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Da Barra Sul ao Bairro da Barra

Balneário Camboriú quer ponte entre bairros para desafogar gargalo histórico do trânsito

Ligação sobre o Rio Camboriú deve criar uma segunda rota entre a Barra Sul e o Bairro da Barra, mas obra ainda depende de projeto executivo, estudos de tráfego, licenciamento e definição de custos
Ligação sobre o Rio Camboriú deve criar uma segunda rota entre a Barra Sul e o Bairro da Barra, mas obra ainda depende de projeto executivo, estudos de tráfego, licenciamento e definição de custos. (Foto: Marcos Brito/Prefeitura de Balneário Camboriú)

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Balneário Camboriú aposta em uma nova ponte sobre o Rio Camboriú para desafogar um gargalo histórico de trânsito, que se agrava na alta temporada, em feriados e nos horários de pico.

A ligação, ainda em fase de anteprojeto, deve conectar a Barra Sul ao Bairro da Barra e criar uma segunda rota entre as duas regiões — hoje unidas, para quem está de carro, apenas por um percurso mais longo pelas marginais.

A proposta integra o componente Vias da Integração do Projeto de Mobilidade Integrada Sustentável da Região da Foz do Rio Itajaí (Promobis), programa coordenado pelo Consórcio Intermunicipal Multifinalitário da Associação dos Municípios da Região da Foz do Rio Itajaí (Amfri), que reúne 11 municípios da região e é estruturado com financiamento do Banco Mundial.

Como será a obra 

A ponte deve ficar nas proximidades da Rua 4400, na Barra Sul, cruzando o Rio Camboriú até o Bairro da Barra. O anteprojeto prevê três faixas: duas pistas no sentido Barra Sul–Barra e uma pista para veículos de emergência e serviços essenciais no caminho contrário, destinada ao transporte coletivo e a veículos essenciais, como ambulâncias, viaturas policiais e caminhões de emergência.

A configuração do fluxo foi pensada para o deslocamento desses serviços sem transformar a estrutura em um novo corredor de entrada de automóveis para a Barra Sul, uma das áreas mais pressionadas da cidade. Segundo o secretário interino de Planejamento e Desenvolvimento Urbano de Balneário Camboriú, Olnear Ortis Ceccatto, o desenho segue uma escala de prioridades.

Simulação mostra o traçado preliminar da ponte entre a Barra Sul e o Bairro da Barra, com duas faixas para veículos em um sentido e uma faixa exclusiva para transporte público no retornoSimulação mostra o traçado preliminar da ponte entre a Barra Sul e o Bairro da Barra, com duas faixas para veículos em um sentido e uma faixa exclusiva para transporte público no retorno (Foto: Divulgação/Prefeitura de Balneário Camboriú )

“A obra prioriza a mobilidade das pessoas, seguindo uma hierarquia que considera, primeiramente, pedestres e ciclistas, a mobilidade ativa e o transporte coletivo e, posteriormente, os deslocamentos por automóveis”, explica Cecatto.

Projeto em fase inicial deixa perguntas em aberto

A prefeitura ainda não tem valor estimado para a ponte. O município informou que cerca de US$ 38 milhões estão previstos para o pacote de intervenções de Balneário Camboriú dentro do Promobis, mas o montante abrange um conjunto amplo de obras e serviços: novos corredores viários, outras pontes, viaduto, passagens inferiores na BR-101, ciclovias, drenagem, pavimentação, requalificação de vias, execução de passeios, elaboração de projetos e licenciamentos ambientais.

“Somente após a conclusão dos projetos será possível detalhar as intervenções e estabelecer, com maior precisão, o custo específico”, explica o secretário interino. Segundo o município, a etapa seguinte prevê a contratação de empresa especializada para desenvolver os projetos, os estudos de mobilidade e tráfego e os licenciamentos ambientais.

Há ainda um passo anterior a tudo isso: o Promobis está na fase final de tramitação para efetivar o contrato de financiamento junto ao governo federal e ao Banco Mundial. Por isso, segundo a prefeitura, não existe cronograma executivo consolidado.

