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Rodrigo Constantino

Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

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O calcanhar de Aquiles de Luciano Huck

O apresentador Luciano Huck “desistiu” de ser candidato, mas aquela entrevista no Faustão mostra que pode não ser bem assim. Como há uma avenida aberta ao centro, especialmente para algum “outsider” popular, muitos tentam convencer Huck – ou talvez Angelica? – a disputar o cargo, apesar do que isso significaria em termos de exposição e escrutínio de sua vida pessoal. Um alto custo a pagar, sem dúvida, mais até do que o custo de oportunidade de seu salário milionário na emissora.

As críticas surgem da esquerda à direita: candidato da Globo, dos globalistas, do Jorge Paulo Lemann, e por aí vai. Não é preciso entrar nesse patamar de desconfiança, ou endossar teorias conspiratórias, para compreender porque a escolha pode ser problemática. Vamos assumir uma premissa otimista, compartilhada por algumas pessoas que conhecem o apresentador mais de perto: Huck é apenas um cidadão comum que quer ajudar o país.

Tudo bem. Então Huck é um sujeito boa praça, do bem, cheio de boas intenções e tem sido persuadido a encarar a pedreira porque tem chances reais, porque o Brasil deveria evitar o risco dos extremismos de esquerda (Lula) e de direita (Bolsonaro). Se for assessorado por gente do peso de um Arminio Fraga, então poderia fazer uma boa gestão econômica, focar nas reformas de que o país precisa, e voltaríamos a sonhar com um futuro melhor.

A narrativa não é ruim, tampouco absurda. Mas peca por excesso de foco econômico, e ignora o que recente pesquisa mostra: honestidade é prioridade para 72% dos eleitores. Não estou dizendo que Huck seja desonesto. Nada disso. A pesquisa poderia até lhe ser útil, já que o descrédito com o Congresso é enorme, o que abre caminho para alguém de fora. O ponto é outro.

É a elasticidade moral do apresentador quando o assunto é “amizade”. Alguém pode rebater que ele, como alguém “boa praça” e na função que ocupa, não deve ser ideológico demais, nem raivoso, e que ser camarada de todos é parte de sua personalidade ou seu trabalho. Fotos com Sergio Cabral, Eike Batista, Lula, Joesley Batista e Aécio Neves não seriam muito comprometedoras, justamente porque ele não fazia distinção, porque simplesmente se dava bem com todo mundo.

Pode colar, ou não. Sem dúvida não ajuda muito terem diversas dessas fotos na internet, com quase todos os condenados do alto escalão pela Lava Jato. Mas ainda não é esse o calcanhar de Aquiles a que me refiro. Se ter tirado tais fotos já é ruim o bastante, se ter feito selfie sorridente com alguém como Lula já é uma mancha no currículo, o que dizer do fato de manter com orgulho essa foto em destaque na casa, até hoje, depois de tudo?

É ao menos o que revelou Lauro Jardim em sua coluna deste domingo: “Na casa de Luciano Huck, há uma mesinha coalhada de porta-retratos do apresentador ao lado de diversas personalidades. Num deles, está ao lado de FH. Em outro, abraça Lula”. Em sendo verdade isso, alguns podem querer enxergar qualidade, de alguém acima das disputas partidárias e ideológicas de “esquerda e direita” (deixando de lado o fato de que ambos ali são de esquerda).

Mas essa postura de “isentão” não convence quando se trata de Lula. Especialmente depois do que se sabe, de seu desprezo pela democracia e pela Justiça, de seus ataques criminosos aos juízes que vão avaliar seu recurso após condenação em primeira instância, de sua narrativa contra Sergio Moro, de sua defesa injustificável ao regime de Maduro, das ameaças que seu partido faz de “guerra civil” durante seu julgamento etc.

Ou seja, Lula é um marginal da pior espécie, um líder de quadrilha, um mafioso, alguém que destruiu o Brasil, afundou a economia, deixou milhões de desempregados, e ainda trata com escárnio nossas instituições responsáveis pela redução singela da impunidade. Como alguém pode defender Lula? Como alguém pode ostentar uma imagem sorrindo ao lado de um sujeito desses?

Em boa parte a eleição de 2018 será um plebiscito sobre o lulopetismo, se desejamos ou não virar uma Venezuela. Que Huck tenha tirado um selfie com o Lula presidente, dá até para engolir, ainda que pegue mal bajular poderosos imorais. Mas que ainda hoje guarde com carinho a imagem, exposta em sua casa para suas visitas, isso é simplesmente inaceitável, e diz muito sobre a rigidez ética do apresentador, ou sua falta.

Quem tem orgulho em vez de vergonha de ter uma foto sorrindo ao lado de Lula simplesmente não pode ser presidente do Brasil, não no momento em que precisamos mais de um resgate moral até do que um resgate econômico, também muito importante. O candidato pode ser até ideologicamente de centro, mas não pode falar manso com bandidos feito o Lula. Isso o povo não vai engolir…

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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