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Muitos só condenam a malandragem por falta de oportunidade de ser malandro também
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Numa reportagem investigativa que é a essência do jornalismo, e também o motivo pelo qual políticos costumam detestar a imprensa, a BBC Brasil trouxe uma revelação de um emprego que Eduardo Bolsonaro ocupou quando tinha apenas 18 anos e acabara de entrar para a faculdade de Direito. Eis um trecho:

Aos 18 anos, três dias após ser aprovado para o curso de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Eduardo Bolsonaro foi nomeado para um cargo comissionado de 40 horas semanais na liderança do então partido do pai na Câmara dos Deputados, o PTB, comandado por Roberto Jefferson.

Com a contratação, o filho 03 do presidente entrava com o pé direito em um mercado de trabalho marcado naquele ano por índice recorde de desemprego.

Por um ano e quatro meses, o calouro de Direito ocupou um cargo que pagava o equivalente a R$ 9,8 mil por mês, em valores atuais, um rendimento maior que o de 98% dos brasileiros.

A regra que proíbe o nepotismo, e assim impede a contratação de parentes de políticos, só viria cinco anos mais tarde.

Mas, segundo as normas da Câmara dos Deputados vigentes à época, o posto foi ocupado de forma irregular. Só poderia ter sido preenchido por alguém que desse expediente no Congresso, já que esse tipo de cargo tem "por finalidade a prestação de serviços de assessoramento aos órgãos da Casa, em Brasília. Desse modo, (os servidores) não possuem a prerrogativa de exercerem suas atividades em outra cidade além da capital federal".

Aos 18 anos, eu estudava Economia na PUC-RJ e estava prestes a virar estagiário de análise de empresas num banco de investimentos. Eduardo Bolsonaro mentiu, com o intuito de assassinar minha reputação, afirmando que eu era o responsável pela análise econômica do banco, que faliu depois. Já ele, com idade semelhante, estava numa boquinha estatal...

Enquanto cursava Direito no Rio, Dudu descolou um carguinho no partido do pai, então deputado, em Brasília, para função que exigia presença física. Era só um esquema. Hoje o pai é presidente da República e o indicou para a embaixada americana. Ainda é só esquema, já que Eduardo não tem nenhuma qualificação para ser embaixador, mas houve upgrade. Filé mignon é isso! E bem que Jair disse que, para seus filhos, dava do melhor mesmo.

O problema, claro, é dar benesses com os recursos estatais. E a turma bolsonarista ainda vem defende-lo! Você aponta um esquema de um político, servidor do povo, mostra que a postura continua a mesma, só que o cargo oferecido melhorou, e o gado vem dizer que é a coisa mais normal do mundo, ou então que você tem inveja (tudo é isso para esse pessoal com pouca imaginação e com muita projeção).

Eis o problema: muitos no Brasil só condenam os malandros e a malandragem por pura falta de oportunidade de ser um malandro também! Os desvios éticos só são problema nos outros. Bolsonaro veio para mudar tudo isso, disseram. Mas quem vai resistir à tentação de usar o poder estatal para colocar o filho na sombra?

Ou talvez não seja molezinha... um bolsonarista, daqueles com nome cheio de números no final do perfil, comentou: "Estranho que muitos acham que ser embaixador é a sétima maravilha do mundo. Eu preferiria no lugar dele continuar como deputado que aqui TEM MUITO MAIS VANTAGEM tanto em termos financeiros como políticos. Ou seja talvez esse filé não seja suculento como estão achando".

Claro, ele está obcecado com o cargo, mobilizando a tropa toda e muitos recursos públicos para convencer senadores, por puro altruísmo, patriotismo, indo para o sacrifício pessoal em prol da nação! Talvez essa seja a tal "nova era": a mesma mamata de sempre, só que sob o manto do nacionalismo purificador...

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