
Desde 2007, quando sofreu um enfarte, o economista José Bigão Filho recebe quase semanalmente ligações para saber como anda sua saúde. Do outro lado da linha, enfermeiras perguntam a ele dados como pressão arterial, data das próximas consultas ao médico e como ele tem cuidado da alimentação. Uma marcação de perto para evitar qualquer escorregão no controle de sua doença crônica. "Sempre mantenho os profissionais informados sobre o meu estado de saúde", garante o economista.
Bigão Filho é um dos 1,3 mil pacientes que fazem parte do Programa de Gerenciamentos de Casos Crônicos da Paraná Clínicas, uma opção para controlar doenças crônicas com disciplina. Na prática, o serviço é um acompanhamento da saúde de pacientes com complicações cardiovasculares, diabete e obesidade. Uma equipe formada por médicos e enfermeiros denominados gestores faz uma espécie de controle do comportamento de pacientes com essas enfermidades.
Segundo o coordenador do programa, o médico pediatra Carlos Roberto Mortean, o objetivo é disciplinar os cuidados com a saúde dos doentes crônicos. "Se todo mundo cuidasse por conta própria como deveria, ninguém precisaria desse programa. Como o ser humano nem sempre age assim, então a solução é colocar um gestor que vai organizar isso para o paciente", diz Mortean.
O profissional explica que o gerenciamento é fundamental para a qualidade e prolongamento da vida dos pacientes. "Diminuímos a chance de o doente ter um evento, ou seja, uma manifestação aguda da doença que pode matar", diz. "O gestor entra em contato com o paciente e pergunta se tem tomado os remédios, se a pressão está boa. Se os dados forem preocupantes, o profissional tenta resolver com o médico que faz o atendimento ou com o próprio paciente. É como pegar o doente pela mão e acompanhá-lo."
O programa foi aprovado pelo economista, de 57 anos. "Com esse gerenciamento eu melhorei muito. Recebo esse acompanhamento e fico atento ao que preciso para manter uma boa saúde, com a pressão controlada. Consulto regularmente nutricionista, fisioterapeuta e medicos", diz.



