O programa “Saideira”, conhecido por sua abordagem cultural, recebe esta semana o colunista da Gazeta do Povo Rodrigo Constantino. Numa conversa que vai muito além do debate político, Constantino abre o coração sobre o período mais desafiador de sua trajetória: a luta contra um câncer.
Recebido pelos anfitriões Francisco Escorsim, Omar Goddoy e Paulo Polzonoff Jr., Constantino (carinhosamente chamado de “Consta”) apresenta seu novo livro, “Não Tema a Tempestade”, uma obra que ele define não como autoajuda, e sim como um diário pessoal de “automedicina” e descoberta espiritual.
Fuga da vida
O livro nasceu da necessidade de registrar emoções e pensamentos diante da “bomba” do diagnóstico. Constantino descreve o livro como um processo de se desnudar, expondo vulnerabilidades que raramente aparecem em suas colunas diárias. Durante a entrevista, ele compartilha momentos de intensa emoção. Para o Consta, o sofrimento não pode ser em vão; deve servir para transformar o indivíduo em alguém mais grato pelos pequenos milagres cotidianos, como o calor de um banho ou um pôr do sol.
Um dos pontos altos da conversa é a reflexão sobre como a política se tornou uma obsessão tribal no Brasil, funcionando muitas vezes como uma “fuga da vida”. Constantino admite que, embora o despertar político da população seja positivo, o fanatismo e o comportamento de “nós contra eles” empobrecem o debate adulto. Além disso, ele contrasta sua persona combativa nas redes sociais com a do homem afável e tranquilo que é na vida privada.
Fé e medo
A espiritualidade ocupa um papel central nesta nova fase. Ao longo de uma hora de conversa, Constantino detalha seu retorno ao catolicismo, um movimento iniciado antes mesmo da iminência da morte, mas consolidado pela necessidade de serenidade para enfrentar o destino. Ele revela que suas leituras migraram da economia e filosofia objetiva para obras religiosas e filmes inspiradores, buscando entender as questões essenciais da existência.
A conversa também explora o uso do medo como ferramenta de controle político e a importância de domá-lo. Citando o economista Thomas Sowell, Constantino defende que “não existem soluções, apenas tradeoffs” (trocas), uma visão que impede o homem adulto de cair em contos de fadas ou de idolatrar figuras políticas como “mitos”. Por fim, ele aconselha que, diante da tempestade institucional brasileira, as pessoas não ignorem a realidade, mas que busquem olhar “para cima, para dentro e para o lado”, valorizando a família e os amigos.
Convite
O episódio termina com uma nota de humanidade que transcende ideologias: o contato de Constantino com sua doadora de medula, uma jovem europeia de 24 anos. A possibilidade de ela ter visões políticas opostas às dele foi encarada com serenidade e bom humor.
Para o leitor da Gazeta do Povo, este episódio do “Saideira” é um convite irresistível para conhecer o homem por trás do polemista, que nos oferece uma lição de fé, gratidão e a coragem – virtudes necessárias para não apenas sobreviver à tempestade, e sim ser transformado por ela.



