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Rodrigo Constantino

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O confinamento e a escalada do poder estatal tendem a destruir as vidas que prometem salvar

  • PorJuliano Oliveira
  • 09/04/2020 11:08
O confinamento e a escalada do poder estatal tendem a destruir as vidas que prometem salvar
| Foto:

Por Juliano Oliveira, publicado pelo Instituto Liberal

Políticos estão sempre muito preocupados com o curto prazo e, como consequência, com o seu capital político. É por essa razão que atribuir a políticos a responsabilidade por resolver problemas de grande impacto e complexidade como o que enfrentamos agora é uma atitude, no mínimo, imprudente. Quando Hoppe descreveu em seu livro Democracia: o deus que falhou que o monarquismo absolutista é uma forma mais avançada de governo que a democracia representativa, Hoppe estava dizendo que no regime monárquico o rei era proprietário de todas as terras e riquezas que governava e que espoliar despreocupadamente o setor produtivo da sociedade não era uma opção, já que uma ação dessa monta tenderia a destruir suas possibilidades de ganhos financeiros futuros. O pensamento de longo prazo, portanto, ditaria as ações mais acertadas. Nas palavras de Hoppe, “na condição de proprietário privado do governo, é  do seu interesse parasitar uma economia cada vez mais pujante, produtiva e próspera, porque isso também incrementaria – sempre e sem qualquer esforço da sua parte – as suas próprias riquezas e a sua própria prosperidade”.

Numa democracia representativa, apontou Hoppe, a visão de curto prazo, imediatista, faria o Estado tornar-se obeso por não haver nenhuma preocupação com ganhos futuros. Por se tratar de um governo temporal, uma economia pujante não representaria um aumento de riquezas dos políticos da vez, o que acenderia um sinal verde para gastos desenfreados e aumentos de impostos.

Não é meu objetivo, aqui, apontar ou sugerir qual o melhor sistema de governo. Quero lançar mão das lições de Hoppe para discutir algumas questões de extrema importância para a nossa atualidade. O que é mais importante diante de situações de calamidade pública geradas por uma pandemia? Qual a decisão política mais acertada? Salvar vidas no curto prazo e, no longo, destruir outras milhares ou permitir que vidas se percam no curto prazo para que milhares sejam salvas no futuro? Embora pretenda fazer uma abordagem econômica da situação, optei por não fazer referência ao termo “economia” ao colocar essas indagações pelo simples e óbvio fato de rejeitar a hipótese de que há uma dicotomia entre vida e economia.

No curto prazo, pensando apenas em seu capital político e jogando para o longo prazo as consequências nefastas de suas decisões equivocadas, preocupados com a exposição da realidade que sempre esconderam em suas falsas campanhas políticas quando prometeram a todos saúde universal, gratuita e de qualidade, governadores e prefeitos das diversas regiões do país têm optado por confinar pessoas em suas casas (sob pena de punição aos moldes de uma ditadura bolivariana aos que ousam desobedecer às ordens ditatoriais) para evitar a propagação do famigerado coronavírus.

A questão é que o cobertor é curto. Não é possível obrigar pessoas a ficarem em casa sob a mira de uma arma e, a um só tempo, salvá-las da crise econômica provocada por essa decisão apressada e politiqueira. Confinar pessoas em casa e determinar que não devem trabalhar, abrir seus estabelecimentos ou exercer atividades que não sejam essenciais (aliás, quem dita o que é ou não essencial?) é algo que que tem provocado sérias indagações nas pessoas de bom senso, que desejam a liberdade de tomar suas próprias decisões para maximizar a sua satisfação pessoal.

Entregar nas mãos do Estado, portanto, a tarefa de definir quem deve ou não ficar em confinamento é uma atitude bastante semelhante à adotada pelo regime socialista de governo, noutras palavras, o que temos visto no Brasil atual é uma escalada do estatismo e do poder ditatorial praticado por políticos sob a anuência e até mesmo aprovação de uma fração significativa da população que possui renda e emprego supostamente garantidos e que faz questão de fiscalizar se seus concidadãos estão, ou não, obedecendo às ordens dos burocratas.

Citando Ludwig von Mises, não existe liberdade fora da liberdade econômica. “Infelizmente, muitos de nossos contemporâneos são incapazes de perceber quais seriam as consequências de uma mudança radical nas condições morais do homem, da ascensão do estatismo e da substituição da economia de mercado pela onipotência do estado. Eles são iludidos pela ideia de que prevalece um dualismo bem definido nas relações do homem. Eles creem que é possível separar, de um lado, toda a esfera das atividades econômicas e, de outro, toda a esfera das atividades consideradas não econômicas. E entre essas duas esferas, creem eles, não há qualquer conexão. A liberdade que o socialismo abole é “apenas” a liberdade econômica, enquanto que a liberdade em todas as outras questões permanece intocada”. Profético.

Parece que Mises estava tentando ensinar algo de muita importância aos cidadãos brasileiros deste tenebroso período do ano de 2020. Há, segundo grande parte da nossa sociedade, motivos que justificam a interferência da mão pesada do estado na economia com o objetivo nobre de proteger vidas. Até mesmo multas contra os empresários que ousam utilizar seu ambiente privado para atender clientes que desejam consumir seus produtos de forma totalmente voluntária e espontânea parecem estar recebendo a aprovação calorosa de quem, em tese, está lutando conta um mal maior.

Desconsiderando por completo a liberdade individual de escolha, os defensores do confinamento imposto pelo aparato de coerção estatal estão ignorando todas as milhares de vítimas que estão produzindo. Não falo de números apenas, como querem fazer parecer os que chamam de insensíveis aqueles que se preocupam com as questões que, em tese, pertencem exclusivamente ao campo da economia. Falo de pessoas.

