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O maior escândalo envolvendo ministros do STF vem à tona, o batom na cueca de Alexandre de Moraes, e os ministros resolvem deliberar sobre PIX e holdings numa quarta-feira como outra qualquer, como se absolutamente nada estivesse acontecendo. Após as votações, o fotógrafo Brenno Carvalho, do Globo, captura uma imagem que já é a foto do ano, quiçá da década: o mesmo Moraes gargalhando, ao lado de um sorridente Zanin e de um alegre Gilmar Mendes. Essa gargalhada é o símbolo do escárnio, a marca do deboche: eles estão rindo do povo!
No ano que vem Moraes assume a presidência do STF. Vocês têm noção do que isso significa? Se Moraes não cair antes disso, o Supremo estará totalmente imerso na lama, será uma instituição caquética, ridícula, criminosa. E o atual presidente, Edson Fachin, que também aparece na foto de costas e certamente rindo, falando em "tempo certo" para agir sobre o escândalo. O tempo é agora, ministro!
Enquanto Moraes estiver no STF, absolutamente nenhuma decisão da corte deveria ser respeitada, pois não se trata de uma corte legítima. A crise institucional que assola o país é sem precedentes. Destruíram a Lava Jato porque havia conversas inocentes entre o procurador e o juiz. São 75 candidatos esse ano condenados na operação – um deles à reeleição para presidente. Agora temos o juiz trocando várias mensagens com um bandido, recebendo milhões dele, tendo vários encontros, e nem o inquérito do fim do mundo foi arquivado ainda!
Alcolumbre não se importa de apelar para o relativismo na hora de prevaricar e obstruir a Justiça.
Merval Pereira, em sua coluna no Globo, afirma que Moraes precisa deixar o STF: "Ninguém acredita mais que o STF seja capaz de cortar na própria pele, de fazer uma mea culpa, de punir quem merece. O presidente Edson Fachin, que vende a ideia de um código de ética, tinha que ser muito mais contundente, mais afirmativo”. Será? Pelo visto, não. Preferem todos contarem piadas juntos, talvez sobre como o brasileiro é otário.
Enquanto isso, Alcolumbre, que teria recebido trinta milhões de dólares do mesmo Vorcaro, segundo revista, sai em defesa de Moraes e tenta embaralhar tudo: “Todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para a mesma pessoa para fazer um filme. E agora o culpado é só o ministro Alexandre de Moraes. Mas eu vou fazer um relato de tudo que eu quero falar”. São coisas bem diferentes, claro, mas Alcolumbre não se importa de apelar para o relativismo na hora de prevaricar e obstruir a Justiça. Estão todos achando graça da situação.
O banqueiro Daniel Vorcaro afirmou em depoimento ao gabinete do ministro André Mendonça que fica "desconfortável" em oferecer uma nova proposta de delação premiada porque tinha uma relação "cordial" com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. "Entrou o advogado novo, a gente queria construir uma nova colaboração, me sinto desconfortável de propor uma colaboração, em que a gente tem um diretor da Polícia Federal, com quem eu tinha... um diretor‐geral com quem eu tinha uma relação. Que frequentou eventos, que participou de todo esse crescimento do banco e relação de eventos de participação em que ele esteve presente em diversas outras situações que eu gostaria de narrar. Não tem a menor chance disso se viabilizar e dar certo", afirmou Vorcaro em depoimento.
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Está tudo em casa! É tanta gente envolvida que a operação abafa parece inevitável. O Globo, em seu editorial, diz que se o STF não agir rápido, o Senado o fará: “Se Moraes ou Gonet insistirem em impedir seus pares de julgar o parecer da PGR, estará claro o desejo de esconder tudo. Equivalerá a uma confissão de culpa, situação em que o melhor seria renunciarem ao cargo. Ou então o Senado – instituição responsável por julgar ministros do Supremo e o procurador-geral por crime de responsabilidade – entrará em ação, deflagrando uma disputa entre as instituições. Seria o pior dos cenários”. Mas será que o Senado vai mesmo agir? Tenho dúvidas.
O Estadão faz um apelo: “Roga-se aos ministros que ainda colocam a instituição acima de seus interesses pessoais que manifestem sem medo seu horror diante do colapso moral que ameaça o STF”. O jornal conclui: “A sobrevivência moral do STF como o conhecemos desde 1988 depende hoje da capacidade de seus ministros de provar à Nação que sabem o que significa proteger um dos seus e proteger a instituição”. Mas há ministros suficientes no STF com essa visão?
Enquanto isso, Lula e Janja recebem o ator Leonardo DiCaprio. Talvez seja bem simbólico: o Brasil lulista está prestes a afundar como o Titanic. Mas os ministros e senadores estarão gargalhando, pois somente eles parecem ter acesso ao barco salva-vidas...

Rodrigo Constantino é economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja, O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.




