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Magistratura

Zanin revela que já recebeu suspeitas contra ministro e arquivou caso a pedido da PGR

Ministro acompanhou Gilmar e Dino em posicionamento contra acumulação de processos em Fachin.
Ministro acompanhou Gilmar e Dino em posicionamento contra acumulação de processos em Fachin. (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin revelou que já recebeu, em seu gabinete, um procedimento contra um de seus colegas. De acordo com o magistrado, o ofício da Polícia Federal (PF) teria sido remetido ao presidente à época, Luís Roberto Barroso. O magistrado deu o número do processo, que é físico e está sob sigilo. A Procuradoria-Geral da República (PGR) teria pedido o arquivamento.

"Não cabia a mim, naquele momento, concordar ou não com a manifestação que fora apresentada pelo órgão ministerial. [...] Aqui, nós temos a possibilidade de verificar, a partir da questão de ordem que foi suscitada, qual é a posição do titular da ação penal e, consequentemente, da investigação", completou.

Zanin ainda argumentou que, em sua decisão que capturou a relatoria do caso sobre as relações entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, o presidente da Corte, Edson Fachin, acabou reconhecendo que o ministro André Mendonça pode ser suspeito para julgar o feito.

"Ora, se existe essa possibilidade, hipoteticamente, e ela foi colocada por vossa excelência, me parece que julgar ou analisar o início, uma autorização de investigação, sem saber se a suspeição será ou não reconhecida, seria uma inversão lógica dos atos processuais", argumentou.

Zanin acompanhou o posicionamento de Flávio Dino e Gilmar Mendes na questão de ordem que pretende reunir dois casos, culminando no julgamento conjunto de Moraes e Mendonça. A dupla de processos seria, depois disso, encaminhada à distribuição por sorteio.

Sessão foi convocada para debater Moraes, mas acabou focando em Fachin

A sessão extraordinária desta terça-feira (15) foi convocada com um único processo em pauta: a Pet 16.662, em que está o relatório sobre as relações entre Moraes e Vorcaro, incluindo mensagens que a Polícia Federal (PF) atribui ao banqueiro e afirma terem sido enviadas ao ministro, contratos com o escritório Barci de Moraes e registros de reuniões.

Diante da crise, Fachin tomou uma série de medidas sobre processos sensíveis. Primeiro, retirou Moraes da relatoria do inquérito das fake news, que tramita desde 2019 e é alvo de críticas de juristas, e determinou a devolução à Presidência dos procedimentos vinculados. Depois, determinou que processos relacionados ao caso Master e às fraudes no INSS fossem remetidos à Presidência. Fachin também assumiu formalmente a relatoria da Pet 16.662, que é julgada nesta terça-feira.

Diante disso, o ministro Flávio Dino encabeçou um pedido para que Fachin abrisse mão das relatorias e remetesse a sorteio os casos. Ele chegou a defender que Mendonça deveria seguir como relator dos dois processos que foram capturados.

A questão de ordem foi direcionada ao ministro Gilmar Mendes. Dino argumentou que o decano seria o próximo na linha sucessória, uma vez que Fachin está envolvido na discussão e Moraes, o vice-presidente, é parte no processo.

Na abertura da segunda parte, o presidente se manifestou contra uma mudança. Para ele, a relatoria é legítima e o caso deve continuar a ser julgado em seu enfoque principal.

Mensagens indicam obtenção de informações; Gonet alega "dupla nulidade

As mensagens de Vorcaro mostram pedidos para “bloquear” e “afastar todo mal”. Em 15 de novembro de 2025, o banqueiro envia uma mensagem em que questiona se deveria “estar fora” até a segunda-feira seguinte, dia em que acabou preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Vorcaro pergunta ainda se seria “aquele mesmo juiz Ricardo”. O magistrado que expediu seu mandado de prisão foi Ricardo Augusto Soares Leite, titular da 10ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal.

Também mencionado nas mensagens, Gonet participa da sessão como procurador-geral da República. Em parecer, ele alegou haver uma “dupla nulidade” na investigação: Mendonça não poderia assumir funções próprias da investigação e somente o Plenário poderia autorizar medidas investigativas contra um integrante do STF.

Nunes Marques e Toffoli não julgarão

O ministro Nunes Marques se declarou impedido. Mensagens analisadas pela PF associam o nome de seu filho, Kevin Marques, a uma referência de R$ 500 mil mensais. O ministro negou que o filho tenha prestado serviços ou recebido dinheiro do Banco Master e afirmou que jamais atuou em benefício de Vorcaro em seus julgamentos. Ao justificar o impedimento, porém, citou sua condição de presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o potencial impacto político-eleitoral da decisão.

Já Dias Toffoli adotou outro mecanismo e se declarou suspeito por motivo de foro íntimo. O ministro recordou que já havia se afastado dos processos relacionados ao caso Master e afirmou que seria coerente não participar da atual deliberação, para evitar constrangimento ao tribunal.

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