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Rodrigo Constantino

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O racismo de Ciro Gomes e a hipocrisia da esquerda

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Ciro Gomes é incorrigível. Como se brinca no futebol, esse daí nem é preciso marcar, pois a natureza o faz. É só dar corda que o bicho se enforca, tal como uma moreia fisgada no anzol. É colocar um microfone à sua frente e deixa-lo falar à vontade que logo, no meio de sua verborragia com afetação pseudo-acadêmica e os vários números chutados, virá algum impropério fatal.

Dessa vez o pré-candidato deixou transparecer todo seu racismo numa entrevista na rádio Jovem Pan. Sem que alguém tivesse mencionado o nome do rapaz, Ciro puxou da cartola o vereador do DEM Fernando Holiday, ligado ao MBL, para acusa-lo de “negro capitãozinho do mato”. Não há “contexto” que justifique tal injúria racial.

Ciro é mestre em mentir, em negar o que disse ou tentar inventar um pretexto, mas dessa vez ficou claro demais: foi puro racismo mesmo. Aquele que adota postura de coronelzinho nordestino, que queria sequestrar Lula para protege-lo da Justiça, que receberia o juiz Sergio Moro “à bala”, pensa que negros não podem ser liberais, pois isso seria agir como um “capitãozinho do mato”, um traidor da raça. Negro só se for de esquerda, como ele, Ciro.

Essa mentalidade, infelizmente, é muito comum na esquerda, e vem desde o marxismo. O proletário só servia se fosse socialista, caso contrário era um traidor, um instrumento de exploração do burguês, por meio da alienação ou compra. Da mesma forma, o negro não existe como gente, como indivíduo, para um típico esquerdista. É somente uma parte do “coletivo”, e só presta se endossar as bandeiras da própria esquerda.

Que alguém seja julgado só pela cor da pele em pleno século XXI é algo realmente nefasto. E é justamente o que faz a esquerda das políticas de identidade. Foram os blogs podres ligados ao PT que atacaram Joaquim Barbosa com base em sua cor, não liberais. A esquerda usa os negros como mascotes, contanto que sejam capachos, obedientes, e se prestem ao papel determinado pelas elites brancas esquerdistas.

A prova dessa hipocrisia de quem fala em nome das minorias e costuma atacar a direita pelo suposto racismo está no silêncio constrangedor e ensurdecedor das lideranças esquerdistas e dos movimentos raciais. Não saíram em defesa do jovem Holiday, e tampouco partiram para o ataque contra Ciro. Só querem “lacrar” nas redes sociais quando o alvo é de direita, demonstrando que não ligam a mínima para as pessoas de carne e osso, para os negros de fato. É asqueroso!

E que conste a indecência do próprio DEM, que também optou por fazer vista grossa ao ataque racista e gratuito de Ciro, sem sair em defesa de seu vereador. O partido de Rodrigo Maia, afinal, tem mantido conversas com o pedetista escolhido pelo Partido Comunista Chinês como melhor candidato, o que já diz muito sobre ele. O DEM, assim, comprova uma vez mais ser um partido fisiológico e sem princípios, muito menos liberais.

O vereador ligado ao MBL já avisou que vai reagir pelas vias judiciais. Está certo e em seu direito. O problema é que nosso sistema judiciário também parece ter uma seletividade imensa quando se trata de julgar falas racistas: se o político for associado à direita, o estardalhaço é grande, mas quando se trata de um esquerdista radical feito Ciro, ou então Lula, aí há uma enorme boa vontade em se compreender o “contexto”.

Eis o que sobrou para a esquerda nessa eleição: apoiar um machista, racista e autoritário, além de destemperado. E a esquerda ainda tem a pecha de tentar monopolizar a defesa das minorias. Seria cômico, não fosse trágico…

Rodrigo Constantino

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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