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Ciência

Estudo descobre forma de prever riscos em gestantes com doenças autoimunes via teste pré-natal

Grávida realiza um ultrassom: pesquisa avança sobre teste pré-natal não invasivo.
Grávida realiza um ultrassom: pesquisa avança sobre teste pré-natal não invasivo. (Foto: EFE/Francisco Guasco)

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Um simples exame de sangue já rotineiro na gravidez, o teste pré-natal não invasivo, também pode prever quais mulheres com doenças autoimunes correm o risco de sofrer complicações como pré-eclâmpsia ou parto prematuro, de acordo com um estudo divulgado na quinta-feira (20) pelo Hospital Universitário de Louvain (Bélgica).

O teste pré-natal não invasivo, feito por meio de um simples exame de sangue materno, detecta fragmentos de DNA fetal livre circulantes para identificar anomalias cromossômicas no feto, como a síndrome de Down, sem recorrer a técnicas invasivas como a amniocentese.

O estudo, publicado na revista Science Translational Medicine, analisou 1.910 amostras de sangue do primeiro trimestre de gestações de alto e baixo risco e treinou um modelo capaz de prever, em pacientes com doenças autoimunes, quais desenvolveriam complicações, independentemente dos fatores de risco clínicos usuais.

Em vez de analisar o código genético, os cientistas analisaram o "fragmentoma": os padrões físicos, o comprimento e a origem biológica de fragmentos soltos de DNA livre que circulam no sangue de mulheres grávidas.

O estudo possibilitou prever, com uma taxa fixa de falsos positivos de 10%, entre 38% e 90% dos casos de complicações em pacientes com diferentes tipos de doenças autoimunes, dependendo da enfermidade.

O sistema funcionou mesmo em pacientes cuja doença estava clinicamente inativa e foi validado com sucesso em uma corte independente de um centro externo, disseram os autores.

"Graças a esta pesquisa sabemos com certeza que, a partir da mesma amostra de sangue coletada para o teste pré-natal não invasivo, também podemos extrair informações importantes para prever complicações na gravidez", explicou o geneticista Joris Vermeesch, autor principal do estudo, em um comunicado.

"Assim, os médicos podem intervir mais rapidamente: por exemplo, iniciar uma dose baixa de aspirina a tempo de impedir a pré-eclâmpsia (uma forma de hipertensão gestacional), administrar terapia direcionada ou encaminhar a paciente para um hospital universitário especializado", acrescentou.

Quais são os riscos em uma gravidez

Mulheres com doenças autoimunes, como lúpus, artrite reumatoide, psoríase ou doença de Crohn, apresentam maior risco de complicações durante a gravidez, incluindo pré-eclâmpsia ou parto prematuro, informou o centro médico.

Na Bélgica, 10% das mulheres grávidas sofrem de uma doença autoimune, acrescenta a instituição, e entre 1% e 5% necessitam de um acompanhamento mais rigoroso, embora até agora os médicos não conseguissem prever estas complicações com antecedência, uma vez que no início da gravidez não existem sintomas e não são detectadas em análises sanguíneas convencionais.

O Centro de Genética Humana de Leuven, afiliado ao centro médico, foi uma das instituições pioneiras na introdução e no financiamento público (reembolso pela segurança social) do teste pré-natal não invasivo, na Bélgica. Os investigadores consideram esta descoberta um passo em direção ao que a universidade denomina uma versão 2.0.

Embora a técnica ainda não seja utilizada na prática clínica, o centro médico está trabalhando para que esse método se torne um exame padrão em hospitais dentro de dois a três anos.

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