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Meio século do maior hospital do Paraná

Em 5 de agosto o Hospital de Clínicas faz 50 anos. A instituição se moderniza promovendo pesquisas reconhecidas nacional e internacionalmente

  • Dâmaris Thomazini
“O HC sempre teve carinho e atenção especiais da universidade por ser um hospital-escola. Sabemos da sua importância para o desenvolvimento de pesqui­sas e para o atendimento de saúde no Estado. Para a maioria, ele é a principal alternativa, é o plano de saúde dos mais carentes.”
Zaki Akel, reitor da UFPR |
“O HC sempre teve carinho e atenção especiais da universidade por ser um hospital-escola. Sabemos da sua importância para o desenvolvimento de pesqui­sas e para o atendimento de saúde no Estado. Para a maioria, ele é a principal alternativa, é o plano de saúde dos mais carentes.” Zaki Akel, reitor da UFPR
 
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Meio século do maior hospital do Paraná

Repousa no terceiro andar uma pequena parcela da história do maior hospital do Paraná – e também a de dois milhões de brasileiros. Este é o número de pacientes atendidos pelo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) ao longo dos seus 50 anos.O hospital armazena esses prontuários em pastas no prédio principal, inaugurado oficialmente em 5 de agosto de 1961. Mas a história do HC é vista e ouvida nos corredores de seus 15 andares, por onde circulam diariamente cerca de 11 mil pessoas. Quem melhor pode contá-la são seus funcionários – a maioria trabalha ali há mais de 20 anos, alguns desde a inauguração – e pacientes que vêm de perto ou de muito longe para formar a estatística de quase 70 mil atendimentos mensais.

Aquela incessante rotina de vai e vem de ônibus de prefeituras de outros municípios nas imediações do bairro Alto da Glória diminuiu, mas ainda existe. Hoje o volume de pacientes é bastante controlado, isso porque o HC é um dos 49 hospitais federais do país que se dedicam apenas a atendimentos de média e alta complexidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ou seja, os pacientes são recebidos no HC apenas se forem encaminhados após se consultarem em suas cidades de origem e for excluída a possibilidade de tratamento em hospitais locais. Na capital, a triagem acontece nos oito Centros Municipais de Urgência e Emergência (CMUM).

Se dedicar ao ensino e à pesquisa universitária ao longo de 50 anos fez com que o HC se tornasse referência para o Brasil e para o exterior em tratamentos contra o câncer, no transplante de medula óssea, córneas, ossos e também de fígado, em pesquisas na área de endocrinologia, neurologia, pneu­­mologia, além de realizar trabalhos modernos em células-tronco na área de cardiologia. A especialização nessas e em tantas outras áreas da Medicina e a administração pública permitem que crianças e adultos sejam atendidos por profissionais capacitados e de forma 100% gratuita.

Referência em tratamentos

Em busca desta assistência gratuita, a viagem de Loren Camila Batista Costa, 9 anos, e sua mãe Aparecida Camargo Costa em direção ao ambulatório de Síndrome de Down do HC começa às três da manhã em Telêmaco Borba, a 250 km da capital, e o retorno para o interior só acontece às 16h30. Esta é uma rotina que se repete pelo menos seis vezes por ano. Na capital ela se consulta com uma pediatra e uma psicóloga, além de atualizar sua carteira de vacinação. Desde 1997, o ambulatório é referência no tratamento da Síndrome de Down por ser o primeiro da América Latina a se dedicar exclusivamente à doença. “Por indicação da equipe do hospital, Loren começou a frequentar uma escola para crianças não-especiais este ano. Eu tinha medo do preconceito. Agora ela está mais calma e se relaciona melhor com outras crianças”, conta Aparecida.

Para ficar mais perto do tratamento de ponta contra a leucemia disponível no HC, Helen Amanda de Oliveira Santos, 6 anos, e sua família saíram de Maringá há um ano e meio e se instalaram em Curitiba. A cada 21 dias a menina precisa ficar por seis horas recebendo medicação. “A Helen começou a reclamar de dores nas pernas, tinha preguiça de andar, reclamava que o corpo doía. Pensamos que era dengue e visitamos três médicos, somente no quarto profissional consultado descobrimos que era leucemia. Então ela foi encaminhada ao HC”, conta Josilene de Oliveira Santos. Em fevereiro a menina termina o tratamento no hospital e a família pretende voltar para o interior.

Reconhecimento internacional veio com transplantes

Somente em 1979, passados 18 anos de sua inauguração, o HC iniciou o trabalho com transplantes de medula óssea (TMO) que o faria reconhecido internacionalmente. “Somos o centro que mais transplanta no Brasil e no mundo. Só neste ano fizemos cerca de 60 procedimentos com medula óssea”, explica José Zanis Neto, chefe do serviço de TMO e supervisor médico do HC.

Em 1970 foi dado o primeiro passo na área de transplantes entre familiares e em 1995 o HC fez a primeira cirurgia do Brasil e da América do Sul entre doadores sem ligação parental. De acordo com Zanis, nestes 32 anos de atividade, o número de transplantes deste tipo realizados pelo HC já passou de 2,2 mil.

Bastante sofisticado, o acompanhamento médico para a realização de um TMO custa diariamente cerca de R$ 1,5 mil por paciente e é totalmente financiado pelo SUS. No entanto, dentro de um hospital público, a excelência ainda precisa conviver com algumas carências: devido a um vazamento no forro, 10 leitos do setor de TMO foram desativados até que a situação seja solucionada. Do total, 15 seguem ocupados e atendem normalmente. Zanis garante que apesar destas dificuldades e da necessidade de mais investimentos, a qualidade dos serviços prestados pelo HC não fica atrás de grandes centros internacionais.

Banco de Ossos

Superando adversidades, o armazenamento de ossos também se desenvolveu ao longo da história e vem se tornando referência. Se na década de 1960 o material era guardado em um freezer do centro cirúrgico, em 1998 a captação e armazenamento se sofisticou e no sexto andar foi instalado o Banco de Ossos – o primeiro do Brasil aprovado pelo Ministério da Saúde, em 2000. No local, 11 freezers ficam isolados e guardam os tecidos examinados e etiquetados e também aqueles em quarentena. Uma equipe de 38 pessoas está 24 horas a postos para fazer a captação das doações e os exames laboratoriais que garantam a qualidade dos ossos recebidos.

O material captado pelo HC é utilizado em mais de cinco mil cirurgias por ano no Brasil. “Nosso trabalho é maximizar o benefício dos tecidos retirados de uma pessoa – um doador pode ajudar cerca de 200 receptores”, conta Paulo Alencar, diretor médico do Banco de Ossos e um dos responsáveis pela reestruturação do local realizada em 1995.

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