Com a forte chuva que atingiu a cidade de São Paulo no fim da tarde desta quinta-feira (13), o nível do sistema Cantareira, que atende a 6,5 milhões de pessoas, parou de cair.

De acordo com a Sabesp, o nível do sistema nesta sexta-feira (14) está em 10,8% de sua capacidade, o mesmo valor registrado na quinta.

Desde o começo do mês de novembro, o reservatório já caiu 1,4 ponto porcentual. No dia 1.° de novembro, o índice era de 12,2%. Esse porcentual já inclui a segunda cota do volume morto.

Com a chuva desta quinta, o Cantareira acumulou ao longo dia cerca de 24,4 milímetros. Com isso, o sistema atingiu a marca de 90 milímetros, o que corresponde a quase 55% da média prevista para todo o mês de novembro (160 milímetros).

O reservatório de Rio Grande, que atende a 1,6 milhão de pessoas, também manteve seu índice em 65,9%, o mesmo do dia anterior. Já na represa Guarapiranga, o índice caiu 0,2 ponto porcentual, passando de 35,3% para 35,1. O sistema atende a cerca de 3,9 milhões de pessoas.

Outro reservatório que também apresentou a mesma queda porcentual foi o de Rio Claro, que atende a 1,2 milhão de pessoas, atingindo 36% nesta sexta.

Já no sistema Alto Tietê, que atende a 3,1 milhões de pessoas, caiu 0,1 ponto porcentual: passando de 7,6% para 7,5%. O nível do sistema Alto Cotia, que fornece água para cerca de 400 mil pessoas chegou a 29,6% ante 29,7% desta quinta.

Se fossem unificados, os reservatórios teriam apenas 15,2% de sua capacidade nesta sexta. Quase 19 milhões de pessoas são abastecidas pelos seis sistemas.

Segundo meteorologistas do CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências), a frente fria deve se afastar nesta sexta da cidade, mas o vento frio e úmido que sopra do oceano ainda forma muitas nuvens sobre a faixa leste do estado. O tempo permanece fechado, com períodos de chuva leve. A mínima prevista é 17ºC e a máxima de 22ºC.

Volume morto

A ANA (Agência Nacional de Águas) autorizou nesta quinta-feira (13) o governo de São Paulo a utilizar o segundo volume morto do sistema Cantareira. Em ofício ao DAEE (Departamento de Água e Energia Elétrica) de São Paulo, a agência federal afirma que "para evitar a descontinuidade do fornecimento de água" nas regiões metropolitanas de São Paulo e de Campinas, a Sabesp poderá usar a água que ainda resta nos reservatórios do sistema.

O presidente da ANA, Vicente Andreu, afirmou que só um dilúvio poderá levar o sistema Cantareira à normalidade em 2015. "Qual a solução para essa situação [falta de água]? Chuva. E muita, porque acabei de demonstrar para vocês que, para chegar ao nível do início de 2014 com o que tem, nós precisamos de um dilúvio. Dilúvio", disse, em audiência na Câmara dos Deputados.

Andreu defendeu que seja apresentada à população a perspectiva de que é preciso um racionamento imediato para garantir abastecimento regular no próximo ano. Ele afirmou ainda que o volume de chuvas em 2014 na região do Cantareira foi em média 50% abaixo do pior ano de uma série histórica de 84 anos, o que levou à crise hídrica atual.

O governo paulista reagiu às declarações de Andreu. "Mais uma vez, o presidente da ANA prefere disseminar o pânico na população a abordar, com a seriedade técnica que seu cargo exige, a pior seca da história", afirma nota do subsecretário de Comunicação, Marcio Aith.

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