A imprensa parece se deliciar com os números cada vez maiores de contaminados pelo COVID 19. A histeria e o pânico, afinal, vendem bem. O que a própria imprensa e as pessoas que apoiam a interrupção forçada das atividades produtivas estão esquecendo de apontar é que toda essa restrição imposta pelos governadores e prefeitos é inconstitucional, conforme aponta o advogado Rafael Rocha Filho em artigo que pode ser lido aqui. Estão deixando de lado, também, que em situações de extrema miséria, como a que surge no horizonte, o número de suicídios, pessoas com depressão, criminalidade, mortes por doenças comuns, já conhecidas, tendem a ser a regra.

Empresas fechadas não têm receita, o óbvio ululante. Sem receita não há renda para fornecedores, empregados e, até mesmo, para o próprio Estado. Não havendo receitas provenientes de impostos, portanto, vai faltar dinheiro para salvar pessoas acometidas por doenças cujos tratamentos já são dados como certos, vai faltar dinheiro para o combate à criminalidade e não haverá contingente de segurança pública, enfim, que possa proteger toda a população contra saques promovidos por pessoas cujos rendimentos proporcionados pelo livre mercado lhes foram violentamente arrancados.

Por fim, vale uma pergunta provocativa. Não raro ouço pessoas me contraporem utilizando o argumento de que minha preocupação com a economia ignora por completo a importância das vidas que podem ser ceifadas por essa pandemia. Poderia eu devolver a argumentação dizendo que a vida no longo prazo não tem qualquer importância para meus interlocutores?

14 COMENTÁRIOSDeixe sua opinião
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Comentários [ 14 ]

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  • R

    Ricardo Augusto Moreira da Silva

    ± 0 minutos

    Mais uma.vez excelente, uma pena não poder compartilhar. Muitas pessoas necessitam ler seus artigos Rodrigo.

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    • M

      Marto Nunes Apolinário

      ± 23 horas

      Excelente, não se pode dividir a economia do cotidiano das pessoas, é intrisico da civilização, fora disto é a barbarie eo caos.

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      • D

        Déborah Schneid Pinto

        ± 1 dias

        Concordo! Parabéns!

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        • J

          JULIO CESAR DA SILVA

          ± 1 dias

          É depressivo imaginar que iremos ficar quatro meses em casa para mitigar os efeitos da pandemia! Na verdade, acredito que tal forma de isolamento prolongado por tempo gigantesco e sem previsão de término é mais prejudicial que a doença ,pois estamos a quase dois meses parados e as autoridades políticas não conseguiram de organizar para combater a epidemia e colocam como única solução o isolamento social indefinido! Sem outra medida fatalmente as pessoas não suportarão ficar em casa e terão que lutar pela vida, os governos devem criar outras alternativas fora aquela do isolamento social indefinido, pois nem todos recebem os salários e os benefícios que a nata dos agentes políticos recebem!

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          • J

            JULIO CESAR DA SILVA

            ± 1 dias

            É depressivo imaginar que iremos ficar quatro meses em casa para mitigar os efeitos da pandemia! Na verdade, acredito que tal forma de isolamento prolongado por tempo gigantesco e sem previsão de término é mais prejudicial que a doença ,pois estamos a quase dois meses parados e as autoridades políticas não conseguiram de organizar para combater a epidemia e colocam como única solução o isolamento social indefinido! Sem outra medida fatalmente as pessoas não suportarão ficar em casa e terão que lutar pela vida, os governos devem criar outras alternativas fora aquela do isolamento social indefinido, pois nem todos recebem os salários e os benefícios que a nata dia agentes políticos e

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            • C

              Carolina Agostinho Martinez

              ± 1 dias

              Maravilhoso! Libera para eu mandar para todo mundo!

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              • E

                Eden Lopes Feldman

                ± 1 dias

                Excelente análise da realidade. O fato é que a grande maioria dos políticos tomou estas atitudes de verdadeiro confinamento por temerem a opinião pública que sabe que o sistema de saúde é precário e o sistema político é caríssimo, com seus cargos e mordomias. Por isto, preferem usar um contexto de pavor e imposições para tentar ocultar a situação gerada por anos em um país corrupto, com escolhas erradas como construir estádios preterindo hospitais e um extenso cabide de empregos público. Com a chegada de Bolsonaro, a grande maioria dos políticos aproveitaram esta chande única para conservar seu status. Em um sistema político caótica que tem um presidente de câmara com 74 mil votos.

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                • M

                  MIRIAM RITA MORO MINE

                  ± 1 dias

                  Parabéns.

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                  • C

                    Carlos Costa

                    ± 2 dias

                    Finalmente alguém para lembrar que não é só o vírus que mata. Crises econômicas também matam. Mas, tem uma diferença que explica bem porque a maior parte da imprensa esquece disso. O vírus mata pessoas de todas as classes sociais. Crises econômicas matam, majoritariamente, pobres.

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                      Rita Lina

                      ± 2 dias

                      Parabéns. Alguém pensa como eu. Grata! Aguardo mais artigos como esse.

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                      • R

                        Robson La Luna di Cola

                        ± 2 dias

                        É çzó imprimí dinhêru, cumpanhêru!

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                        • M

                          Maquiavel

                          ± 2 dias

                          Defendo está mesma tese do autor!

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                          • A

                            Alberto Franklin de Alencar Milfont

                            ± 2 dias

                            Sem dúvida, o artigo mais sensato que li nos últimos tempos. Que venham outros!!!

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                            • A

                              ATTILIO SALVADOR MELLUSO FILHO

                              ± 2 dias

                              Foi um dos artigos mais coerentes que já li na Gazeta

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