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Lembro como se fosse hoje: governadores decretando lockdown de 15 dias para "achatar a curva" e impedir o "colapso do sistema hospitalar". Quase todos os meus pares jornalistas aplaudindo e repreendendo quem questionava a medida: "são só quinze dias, depois a gente vê como fica". Minha análise, ou previsão: estaremos discutindo isso lá na frente ainda. A parte mais difícil dessa paralisação de 15 dias são só os primeiros 600 dias...

Depois veio aquela obsessão em repetir que o foco deveria ser a saúde, as vidas, enquanto a economia "a gente vê depois". Bolsonaro se colocou totalmente contra isso, alegando que era crucial focar também na economia, pois desemprego mata. Rodrigo Maia, Doria e até Ronaldo Caiado repetiram que era coisa de "especulador", e que a prioridade tinha que ser a saúde, ponto.

Minha análise, ou previsão: lá na frente, quando colhermos os problemas econômicos dessas medidas, a oposição vai culpar o governo Bolsonaro pela crise, como se nem existisse mais a pandemia. E é exatamente o que vemos hoje. Não digo isso para me gabar ou bancar o profeta, até porque vejo quase nenhum mérito nisso: eles são previsíveis demais!

Além da pandemia e dos lockdowns de governadores e prefeitos, tivemos a maior crise hídrica em um século, causando um choque no preço da eletricidade. Nada disso importa na hora de divulgar os dados econômicos: a oposição trata a coisa como se fosse totalmente responsabilidade do governo federal, como podemos ver nessa manchete:

Dilma causou a inflação ao destruir a economia com seu desenvolvimentismo irresponsável, tentar controlar preços, interferir em todos os setores etc. Bolsonaro enfrenta o cenário mais adverso em décadas, com a pandemia que levou inúmeros governantes a abandonar qualquer bom senso e partir para medidas draconianas sem respaldo científico. Mas analisar de fato as diferenças não interessa aos opositores, que querem focar apenas nos dados, sem qualquer embasamento.

A inflação nos Estados Unidos atingiu o patamar mais elevado em 40 anos! Nos últimos 12 meses, os preços subiram, em média, 6,8%. É uma inflação cavalar para os padrões americanos. O FMI se mostra preocupado. Mesmo assim, Joe Biden busca aprovar a maior expansão de gastos do governo na história, como se não houvesse amanhã.

A Alemanha divulgou uma inflação anual de 5,2% em novembro, a maior desde 1992. A Noruega divulgou uma inflação anual de 5,1% em novembro, a maior em 13 anos. Está assim em quase toda a Europa. Estamos falando de países que, historicamente, apresentam inflação perto de 1 ou 2% ao ano. Ou seja, são patamares bem elevados e atípicos, pois o mundo viu a maior ruptura na cadeia global de produção em décadas.

Qualquer pessoa honesta que fosse analisar os dados levaria isso em conta, e questionaria se as medidas adotadas pelos governos nessa pandemia foram mesmo necessárias e racionais ou científicas, como as autoridades alegam. Mas para tanto seria preciso fazer eventualmente um mea culpa das posturas anteriores, e isso nunca é fácil em se tratando da natureza humana vaidosa. Por isso a maioria simplesmente ignora o que disse e fez e dobra a aposta.

Mas quem tem memória lembra muito bem o que aconteceu: os mesmos que hoje apontam para os dados econômicos ruins e condenam o governo Bolsonaro estavam "ontem" pregando "soluções" que causariam justamente esses efeitos negativos. Nós estávamos tentando alertar para isso, mas eles nos ridicularizavam. E agora se fazem de sonsos. Não é por acaso. Tem método. Queriam destruir a economia para culpar o presidente.

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