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Um coletivo que se autodenomina de “bispos católicos” voltou a divulgar uma carta contra o voto conservador antes das próximas eleições de outubro. Repetindo um gesto de 2022 e protegidos por anonimato, os integrantes do clero nacional pregaram voto em “defesa dos vulneráveis” e do meio ambiente. A CNBB não comentou o assunto.
Denominado como bispos "Diálogo pelo Reino", o grupo reafirma um compromisso com a Ação Evangelizadora para o sexênio de 2026 a 2032. Intitulada "Não deixemos cair a profecia", a carta, publicada na íntegra com exclusividade pela Folha de S.Paulo.
O texto não cita o nome dos candidatos em que se deve votar, mas deixa pouca margem para interpretação quando menciona o discurso de “soberania nacional” – amplamente adotado pela estratégia político-eleitoral de Lula na briga pela reeleição.
"Em tempo de eleições, reafirmamos que não temos partido, mas que estamos do lado dos pobres, de quem os respeita e defende; de quem defende a democracia e a soberania do país; de quem é contra qualquer postura fascista; de quem é contra a manipulação política da religião; de quem é contra a avalanche de mentiras e disseminação do ódio pelas avenidas digitais”, diz o texto.
Em entrevista ao jornal Valor Econômico, um participante do coletivo declarou que o anonimato teria intenção de evitar “partidarização do debate”. A carta cita ainda “posicionamentos autoritários” dentro do próprio ambiente eclesial, e faz menção direta às orientações contidas na Mensagem ao Povo Brasileiro, aprovada na assembleia da CNBB em abril de 2026.
No texto da CNBB, há uma defesa genérica da “promoção da vida, da dignidade humana e do bem comum”.
A reportagem da Gazeta do Povo procurou o arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer, e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para comentar.
A CNBB não comentou o conteúdo da carta e se limitou a enviar um link para a Mensagem ao Povo brasileiro, publicada em 18 de junho para se antecipar às eleições.
Apoio aberto a Lula
Na carta de outubro de 2022, à vésperas do segundo turno entre o atual presidente Lula e Jair Bolsonaro, o “Diálogos pelo Reino” publicou uma manifestação em que disse que o país estava diante de um “dramático desafio”. A carta declarava que “não cabe neutralidade” diante de um projeto que defendia a democracia e outro descrito como de tom “autoritário”.
“Não se trata de uma disputa religiosa, nem de mera opção partidária e, tampouco, de escolher o candidato perfeito, mas de uma decisão sobre o futuro de nosso país, da democracia e do povo”, dizia o texto.
Em sua defesa genérica da “vida”, nenhuma das cartas faz qualquer menção ao tema do aborto.




