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A convicção dos tolos
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A pior coisa nessa pandemia, depois das mortes, claro, foi a politização exacerbada da ciência. O uso que muitos ignorantes têm feito do nome da ciência em vão, para seus fins políticos, é assustador. Especialmente quando vem de jornalistas, que deveriam se manter mais céticos e humildes. E são exatamente esses que têm bancado os maiores especialistas do planeta, tentando ensinar o papa a rezar a missa.

Escolheram, para começo de conversa, o “papa” da ciência: o doutor Anthony Fauci. O problema é que o próprio Fauci tem agido mais como político do que cientista, e isso desde os tempos do combate ao HIV. Foi ali que ele passou a tratar “dissidentes” como “negacionistas”, termo que é alheio ao método científico, que clama por refutações, não por certezas absolutas.

Agora que inúmeros e-mails de Fauci vazaram, a mesma imprensa finge que não viu, pois são comprometedores à imagem criada em torno do homem. Talvez o caso das máscaras seja o mais evidente, por ele ter mudado tanto de opinião e confessado ser mais um ato simbólico do que para efeitos concretos, ou seja, um teatro. Fauci adoraria recomendar que todos colocassem máscaras nos olhos nesse momento, para não enxergar as mensagens. Nossos jornalistas, pelo visto, fizeram isso.

Vimos o espetáculo bizarro na CPI circense quando a Dra. Nise Yamaguchi foi prestar esclarecimentos. Ela foi tratada como uma charlatã. No dia seguinte, uma jovem pesquisadora, sem qualquer pesquisa relevante publicada, a cantora Luana “Lioness”, disse o que a oposição queria ouvir, chamando inclusive de “terraplanistas” os milhares de médicos que acreditam na possibilidade de eficácia do tratamento precoce. Foi tratada pela mídia como a voz da ciência, um “faixo de luz”.

O dr. Mauro Ribeiro, presidente do Conselho Federal de Medicina, gravou um vídeo condenando a postura dos senadores na CPI, e concluindo que sabemos pouco ainda na pandemia, os médicos possuem poucas certezas. Ironicamente, teve jornalista afirmando categoricamente que ele está errado! Jornalistas que “sabem” mais do que a mais alta instituição médica do país: até onde vai a arrogância dessa gente?

Algumas frases vieram à minha mente: "Não tenho paciência particularmente com a incapacidade de autocrítica do jovem. Ele quer certezas. Isso é produto de uma profunda insegurança, perfeitamente compreensível na juventude, mas, quanto mais cedo o jovem se der conta disso, mais cedo atingirá a maturidade", disse Paulo Francis. Esses jornalistas não são tão jovens assim...

“A ignorância traz muito mais certezas que o conhecimento”, disse Charles Darwin. "O liberal é humilde. Reconhece que o mundo e a vida são complicados. A única coisa de que tem certeza é que a incerteza requer a liberdade, para que a verdade seja descoberta por um processo de concorrência e debate que não tem fim. O socialista, por sua vez, acha que a vida e o mundo são facilmente compreensíveis; sabe de tudo e quer impor a estreiteza de sua experiência – ou seja, sua ignorância e arrogância – aos seus concidadãos", resumiu Raymond Aron. Os socialistas já encerraram o debate: os remédios são “comprovadamente ineficazes”, repetem o tempo todo, o que é simplesmente falso.

Poderiam aprender algo com Sir Karl Popper, que sabia alguma coisa sobre método científico: “Não importa quantos cisnes brancos você veja ao longo da vida. Isso nunca lhe dará certeza de que cisnes negros não existem”. Foi o poeta Yeats que capturou a essência do problema: “Os melhores carecem de toda convicção, enquanto os piores estão cheios de intensidade apaixonada”. Bertrand Russell foi na mesma linha: “O problema do mundo de hoje é que as pessoas inteligentes estão cheias de dúvidas, e os idiotas estão cheios de certezas”.

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