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Suspeita de maus-tratos

Depois do caso Orelha, polícia apura crime em morte de cão comunitário em Balneário Camboriú

Cão Maninho, que vivia na Praia do Estaleiro, em Balneário Camboriú, morreu após uma semana internado com ferimentos graves, e a Polícia Civil apura o episódio como suspeita de maus‑tratos.
Cão Maninho, que vivia na Praia do Estaleiro, em Balneário Camboriú, morreu após uma semana internado com ferimentos graves, e a Polícia Civil apura o episódio como suspeita de maus‑tratos. (Foto: Patrícia Ferreira/Divulgação Prefeitura de Balneário Camboriú)

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Meses após a morte do cão comunitário Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis, ter levado Santa Catarina a revisar regras de proteção animal, um novo caso de violência contra um cão comunitário é investigado no estado. O cão Maninho, que vivia na Praia do Estaleiro, em Balneário Camboriú, morreu após uma semana internado com ferimentos graves, e a Polícia Civil apura o episódio como suspeita de maus‑tratos.

Segundo a prefeitura, o animal desapareceu em 29 de maio junto com a cadela Maninha e foi localizado horas depois graças à tag de rastreamento que os dois carregavam. Ela foi encontrada sem sinais de agressão na praia e encaminhada à ONG Viva Bicho, parceira do município; ele apareceu às margens da BR‑101, gravemente ferido, foi levado a uma clínica veterinária particular, passou por cirurgia, mas não resistiu.

Em nota oficial, o município informou que acompanha a apuração e reforçou que denúncias de maus‑tratos podem ser feitas pelo telefone 153, da Guarda Municipal. Em publicação nas redes sociais, a prefeita Juliana Pavan (PSD) afirmou que “não há nada mais justo do que buscar respostas concretas para o que aconteceu com o Maninho” e cobrou a identificação e responsabilização dos envolvidos.

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Animais comunitários têm proteção prevista em lei

A Lei Municipal 4.436/2020 reconhece cães e gatos comunitários como animais que vivem em espaços públicos e recebem cuidados de moradores, garantindo alimentação, abrigo, água e assistência veterinária. Segundo a prefeitura, Maninho e Maninha integram o cadastro de cães comunitários acompanhados pelo município na região do Estaleiro.

A administração também destacou que o Departamento de Proteção Animal passou a monitorar a situação dos dois animais desde o desaparecimento e acionou a Guarda Municipal para auxiliar nas buscas. Após a morte de Maninho, a prefeitura afirmou que os órgãos de proteção animal do município tratam o episódio como prioridade e que seguem em contato com a Polícia Civil sobre o andamento das investigações.

Antes do óbito, ativistas acompanhavam a batalha de Maninho pela vida. Em vídeo publicado nas redes sociais, a protetora Patrícia Ferreira relatou que, de um dia para o outro, o estado do cão piorou: “a infecção avançou de forma agressiva, e os músculos começaram a necrosar”, contou ela.

A ONG Viva Bicho explicou que “devido à grande quantidade de edemas pelo corpo e necrose” o animal precisou passar por uma nova cirurgia de emergência e teria até que amputar uma das patas, mas “infelizmente no final do procedimento não resistiu”. Patrícia questionou as circunstâncias do desaparecimento.

“Tudo o que aconteceu com ele não tem relação com os animais nem com o fato de ser um animal comunitário. O que aconteceu foi resultado da maldade e da crueldade humana”, afirmou, destacando que o animal foi levado para longe da praia durante a madrugada. Segundo ela, Maninho e Maninha “nunca saíram à noite sozinhos para fora de sua área”.

Mobilização e cobrança por respostas

A morte do cão Maninho levou ativistas a convocar uma manifestação por justiça na Praia do Estaleiro, no último dia 7. O ato foi organizado pelo movimento "Santa Catarina contra maus‑tratos", liderado por Vinicius Ramos, que chamou moradores e protetores para um protesto pacífico em frente à casinha de salva‑vidas.

Ele relata que o cão foi “agredido, com suspeita de facadas”, antes de ser encontrado às margens da rodovia. “Não vamos descansar até que a verdade apareça e os responsáveis sejam identificados e punidos”, afirmou, ressaltando que o caso extrapola a proteção animal. “Não podemos aceitar que um animal seja torturado, agredido e descartado como se sua vida não tivesse valor”.

Maninha, que desapareceu na mesma noite e foi localizada ilesa, permanece sob os cuidados da ONG Viva Bicho, que mantém convênio com o município para acolher animais resgatados. Segundo a entidade, a cadela “está segura, sendo muito amada e mimada e tem muitos 'aumigos' novos”.

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Do caso à Lei Orelha em Santa Catarina

Em Florianópolis, a morte do cão comunitário Orelha, na Praia Brava, em janeiro, gerou repercussão nacional e motivou a abertura de inquéritos por maus‑tratos contra adolescentes suspeitos. A investigação foi marcada por controvérsias e terminou, meses depois, com o Ministério Público de Santa Catarina pedindo o arquivamento do caso, após laudos periciais concluírem que não havia provas de agressão e apontarem causa clínica para o óbito.

O episódio impulsionou uma reação legislativa no estado. A Assembleia Legislativa aprovou o Projeto de Lei 10/2026, conhecido como Lei Orelha, que altera o Código Estadual de Proteção aos Animais para responsabilizar diretamente pais, tutores ou responsáveis legais quando menores praticarem maus‑tratos, dobrar o valor das multas em casos de lesão grave e triplicá‑las quando houver morte do animal. A proposta também prevê agravantes específicos em situações de crueldade extrema.

Paralelamente, o deputado estadual Mário Motta (PSD) anunciou ter reunido as assinaturas necessárias para instalar uma CPI destinada a analisar eventuais inconsistências na investigação da morte de Orelha. Segundo ele, a comissão pretende revisar a atuação dos órgãos responsáveis pelo inquérito, do momento da coleta de provas até o pedido de arquivamento apresentado pelo Ministério Público.

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