Seu app Gazeta do Povo está desatualizado.

ATUALIZAR

PUBLICIDADE

comportamento

Curitiba: feita para grandes eventos?

Fim violento do CarnaVibe, no domingo, coloca em xeque o preparo da administração municipal e das forças de segurança para lidar com tais situações

  • Diego Antonelli
Após tumulto, reforço foi chamado e a multidão que foi ao Carna Vibe foi dispersada com uso da força |
Após tumulto, reforço foi chamado e a multidão que foi ao Carna Vibe foi dispersada com uso da força
 
0 COMENTE! [0]
TOPO

Embora existam exemplos positivos nos últimos anos, como o da Virada Cultural, a confusão do último domingo durante a festa pré-carnavalesca CarnaVibe, no Centro de Curitiba, e que resultou na prisão de cinco pessoas, põe em xeque a segurança e a organização dos eventos públicos na capital paranaense. Até o presidente da Fundação Cultural da cidade, Marcos Cordiolli, foi encaminhado para o 1.° Distrito Policial.

Em 2012, uma intervenção das polícias Civil e Militar, após a apresentação do bloco Garibaldis e Sacis, no Largo da Ordem, terminou de forma violenta. Um suposto ato de vandalismo contra uma viatura motivou uma ação da Rondas Ostensivas de Naturezas Especiais (Rone), que começaram a dispersar a multidão. Eles desceram pelo Largo da Ordem, disparando balas de borracha e bombas de gás nos foliões. Quatro pessoas foram hospitalizadas e três jornalistas, atingidos por balas de borracha.

No mês passado, um grupo de pessoas estava reunido na Rua São Francisco, também no centro da cidade, quando uma ação da Rone, que abordava usuários de droga, terminou com tiros para o alto e corre-corre.

Em ambos os episódios as forças de segurança estavam envolvidas. Não por acaso, para os especialistas, é necessário pensar em formas preventivas para que a festa na via pública não descambe para a violência.

O produtor cultural Alexandre Barreto, que atua no grupo Nós do Morro, no Rio de Janeiro, reconhece que todo evento que reúne muitas pessoas apresenta riscos, mas lembra que um tempo mínimo de preparo, de 60 a 90 dias, pode ajudar a garantir a segurança. "Esse tempo serve para que as forças de segurança possam mapear os riscos no local da festa, como proceder e determinar as rotas de fuga", explica.

O sociólogo e ex-secretário adjunto de Segurança Pública de Minas Gerais, Luís Flávio Sapori, ressalta que essa preparação prévia para os eventos também exige uma boa articulação entre órgãos municipais e estaduais. Segundo ele, é fundamental detalhar o que será feito e colocar os pontos firmados em ata. "Isso fará com que os órgãos se preocupem em cumprir o que foi acordado", salienta.

Para o coordenador do Centro de Estudos em Segurança Pública e Direitos Humanos da UFPR, Pedro Bodê, falta aos policiais, de maneira geral, sensibilidade para lidar com o público. "É preciso avaliar se está acontecendo determinada confusão e agir pontualmente, afastando o grupo que possa colocar em risco a segurança do evento. Não se pode fazer uma ação generalizada que coloque em risco as demais pessoas. Isso aumenta a desordem", afirma.

O que diz a polícia Militar

A Polícia Militar informou, por meio de nota, que faltou organização por parte da prefeitura e que a solicitação de policiamento para o Carna Vibe foi para 5 mil pessoas. "E, agora [a organização] divulga que participaram 40 mil. A Polícia Militar contabilizou no máximo 20 mil pessoas", afirmou, em nota, o tenente-coronel Guilherme Teider Rocha, comandante do 12º Batalhão da PM, unidade responsável pela área central da capital. "A falta de organização do evento, aliada à incivilidade, contribuiu largamente para o resultado", disse Rocha. A PM não informou quantos policiais foram designados para a ação.

Entrevista

Cordiolli rebate PM e diz que Curitiba está pronta para festas

Marcos Cordiolli, presidente da Fundação Cultural de Curitiba

O presidente da Fundação Cultural de Curitiba (FCC), Marcos Cordiolli, foi detido pela Polícia Militar durante a confusão registrada na noite de domingo, após o "CarnaVibe". Cordiolli teria tentado negociar com o oficial da tropa o avanço dos policiais sobre o público quando o oficial deu a ele voz de prisão por desacato.

Como teve início a ­confusão?

Eu estava em cima do caminhão de som e pude ver quando um grupo de 10 pessoas que estava fora da arena do evento começou a brigar e a PM foi intervir. Depois, essas pessoas começaram a arremessar pedras em direção aos policiais. Em revide, os policiais começaram a dispersar todas as pessoas que estavam ali. Essa ação de dispersão provocou um corre-corre intenso. Grande parte das pessoas que pularam a catraca deve ter feito isso por medo. Em outros eventos, como a Virada Cultural, isso nunca aconteceu.

Quantas pessoas foram ao evento e que horas terminou a festa? A festa estava marcada para terminar às 20 horas e às 19h55 nós comunicamos o fim do evento. Ao contrário do que a PM tem falado. Também ao contrário do que a polícia falou, havia grades de proteção, que foram retiradas às 20 horas quando a festa tinha oficialmente terminado. Calculamos que havia mais de 30 mil pessoas e o espaço tinha condições de receber 40 mil. Foi comunicado isso à PM e cabe a ela apresentar a demanda dela.

Esse episódio, somado a outros, mostra dificuldades para Curitiba realizar festas abertas ao público?

Não. Creio que estamos aprendendo e evoluindo muito. Estamos tratando isso de forma mais profissional. Desde que assumimos a prefeitura, não tivemos nenhum problema, exceto nesse domingo. A Fifa Fun Fest, por exemplo, ocorreu tudo bem. Assim como a Virada Cultural. Para essas festas são necessários processos de convivência e de educação social. Estamos caminhando bem nesse sentido.

o que você achou?

8 recomendações para você

deixe sua opinião

PUBLICIDADE

mais lidas de Vida e Cidadania

PUBLICIDADE