O desafio de cruzar o rio sem afetar o entorno

Outro ponto previsto no estudo é a altura da estrutura sobre o Rio Camboriú. A intenção é que a ponte mantenha uma altura semelhante à da ponte da BR-101, permitindo a passagem de embarcações e evitando impactos nas atividades náuticas da região — hoje um uso consolidado no trecho, onde funciona uma marina e circulam barcos de turismo e de pesca.

Coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo da UniAvan, Carlos Vinicius Bortolato aponta que esse gabarito atenderia à navegação atual sem criar barreira no rio. "Seria o ideal, seguindo o fluxo que já temos ali na marina, pelas embarcações para pesca e passeio", diz.

A definição, porém, não está fechada. Segundo a Secretaria de Planejamento Urbano, a altura e as demais dimensões serão estabelecidas durante a elaboração dos projetos, conforme normas técnicas, estudos e condições de navegabilidade do rio.

Bortolato alerta para a preservação da mata ciliar remanescente como o principal aspecto ambiental a ser observado no projeto. O trecho onde a ponte deve ser construída ainda guarda vegetação às margens do rio Camboriú e abriga uma pequena ilha, além de concentrar colônias de pescadores que dependem diretamente do rio. Na avaliação dele, a obra não deverá afetar a ilha, mas o convívio com a atividade pesqueira e com os moradores tradicionais precisa ser tratado como parte do projeto, não como consequência dele.

Esse cuidado se soma às restrições urbanísticas do próprio Bairro da Barra, cujo núcleo tradicional é protegido por legislação municipal que limita construções e alterações nas características arquitetônicas locais. "É uma região que combina uso náutico, patrimônio e comunidade pesqueira", aponta o professor, lembrando o que torna o desenho da travessia mais sensível do que em outras áreas da cidade.

Obra amplia opções, mas não resolve tudo

Para o arquiteto, a nova ligação atende a uma demanda que não é só da alta temporada de verão. Ele avalia que Balneário Camboriú perdeu a característica de concentrar movimento apenas na temporada e que a pressão sobre o sistema viário se repete nos horários de pico ao longo do ano todo.

Ele explica que quem sai da Barra Sul em direção ao Bairro da Barra precisa alcançar a marginal, atravessá-la e usar outro viaduto para completar o trajeto. O especialista pondera, no entanto, que a estrutura não deve ser tratada como resposta definitiva ao congestionamento.

“Não soluciona, mas ajuda bastante. Os moradores terão duas opções para chegar ao Bairro da Barra. Hoje, têm só uma”, diz. Na avaliação dele, a conexão também tende a favorecer o transporte coletivo ao encurtar percursos entre os dois lados do rio.

Bortolato destaca ainda que a passarela existente na região — apenas para pedestres, ciclistas e motociclistas — e a futura ponte cumpririam funções complementares. “A passarela tem uso mais turístico, ainda que sirva à mobilidade, e obriga ciclistas e motociclistas a usar elevador. A nova travessia seria um equipamento mais ágil para o deslocamento cotidiano”, diz.

Ponte retoma expectativa de quatro décadas

A expectativa em torno da obra não é recente. O Bortolato relata que a ligação é desejada há pelo menos quatro décadas por moradores da região, que já dependeram de balsa para cruzar o rio, e que chegou a existir uma estrutura preparada para uma ponte que nunca foi executada.

A administração municipal afirma que a travessia não é um esforço avulso. “A Ponte Barra Sul–Barra não é uma solução isolada”, afirma Ceccatto, ressaltando que a intervenção integra o novo Plano de Mobilidade Urbana de Balneário Camboriú, e a cidade já tem empresas contratadas para desenvolver projetos de outra ponte, além de novas vias, acessos e respectivos licenciamentos ambientais em diferentes regiões.

“É uma obra que precisa ser compreendida como uma das peças de um conjunto maior de intervenções destinadas a preparar a mobilidade de Balneário Camboriú para as demandas atuais e futuras da cidade e da região”, conclui o secretário interino.

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