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Caso Master

Vorcaro sondou proximidade com juiz que o prendeu e confirmou nome com Moraes

André Mendonça derrubou totalmente sigilo após solicitação de Edson Fachin em meio a embate.
André Mendonça derrubou totalmente sigilo após solicitação de Edson Fachin em meio a embate. (Foto: Gurometal/Wikimedia Commons)

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A Polícia Federal (PF) encontrou uma nota no celular do banqueiro Daniel Vorcaro em que ele questiona se o interlocutor a quem enviaria o conteúdo tinha proximidade com Ricardo Soares Leite, juiz da 10ª Vara Federal Criminal, que decretou sua prisão preventiva. A nota foi criada às 15h51 do dia 16 de novembro de 2025, véspera da prisão, dentro da estratégia de Vorcaro de enviar imagens em vez de mensagens em textos.

Pouco mais de duas horas antes, o banqueiro enviava mais uma mensagem ao contato "Alexandre de Moraes". No dia anterior, Vorcaro envia o que parece ser uma reação a um aviso do mesmo contato:

"Que loucura, bem na semana que estou resolvendo tudo. Aquele mesmo juiz Ricardo? E o Galípolo tá sabendo? Conseguimos fazer algo? Acha que segunda já tenho que estar fora?". O banqueiro foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos, enquanto tentava embarcar para Abu Dhabi, nos Emirados Árabes.

O trecho consta em relatório da PF tornado público após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça acatar pedido do presidente da Corte, Edson Fachin, e levantar o sigilo dos procedimentos relacionados ao caso Master. Na terça-feira (15), haverá uma sessão presencial extraordinária focada no embate entre Moraes e Mendonça.

Banqueiro sabia nome de juiz antes de divulgação pela imprensa

A PF ressalta que o nome do magistrado não havia sido revelado por nenhum veículo de imprensa naquele momento e afirma que não conhecia meio lícito pelo qual Vorcaro pudesse saber o nome e a jurisdição do juiz responsável pelo caso. Para os investigadores, o episódio reforça a suspeita de vazamento de informações sigilosas.

No relatório de fevereiro de 2026, já há menção às notas recuperadas, mas sem o cruzamento que identificou o destinatário e levantou suspeitas contra Moraes. Em outubro de 2025, o banqueiro ficou sabendo de uma reunião no Banco Central (BC) para tratar das investigações envolvendo o Master.

A análise também reconstrói episódios anteriores. Em 17 de outubro de 2025, ocorreu uma reunião sigilosa entre integrantes da PF e do Banco Central (BC) para tratar da investigação do Master. Quatro dias depois, Vorcaro registrou no aplicativo Notas os nomes de representantes da PF que estiveram no encontro. A lista também continha nomes de procuradores da República que, segundo o relatório, não participaram da reunião.

Em outra nota, de 30 de outubro, Vorcaro afirmou ter recebido informações confidenciais de pessoas “de dentro do Bacen” e escreveu ser importante que o interlocutor “reforçasse” com “Andrei e Paulo” para evitar ações contra o banco. A PF afirma que os nomes provavelmente se referiam a Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, e Paulo Gonet, procurador-geral da República.

Ainda nas mensagens com Moraes, Vorcaro revela que seus contatos no BC participaram de reuniões sobre o caso e que, por isso, a informação seria confiável.

"Eu só não posso queimá-los, porque tinham poucas pessoas, e saberão que eles me falaram, se isso chegar no G. Então temos só que ter cuidado de como conduzir com o G depois", pontua. A PF associa "G" ao presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo.

Nas horas que antecederam sua prisão, as conversas se tornaram mais recorrentes com seu então advogado, Walfrido Warde, com quem Vorcaro não mantinha diálogos registrados desde 3 de agosto. O advogado procurou o banqueiro pela manhã para tratar de um assunto que classificou como “importante”. Após Warde enviar uma foto de visualização única, Vorcaro escreveu que não deveriam marcar mais uma reunião “porque agora mudei o roteiro”. Em meio a ligações sucessivas, questionou: “Saindo de Congonhas 11:30 fica tarde?”.

“O comportamento, marcado por ligações sucessivas, mensagens insistentes e preocupação com horário de deslocamento, reforça o indicativo de que DV tinha consciência de que medidas relevantes seriam adotadas ainda naquele dia, compatível com o contexto de sua prisão poucas horas depois”, conclui a investigação.

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