
A Câmara de Balneário Camboriú aprovou o Projeto de Lei Complementar 2/2026, que autoriza a construção de prédios de até 150 metros de altura em corredores nos bairros. A medida visa descentralizar o desenvolvimento urbano e financiar obras de infraestrutura com recursos de construtoras.
O que muda com a nova lei de zoneamento na cidade?
A principal mudança é o fim da exclusividade dos grandes arranha-céus na orla e no Centro. Agora, corredores de desenvolvimento nos bairros poderão receber torres de 120 a 150 metros de altura, desde que os terrenos sejam maiores. Além disso, a lei exige recuos de 10 metros nas ruas para a criação de calçadas mais largas e ciclovias, tentando melhorar a relação entre os prédios e os pedestres.
Como a prefeitura vai arrecadar dinheiro com a verticalização?
A estratégia utiliza a 'outorga onerosa', que é uma contrapartida financeira paga pelos construtores para edificar acima do limite básico permitido. O município pretende usar esses recursos para obras essenciais, como a reurbanização da Praia Central, o prolongamento da Avenida Martin Luther e a melhoria dos acessos viários. Ou seja, os novos prédios altos nos bairros vão ajudar a pagar a estrutura pública da cidade.
O que é o zoneamento excepcional e quais as suas regras?
É uma regra que permite prédios muito altos em lotes grandes em troca de benefícios para a comunidade. Nessas áreas, a torre só pode ocupar 30% do terreno. Os outros 70% devem ser mantidos como áreas abertas ao uso público ou coletivo, como praças, lojas e jardins. O objetivo é evitar que os bairros fiquem sufocados por concreto, garantindo espaços de convivência e 'corredores verdes'.
A verticalização nos bairros pode baixar o preço dos imóveis?
Especialistas acreditam que o aumento da oferta de apartamentos pode, em tese, ajudar a segurar os preços. No entanto, levar infraestrutura e serviços para áreas antes menos valorizadas tende a elevar o valor de mercado desses locais. Para tentar equilibrar o cenário, a prefeitura prometeu enviar à Câmara uma legislação específica focada em moradia acessível nas próximas semanas.
Por que especialistas consideram que Balneário Camboriú terá 'duas cidades'?
O novo microzoneamento consolida a separação entre a cidade antiga (da orla e do Centro) e uma nova cidade nos bairros. Segundo urbanistas, o plano atual foca mais no morador do que no turista. Ao levar serviços para onde as pessoas moram, reduz-se a necessidade de deslocamentos longos, o que desafoga o trânsito e cria centros locais de comércio e lazer fora da orla marítima.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.









