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Após quase uma semana de indefinição, Douglas Ruas (PL) deve ter a sua vitória no primeiro turno para o governo do Rio de Janeiro confirmada neste sábado (10) pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE). A anulação dos votos de Anthony Garotinho (Republicanos) abriu o caminho para encerrar a disputa, cujo desfecho o adversário derrotado Eduardo Paes (PSD) já reconheceu.
O fim do impasse consolida uma derrota que ultrapassa questões judiciais. Paes tentou preservar sua candidatura da polarização presidencial, mas não conseguiu neutralizar o desgaste de sua associação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A nacionalização defendida por Ruas ajuda a explicar o resultado, contribuindo decisivamente para o revés do favoritismo de Paes.
O próprio ex-prefeito do Rio apontou esse fator ao avaliar a votação. Em manifestação logo após o primeiro turno, atribuiu a vantagem de Ruas à influência da campanha presidencial e à estratégia de “voto casado”. Sua tentativa de disputar a eleição com foco estadual esbarrou na mobilização do eleitorado de direita, que conseguiu também eleger os dois senadores.
Embora apoiasse formalmente Lula, Paes evitou manifestações públicas em favor do presidente por receio da rejeição ao petista no estado. Ele chegou a dizer que não seria um “vassalo do presidente”. O distanciamento buscava preservar os votos de direita que integravam sua base. O resultado indica que a estratégia foi insuficiente para colocá-lo à frente do adversário do PL.
Anulação dos votos de Garotinho encerra expectativa de segundo turno
Na apuração inicial, Ruas recebeu 4.271.199 votos, ou 49,27% dos válidos, enquanto Paes teve 3.706.984, equivalentes a 42,76%. A diferença superou 564 mil votos. Como nenhum candidato superou a metade dos votos considerados válidos naquele momento, havia perspectiva de nova rodada.
Essa chance foi afastada pela decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de excluir os 274.411 votos de Garotinho. Com a alteração da base de cálculo, Ruas passa a 50,88% e Paes, a 44,16%. Nenhum voto é transferido: muda o total sobre o qual se calcula a maioria necessária à vitória.
Garotinho disputou com a candidatura sob questionamento judicial, após ter seu registro negado por questões de elegibilidade relacionadas a uma condenação por improbidade administrativa. Na quinta-feira (8), o TSE decidiu, por cinco votos a dois, anular sua votação e realizar a retotalização.
Paes tentou suspender a decisão no Supremo Tribunal Federal (STF), mas o ministro Cristiano Zanin rejeitou o pedido, pois ainda não haviam sido esgotadas as possibilidades de recurso no próprio TSE. Ao reconhecer o encerramento da disputa, Paes afirmou que respeitaria a decisão judicial e anunciou que seu grupo político fiscalizará o futuro governo.




