Apuração aponta que canais estatais devem abrir mais espaço para evangélicos e mulheres, mas EBC nega mudanças.| Foto: André Borges/EFE
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As emissoras da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), os canais públicos CanalGov e TV Brasil, devem entrar na estratégia do Palácio do Planalto para tentar alavancar a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após as sucessivas pesquisas de opinião apontarem uma desaprovação da terceira gestão dele.

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Segundo uma apuração publicada nesta segunda (1º) pelo jornal O Globo, o público evangélico e as mulheres devem ganhar mais representatividade nas estruturas – este segmento religioso é um dos mais resistentes ao governo Lula.

A Empresa Brasil de Comunicação (EBC), no entanto, afirmou à Gazeta do Povo que “não há previsão de mudanças na grade da TV Brasil”, e que estreou novos programas entre fevereiro e março e que deve iniciar, nos próximos meses, transmissões esportivas. No entanto, não há previsão de levar ao ar programas específicos ao público evangélico (veja mais abaixo).

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A apuração d’O Globo apontou que a estratégia pretende ampliar também a presença de ministros no programa “Bom dia, ministro”, veiculado no CanalGov, um dos canais que fazem parte da estrutura da EBC junto da TV Brasil, do Canal Educação, da Rádio MEC e das demais agências de notícias estatais.

Ainda segundo a apuração, a EBC pretende reutilizar materiais veiculados nas emissoras para publicar nas redes sociais e ampliar o alcance da audiência.

Com relação especificamente à TV Brasil, não há planos para um programa específico para os evangélicos, mas ampliar a presença deste grupo no canal, segundo a apuração. No final do ano passado, a emissora exibiu a novela mexicana “Maria Madalena”.

Também não há planos específicos para as mulheres, que correspondem à maior parte da audiência da TV Brasil nas classes C, D e E com mais de 50 anos. A apuração do O Globo aponta que a maior parte desse público é também de evangélicos.

À Gazeta do Povo, a EBC afirmou que "não existe alteração prevista para a grade da TV Brasil". "Entre fevereiro e março, a emissora estreou uma série de conteúdos, como a nova versão do Sem Censura e as séries do programa Prodav TVs Públicas, além da reformulação do telejornal Repórter Brasil Tarde", completou.

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A emissora pública afirmou, ainda, que há previsão, nos próximos meses, de transmissões de novos campeonatos esportivos, em especial de torneios femininos como o basquete e futebol. "Mas, não há previsão de qualquer mudança efetiva da grade, ou de estreia de programação voltada ao público evangélico", emendou.

Além de ajustes na programação, a EBC começou a expandir o alcance após reclamações de Lula sobre a falta de conteúdo nacional durante as viagens ao exterior. Na semana passada, o governo lançou a TV Brasil Internacional, disponível inicialmente em aplicativos de streaming, site e antena parabólica digital em 12 países da América do Sul.

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Desde que a EBC foi criada, em 2007 sob a segunda gestão de Lula, a rede é alvo de críticas por supostamente servir para acomodar apadrinhados políticos e pelo alinhamento ao governo.

Mais recentemente, a TV Brasil precisou mudar de direção após o diretor escolhido pelo presidente nesta terceira gestão, o jornalista Hélio Doyle, fazer comentários antissemitas nas redes sociais – ele foi substituído pelo historiador Jean Lima, filiado ao PT.

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