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Rodrigo Constantino

Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

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A estratégia guarda-chuva do movimento liberal

Por Luan Sperandio, publicado pelo Instituto Liberal

Segundo o Instituto Ipsos, 93% dos brasileiros não confiam nos políticos em geral, e, a despeito de termos 35 partidos políticos, 4 em cada 5 brasileiros não se sentem representados por nenhum deles. É um cenário de total desconfiança, em que a política fica cada vez mais sensível e o debate mais acalorado. Nesse ambiente, há dois caminhos naturais a serem adotados pelos cidadãos: a crítica rasa – identificada como a pura e simples revolta – e o ativismo, movimento em que esse descontentamento é alocado em alguma organização com objetivos claros a fim de mudar o status quo.

Em Serra, região metropolitana de Vitória, criou-se um interessante projeto de ativismo que tem inspirado diversas outras iniciativas e que vale a pena ser conhecido para refletir em novas iniciativas. Trata-se do Monitora Serra, iniciativa popular que reúne cidadãos para fiscalizar e acompanhar os trabalhos do legislativo municipal.

Nas eleições municipais de 2016, alguns moradores manifestaram preocupação com o trabalho da Câmara de Vereadores e sobre como ela pode ajudar ou atrapalhar o desenvolvimento do município. A ideia era clara: “se queremos um futuro melhor para a cidade, não podemos nos omitir”. A partir daí surgiu a ideia de estruturar um grupo de trabalho organizado para acompanhar o trabalho dos vereadores da cidade.

O grupo, que originariamente contava com empreendedores serranos, recebeu estudantes e trabalhadores de diversas áreas, lançando efetivamente o projeto em novembro de 2017. A constituição do grupo se deu, vale dizer, com a presença de nomes do movimento liberal capixaba, formados em instituições como o Grupo Domingos Martins e o Instituto Líderes do Amanhã.

O grupo tem a cada dia se estruturado, recebendo novas pessoas das mais diferentes áreas de atuação e desenvolvido sua metodologia de trabalho. As realizações estão alcançando repercussão em todo o estado, que, além do Monitora Serra, conta com movimentos como o Grupo de Inteligência Municipal, que atua em Nova Venécia, no interior capixaba.

Forma de trabalho

No primeiro momento, criou-se um rodízio entre os integrantes para acompanharem todas as sessões da Câmara Municipal em duplas. Os monitores – como são chamados – direcionam aos demais o que tem acontecido, detalhando a participação dos vereadores, a votação de projetos e todos os pontos que julgarem interessantes. Cada dupla é responsável também pelo contato direto com um grupo de vereadores, realizando eventualmente contatos e discussões com o político acerca do que está em pauta.

Para corroborar o trabalho, foi lançado um aplicativo para smartphones que é utilizado pelos membros do grupo. Os monitores avaliam os projetos que são protocolados na Casa, gerando um relatório que guiará o posicionamento do grupo em relação a cada projeto. Quando o projeto é identificado como nocivo à cidade, o vereador propositor é comunicado com sugestão de alteração ou até retirada de pauta.

A ideia do grupo é a abertura desse aplicativo, que hoje funciona apenas internamente, além da criação de um ranking que indique a qualidade da produção legislativa de cada vereador. Assim, destacam-se os melhores vereadores e os piores – em ideia que lembra o Ranking Políticos.

Para aprimorar e agregar capacidade técnica aos trabalhos do grupo, o Monitora Serra buscou parcerias. A primeira delas foi com a seccional da OAB na cidade, que disponibilizou advogados para acompanhar as questões de maior complexidade jurídica.

A partir de diferentes estratégias, o Monitora Serra visa chamar a atenção dos vereadores para que foquem nas reais demandas do município. Com a atenta fiscalização e o impacto entre a população que o grupo vem tendo, criou-se mais uma espécie de controle dos vereadores. Entre as realizações recentes, o grupo atuou pela reunião da Câmara Municipal, na época dividida em dois grupos que disputavam o controle interno da Casa. Na ocasião, a Câmara chegou a deixar de funcionar por várias sessões após um grupo consecutivamente abandonar o plenário da Casa, impossibilitando o prosseguimento dos trabalhos por falta de quórum.

Outra realização recente do grupo se deu quando aperfeiçoou umprojeto de lei cujo objetivo era desburocratizar algumas normas municipais, flexibilizando prazos e facilitando a dinâmica de negócios na cidade. O grupo sugeriu emendas e ajudou na aprovação dele ao conversar com os vereadores.

Vale a reflexão, pois, por muito tempo, a sociedade civil se omitiu do papel que lhe cabia. Atualmente é possível enxergar que nasce o interesse popular de participar ativamente da política. Isso diminui, em parte, a influência que políticos possuem, sobretudo, em Câmaras de Vereadores, instituição geralmente marcada por ausência de oposição aos projetos do Executivo

O Monitora Serra é um exemplo de iniciativa da sociedade civil despido de qualquer interesse particular ou partidário e que respeita o viés ideológico de cada um de seus membros. O objetivo é tornar a cidade em que atua, Serra, melhor para se trabalhar, empreender, estudar e viver.

A estratégia do guarda-chuva

Além de ótimo exemplo de iniciativa da sociedade civil, o Monitora Serra também ilustra o funcionamento da estratégia de guarda-chuva do movimento liberal brasileiro: organizações pioneiras, como o Instituto de Estudos Empresariais e este Instituto Liberal, até mais recentemente o Instituto Mises Brasil, Students for Liberty e Ideias Radicais, que trabalham no start da formação de interessados pelas ideias da liberdade e jovens lideranças; por sua vez, as novas lideranças criam e participam de outras organizações liberais ou inspiradas na liberdade, ocupando espaços e atuando neles a partir de seus valores aprendidos e formados nas organizações. A estratégia tem funcionado: basta ver a proliferação de organizações liberais na sociedade civil nos últimos anos. Isso faz com que possamos afirmar que os próximos anos reservam otimismo para a multiplicação de iniciativas como o Monitora, mais grupos de estudos e institutos em todo o país.

Nota: Artigo elaborado em parceria com Darcy Junior que é Presidente do Grupo Domingos Martins e membro do Monitora Serra.

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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