O Brasil não é para amadores
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Por Riccardo Sanches, publicado pelo Instituto Liberal

A economia brasileira acaba de sair de sua pior década de crescimento desde 1900. Um cálculo feito por Roberto Macedo, que foi ex-secretário de Política Econômica e presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostra que a variação média do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no Brasil entre os anos de 2010 e 2019 foi de 1,39%. É a menor taxa das últimas 12 décadas, puxada para baixo por dois anos de recessão (2015 e 2016) e uma recuperação tímida desde então. Não obstante, na década anterior, iniciada em 2000 e finalizada em 2009, a taxa média de crescimento foi dois pontos percentuais mais alta, de 3,39%.

É preciso entender que o governo não pode enriquecer as pessoas, mas pode perfeitamente empobrecê-las. São praticamente 20 anos de história em que o Estado brasileiro é incapaz de criar um ambiente favorável para o desenvolvimento econômico do país.  São anos de uma atmosfera política turbulenta e instável, desrespeito a contratos, insegurança jurídica, política monetária desequilibrada, déficits orçamentários, além da complexa burocracia e alta carga tributária.

Quando empreendedores decidem investir, estão correndo riscos e esperam enriquecer em decorrência disso. No entanto, se o ambiente econômico e político não for favorável, o preço a ser pago será muito alto e esses empreendedores serão desestimulados e seus investimentos não ocorrerão. Por isso digo: o Brasil nunca foi para amadores. A situação caótica se mantém até os dias de hoje e o brasileiro vê os anos se passarem e sua riqueza se esvaindo junto com o tempo.

O modelo intervencionista, que impera hoje no Brasil, por muitos é tido como essencial, principalmente para que o Estado consiga reduzir as desigualdades entre as pessoas. O que esses muitos não entendem é que, ao intervir na economia, o Estado distorce a força motriz da mesma, que é a vontade do consumidor. O Estado é o responsável por garantir, acima de tudo, a liberdade do indivíduo, a vida (segurança) e a propriedade privada. Desde que eu me lembre, essa é uma das últimas prioridades do Estado brasileiro. Em resumo: não conseguimos fazer o básico!

O país precisa seguir um caminho de mudança e prosperidade para que atraia novamente investimentos. É necessário criar mais incentivos ao empreendedorismo. Um ajuste fiscal rigoroso atrelado à redução da carga tributária. É preciso uma reforma política e consequente redução do tamanho do Estado, corte de gastos e de privilégios. Tem-se que acabar com o Estado grande, intervencionista e ultra-regulador e transformá-lo no Estado pequeno e garantidor das liberdades individuais. Só assim o Brasil começará a restituir um mínimo de confiança e credibilidade para que caminhemos para um futuro de maior abundância.

*Riccardo W. Sanches Mocelin é Associado Alumni do Instituto Líderes do Amanhã. 

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