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Rodrigo Constantino

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Empoderamento feminino: a expressão deve ser monopólio da esquerda?

Houve uma forte reação, ao menos nos meios virtuais da direita, ao tuíte postado por João Amoedo, pré-candidato a presidente pelo Partido Novo, no qual ele fala do “empoderamento feminino”. A mensagem está circulando como se fosse um tiro no pé de Amoedo, uma “prova” de que o Novo é, no fundo, esquerdista, “liberal” no sentido americano (até porque recentemente Amoedo rejeitou o rótulo “direita” e alegou ter viés liberal).

Mas a mensagem do tuíte que tem circulado está incompleta se não analisarmos a mensagem anterior. Eis os dois posts que formam um conjunto só, como resposta a uma provocação do PSOL:

Amigos meus conservadores ironizaram que Amoedo está querendo disputar os votos com Manuela D’Avila e Guilherme Boulos, na luta pelos 1%. A piada é boa, mas surge a questão mais séria e relevante: será que o uso da expressão “empoderamento” é mesmo um equívoco? Será que ela deve ser monopólio da esquerda?

Eu, particularmente, confesso não gostar dela, e sempre que a utilizo, coloco entre aspas. Mas uso várias vezes, justamente para lembrar que, se o intuito é realmente “empoderar” as mulheres, dar mais poder a elas, então o caminho não é aquele pregado pelas feministas, e sim o oferecido pela direita, a começar pela liberdade de ter armas (nada mais igualitário do que duas pessoas se enfrentando com uma pistola, pois o gigante lutador e a menina franzina estarão com chances similares de vitória).

Mas o fato de eu não gostar da palavra não quer dizer que a estratégia de utiliza-la seja automaticamente equivocada. Claro, vai gerar resistência à direita, mas pode, por outro lado, amolecer corações moderados, especialmente das próprias mulheres. E, como analisou Bernardo Santoro, as mulheres são as mais indecisas nas pesquisas.

Heitor Machado, do Instituto Liberal, comentou sobre o caso:

O Novo tem dezenas de problemas de comunicação. Ainda não aprendeu a falar para a massa, mesmo que a própria fundação do PT já tenha publicado que quem mora em periferia seja mais ligado a valores liberais.

No entanto, João Amoedo usar o termo “empoderar” não é um deles. No início do século XX nos EUA , os republicanos passaram a ter vergonha de usar a liberdade em seu favor. O partido que foi contra a escravidão deu de presente o termo “liberal” para o partido escravista (também chamado de democrata).

O resultado disso você vê na Globonews hoje. O partido democrata em 150 anos deixou de ser o defensor da escravidão para ser o descolado “liberal” (no sentido americano).

Se você não entendeu que a guerra é travada com a linguagem, então você não entendeu porra nenhuma.

Heitor tem um ponto. Se “empoderar” é uma palavra que está na moda e é do agrado de muitas mulheres, então será que é pecado mortal usa-la para o lado de cá, para uma mensagem liberal? Não sou marqueteiro ou publicitário, mas penso que essa pode ser uma estratégia até razoável.

Dito isso, como o simples uso de “empoderamento” se tornou sinônimo de feminismo, eu prefiro evitar ao máximo o termo. Mas entendo a mensagem de Amoedo: o verdadeiro “empoderamento” da mulher não vem por leis estatais ou por movimentos feministas coletivistas igualitários, e sim pelo livre mercado. O conteúdo está perfeito. Resta saber se a embalagem escolhida atende às demandas populares para se reverter em votos…

Rodrigo Constantino

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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