da Fazenda, Dario Durigan; o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Fernando Elias Rosa; o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo; o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin; o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira; o ministro interino do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco; e a secretária nacional de Justiça, Maria Rosa Guimarães Loula.
Alckmin fala em reciprocidade e culpa adversários políticos
Alckmin abriu a coletiva classificando o tarifaço como "injusto". Segundo o vice-presidente, as justificativas apresentadas pelos EUA são "falsas" e o governo brasileiro está preparado para adotar medidas de reciprocidade.
Sem citar nominalmente o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), Alckmin atribuiu parte da crise à atuação de "quem tenta sabotar o Brasil lá fora" e afirmou que "o governo trabalha para apoiar quem trabalha aqui dentro".
O vice-presidente também disse que o governo buscará ampliar o acesso de produtos brasileiros a novos mercados para reduzir a dependência das exportações aos Estados Unidos.
Governo vê motivação política e promete apoio a empresas
Dario Durigan afirmou que a decisão do governo americano teve motivação política e criticou parlamentares da oposição que apoiaram a medida. Segundo o ministro, esse comportamento demonstra "falta de patriotismo".
Na mesma linha, o chanceler Mauro Vieira reiterou declarações feitas anteriormente e acusou os EUA de agir por revanchismo. Segundo ele, a reação americana decorre do fato de "o Brasil não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas durante o curso das negociações".
Márcio Fernando Elias Rosa afirmou que o governo prepara medidas de apoio aos setores afetados pelo tarifaço, incluindo mecanismos de financiamento, além da abertura de novos mercados para compensar as perdas. O ministro também criticou as exigências americanas e afirmou que o governo brasileiro conduziu as negociações em defesa da soberania nacional.
Governo rebate críticas sobre Pix e desmatamento
No documento que embasa a medida, o governo americano afirma que o Banco Central exerce simultaneamente as funções de regulador e operador do Pix, o que poderia favorecer uma plataforma pública em detrimento de empresas privadas, incluindo companhias americanas que oferecem serviços de pagamento digital.
Gabriel Galípolo e Maria Rosa Guimarães Loula contestaram as justificativas apresentadas pelos EUA.
Os EUA também sustentam que o Brasil não aplica de forma efetiva sua legislação para combater o desmatamento ilegal, o que, na avaliação de Washington, prejudicaria a competitividade de empresas americanas.
O ministro interino do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, rejeitou a acusação. Segundo ele, o Brasil mantém ações de combate ao desmatamento ilegal e o governo dos Estados Unidos ignorou relatórios técnicos apresentados pelo ministério durante as negociações.







