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As decisivas 30 linhas da redação exigem técnica e atenção. | André Rodrigues/Gazeta do Povo
As decisivas 30 linhas da redação exigem técnica e atenção.| Foto: André Rodrigues/Gazeta do Povo

Uma dúvida atormenta a alma do estudante que faz o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem): qual será o tema da redação? Desde 1998, ano de criação da prova, muitos aspectos mudaram, critérios foram afinados e o processo adquiriu contornos de vestibular nacional. Mas o modelo de redação permaneceu intacto. Ela é um dos principais elementos de avaliação e, por consequência, de preocupação dos candidatos a uma vaga em ensino superior ou em busca do certificado de conclusão do ensino médio. Não ir bem na redação pode jogar fora todo o esforço do ano. “Já vi muito aluno bom fazer uma grande prova objetiva e escorregar feio na hora de exercer o domínio gramatical e a revisão textual”, entrega Bhorel Enrique Silva, professor de Redação do Curso Dynâmico.

O exame é constituído de quatro provas objetivas, contendo, cada uma, 45 questões de múltipla escolha, e a fatídica redação, que deve ter entre sete e 30 linhas. A nota varia entre zero e mil pontos.

Saiba o que faz uma redação do Enem ser nota 10

Em 2013, o Inep disponibilizou o Guia do Participante – A redação no Enem. O documento explicita critérios de avaliação e apresenta exemplos de redações que tiraram nota máxima, com comentários detalhados sobre os méritos de cada texto

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São cinco eixos de avaliação, escalonados de nível 0 a 5: domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa; compreensão da proposta de redação; seleção, relação, organização e interpretação de informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista; demonstração de conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação; e elaboração de proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.

De acordo com Cleuza Cecato, professora de Redação do Colégio Bom Jesus, é fundamental que o candidato acesse o Guia de Redação publicado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). “O estudante poderá conferir na prática os textos que tiveram nota mil e entender melhor os critérios adotados pelos corretores”, afirma.

A redação é lida por dois corretores, que não se conversam. Cada um atribui nota entre zero e 200 pontos para cada uma das cinco competências. Soma-se tudo e divide-se a nota por dois. Mas a comissão julgadora também flagra as confusões interpretativas. Caso haja discrepância entre dois corretores, suas notas totais difiram por mais de cem pontos ou se a diferença de avaliação em qualquer uma das competências seja superior a 80 pontos. Nessas situações, entra um terceiro corretor na jogada. Aí a média aritmética será feita entre as duas notas totais que mais se aproximarem, sendo descartadas as demais notas.

Temas para ficar de olho

Os professores e especialistas em redação dizem que a prova exige reflexão sobre um tema contemporâneo e um domínio amplo dos recursos da língua portuguesa. “Não podemos esquecer a forma básica que nos ensinam desde o começo de nossa alfabetização: introdução, desenvolvimento e conclusão. E ainda é preciso sair do óbvio para cativar os corretores. Até por isso, a prova foge de temas muito salientes. Dificilmente cairá um tema como o ataque ao Charlie Hebdo, por exemplo”, acredita o professor Bhorel Enrique Silva.

Desacertos

Pode acontecer de a redação do estudante não atender às exigências da banca e tomar um retumbante zero. Se o sujeito “viajou” ou nem sequer escreveu sobre o tema proposto vai ficar sem nota. Também complica se ele não apresentar texto acima das sete linhas mínimas, escrever palavrões ou tomar a liberdade de fazer desenhos no texto. O tipo candidato artista, adepto da zoeira sem limites, é bem comum. Aí não tem jeito, a redação será anulada.

O tema é sempre um enigma. Em 2014, o texto surpreendeu: a publicidade infantil no Brasil. Como apoio, o material apresentava dois textos e um gráfico. Ainda assim, é possível intuir uma certa lógica. Se lá no longínquo 2001 o Enem queria saber como o candidato conseguiria conciliar desenvolvimento econômico com preservação ambiental, nos últimos anos os temas de impacto direto na sociedade, principalmente discussões sobre ampliação de direitos do cidadão, tiveram prioridade.

“O Enem prioriza três grandes eixos: o ambiental, o comportamental e o socioeconômico. Portanto, o candidato que está acompanhando o noticiário, atualizado e exercitando o pensamento crítico pode se dar bem. Entretanto, é importante fugir da culpabilização e ser o mais propositivo possível. “Nada de querer ser o dono da verdade”, alerta a professora Cleuza Cecato.

Em 2013, o exame pediu uma redação sobre os efeitos da Lei Seca. Em 2012, o movimento imigratório do Brasil no século 21 foi a pauta. E 2015? Para Marcelo Cunha, professor de Língua Portuguesa do curso Dynâmico, a influência das novas ferramentas de comunicação no mundo contemporâneo pode ser objeto de discussão. “Cada vez mais vemos a importância das redes sociais no processo de formação política e construção do debate público. É um tema quente”, alega. O professor Wellington Wella, do Positivo, menciona o tema da acessibilidade para deficientes físicos. “Fenômenos como o discurso de ódio na internet e ataques à liberdade de expressão também podem aparecer”, completa.

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