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Considerado exemplo para o mundo, o sistema de transporte coletivo de Curitiba começa a dar sinais de estar entrando em uma crise. Nada parece conter o aumento da tarifa – o que afasta os passageiros. Eles optam pela comodidade do carro, cujos custos já não são tão altos. É o começo de um círculo vicioso: quanto mais cara a passagem, menos usuários, o que encarece ainda mais os custos dos ônibus. Paralelamente, prefeitura e governo do Paraná não se entendem sobre a integração com o sistema metropolitano – cuja responsabilidade é do estado. A desintegração baixaria a passagem na capital. E, embora ninguém admita querer isso, a ideia é lançada e fica como uma ameaça que paira no ar. Outro assunto que toma conta das discussões é o subsídio ao sistema: quem deve pagar para mantê-lo em funcionamento?

Não, esses não são fatos da atualidade – embora qualquer semelhança não seja mera coincidência. Foram extraídos de uma série de reportagens publicadas pela Gazeta do Povo em agosto de 2004. Uma década depois, os problemas do transporte coletivo de Curitiba são os mesmos. Isso leva à conclusão de que, em dez anos, o poder público foi incapaz de apresentar soluções de verdade. E, diante da circularidade das discussões, fica difícil crer que em 2024 algo será essencialmente diferente.

Entre 2002 e 2004, o número de passageiros havia caído 9%. Enquanto isso, a frota de carros aumentara 12%. À época, a Urbs já dizia que o subsídio externo seria a solução. A aposta era de que o governo federal bancasse os custos, pois as finanças municipais ficariam muito comprometidas se o ônus ficasse com a prefeitura.

Nesse meio-tempo, quem acabou bancando parte do custo do sistema foi o estado, sob o argumento de que tinha de contribuir porque as linhas metropolitanas são de sua responsabilidade. Aliviou um pouco a pressão por reajustes de tarifa. Mas, efetivamente, foi apenas um paliativo. E ainda criou um conflito permanente com a prefeitura, que cobra o aumento dos repasses lançando no ar a ameaça de desintegrar o sistema metropolitano como forma de baixar a passagem na capital.

Em 2004, por sinal, o sistema foi desintegrado por alguns meses em função de briga política entre estado e município. Tudo voltou ao normal pouco depois. Isso porque, no fundo, a prefeitura sabe que, se por um lado a desintegração significaria uma passagem mais barata em Curitiba, iria encarecer muito a tarifa dos moradores da região metropolitana. E eles trabalham e fazem compras na capital, o que movimenta a economia curitibana e representa arrecadação para o município. Com a passagem mais cara nos municípios vizinhos, a capital também perderia.

Nas reportagens de dez anos atrás, havia ainda outra proposta para baixar a tarifa do transporte coletivo: usar a licitação do sistema para impor regras que levassem à melhoria da qualidade e à redução dos custos do sistema. As linhas de ônibus de Curitiba foram licitadas em 2011. Mas a oportunidade se perdeu. Agora, resta discutir novas soluções. As velhas ideias não vão levar a lugar algum – como um ônibus quebrado no meio da canaleta.

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