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Ilegal

Aumentam apreensões de roupas contrabandeadas na fronteira entre Brasil e Paraguai

As lojas de roupa do país vizinho chegam a oferecer o transporte ilegal da mercadoria para o Brasil. De janeiro até agora, já passa de R$ 3 milhões o valor em produtos de vestuário retidos

Na fronteira do Brasil com o Paraguai, a Receita Federal tem notado o aumento do número de apreensões de contrabando, mas não exatamente de cigarro e nem de produto eletrônico.

As lojas de roupa do país vizinho chegam a oferecer o transporte ilegal da mercadoria para o território brasileiro.

Pra não perder a clientela, comerciantes paraguaios anunciam: compras a partir de R$ 2,5 mil são entregues no Brasil. Sem saber que estava sendo filmada, a vendedora confirma:

"Comprando este valor aqui conosco, aí você paga só R$ 60 e aí a gente atravessa tudinho pra você até lá".

Muitas dessas cargas chegam ao Brasil por uma rota ilegal, que foge da fiscalização na alfândega. Pequenos barcos cruzam o Rio Paraná, levando o contrabando até favelas em Foz do Iguaçu, de onde a distribuição no Brasil fica por conta dos sacoleiros.

Toda compra feita no Paraguai tem que ser legalizada na alfândega antes de entrar no Brasil. Mas a Receita Federal não estabelece quantas unidades do mesmo produto podem ser trazidas. A regra é geral: é proibido cruzar a fronteira com mercadoria em quantidade pra revender.

Vestuário está entre os itens mais apreendidos pela Receita Federal. De janeiro até agora, já passa de R$ 3 milhões o valor em produtos retidos. Numa das maiores ações, policiais federais descobriram 300 fardos num depósito clandestino.

No guarda-roupa do contrabando, quase tudo vem da China. Só este ano, segundo a Associação Industrial de Confeccionistas do Paraguai, o país importou 50 milhões de unidades. Daria, em média, oito peças pra cada morador do país vizinho.

Esse número alto de importação faz a Receita Federal ter certeza de que a moda continua sendo burlar a fiscalização e abastecer, principalmente, o mercado brasileiro.

"Além de não recolher os tributos devidos, ainda gera desemprego nos nossos pólos têxteis. Quem compra um produto desses, tem que ter a ciência que está alimentando esta estrutura criminosa", advertiu Gilberto Tragancin, delegado da Receita Federal.

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