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Cativeiro onde as vítimas do sequestro eram mantidas | Wesley Santos/ Folhapress
Cativeiro onde as vítimas do sequestro eram mantidas| Foto: Wesley Santos/ Folhapress

Eficiência fez da unidade uma referência

Unidade de elite antissequestro da Polícia Civil do Paraná, o grupo Tigre sempre foi conhecido no país pelas ações eficientes, libertando reféns vivos e prendendo os criminosos. O grupo foi criado em 1990, depois de uma sequência de sequestros registrados no estado. A partir de então, a unidade passou a ser referência nacional.

O sucesso da equipe decorredo intenso treinamento específico e do planejamento na hora de agir. A identidade das vítimas sempre foi mantida em sigilo e quase nunca as informações do crime apareciam antes de o caso ser resolvido. Até agora, o trabalho foi exaltado em razão dos números excepcionais: 100% de solução dos casos de sequestro.

Para integrar o Tigre é preciso ter a ficha policial ilibada e passar por um curso rigoroso de operações especiais. O policial tem a vida investigada com rigor. O curso é a última fase e determinante para o policial ser aceito no grupo.

O delegado chefe do Tigre, Renato Bastos Figueiroa, assumiu o Tigre em janeiro, após transferência do delegado Riad Farhat para a Divisão de Narcó­­ticos. Farhat comandou o Tigre por cerca de sete anos.

Um amigo de todos da cidade

Dono de uma pequena proprieda­­de rural, Lírio Persch, 50 anos, tam­­bém prestava serviços para outros agricultores no período de plantio e colheita. Casado, pai de um filho e morador do centro do município de 3,8 mil habitantes, era uma pessoa reservada. "São tra­­balhadores, de famílias tradicionais aqui na cidade", diz o radialista Afonso Francener. O prefeito Rudi Kuns relata que os moradores estão abalados. "Era amigo de todo mundo", diz. Finkler também é bas­­tante conhecido. Além de uma transportadora, é agricultor e mo­­ra em Quatro Pontes há muito tem­­po.

Nota da Sesp defende policiais

"A Polícia Civil ressalta que agentes paranaenses envolvidos no caso mantiveram a postura mais adequada possível", afirma nota divulgada ontem pela Secretaria de Segurança Pública do Paraná. "Os policiais retornaram para Curi­­tiba, se apresentaram à Cor­­regedoria Geral da Polícia Civil e estão à disposição da Justiça". Se­­gundo a nota, as autoridades gaúchas seriam informadas sobre a presença da polícia paranaense na manhã de ontem.

Vítima acusa polícia gaúcha de matar amigo

Para o empresário que foi do Paraná ao Rio do Grande do Sul comprar uma máquina agrícola e acabou sendo sequestrado, a morte do amigo e companheiro de viagem foi consequência de uma ação policial mal-planejada. "Não precisava ter acontecido isso", lamenta Osmar José Finkler, em entrevista à Gazeta do Povo. Ele relata que o tiro que matou o agricultor Lírio Persch partiu da polícia gaúcha e que ambos os sequestrados estavam dentro do carro a caminho da libertação.

Leia a matéria completa

  • Na foto, três dos quatro sequestradores presos
  • Sargento Ariel recebeu cinco tiros

Uma operação repleta de equívocos do Grupo Tigre (Tático Inte­­grado Grupo de Repressão Espe­­cial), a unidade de elite antissequestro da Polícia Civil do Paraná, acabou de forma trágica ontem em Gravataí, no Rio Grande do Sul. Os policiais paranaenses foram ao estado gaúcho resgatar duas vítimas de sequestro sem avisar as autoridades locais, como determina o Código de Processo Penal, e mataram um sargento da Brigada Militar numa suposta troca de tiros. Ao saber dos motivos da investida da polícia paranaense, dois delegados gaúchos estouraram o cativeiro e acabaram matando uma das vítimas, o agricultor pa­­ranaense Lírio Persch.

A operação pode ter iniciado um problema no relacionamento entre os dois estados. O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, chamou a ação de irresponsável e ilegal, segundo o jornal Zero Hora. O comandante do 17.º Batalhão da Brigada Militar, tenente-coronel Dirceu Lopes, considerou a ação paranaense desastrosa. O chefe da Polícia Civil gaúcha, Ranolfo Vieira Junior, deve pedir esclarecimentos ao delegado geral do Paraná, Marcus Vinicius Michelotto. "Foi uma ação clandestina", afirmou. Este foi o primeiro sequestro investigado pelo Tigre que resultou na morte da vítima.

Ontem, no começo da tarde, a Justiça gaúcha decretou a prisão temporária dos três policiais do grupo Tigre que participaram da ação que resultou na morte do sargento Ariel da Silva, de 40 anos.

Os três se apresentaram ontem à tarde na Corregedoria da Polícia Civil em Curitiba. Michelotto lamentou a prisão e considerou precipitada a decisão da Justiça gaúcha.

Prisão e morte

O sargento Ariel estava de moto e teria sido atingido por cinco disparos, quatro no estômago e um no pescoço, na Avenida Planaltina, por volta de 1h30 da manhã de ontem. De acordo com o comandante da Brigada Militar, a viatura do grupo Tigre estava parada de modo transversal na via, o que levou à abordagem do sargento. Lopes acredita que os disparos efetuados pelo sargento teriam sido feitos após ele ter sido atingido. Segundo ele, os locais onde ficaram as marcas dos tiros apontam que ele já estaria deitado quando revidou.

Já para a Polícia Civil do Paraná, os policiais do Tigre relataram que estavam sendo seguidos por um homem em uma motocicleta. Em um semáforo, ele abordou o veículo dos policiais. Houve troca de tiros e o homem morreu no confronto. A troca de tiros ocorreu no bairro Morada do Vale, bem longe da casa onde ocorria o sequestro, no centro de Gravataí.

No pedido de prisão, o promotor de Justiça André Luís Dal Molin Flores critica a ação do grupo Tigre. "Pelo histórico da ocorrência policial e gravidade do fato, há sérios indícios de que os policiais civis do Paraná não possuíam autorização para estar na cidade, não apresentaram argumentos convincentes sobre o episódio, e, possivelmente, tenham deturpado a seu favor os acontecimentos", justifica.

Sequestrados

O fazendeiro e empresário Osmar José Finkler e Lírio Persch estavam sob o poder dos sequestradores desde terça-feira. Após o incidente com o sargento, os policiais gaúchos começaram a trabalhar no caso de sequestro também. Dois delegados de Gravataí foram ao local após receber a informação dos policiais paranaenses.

Quando chegaram na casa, que fica atrás da Câmara de Vereadores da cidade, um Corsa branco saía da garagem com os sequestradores e as vítimas. O delegado Leonel Carivali disse, em coletiva no Rio Grande do Sul, segundo o jornal Zero Hora, que gritou se identificando como policial. Naquele momentos, os criminosos saíram do carro disparando contra os policiais. No revide, os policiais gaúchos acertaram as costas de Lírio.

Os sequestradores João Ro­­drigues Ferreira, Claudemir dos Santos e Márcio Lourival foram presos após a troca de tiros. Lou­­rival é paranaense. Os três têm passagens ela polícia. O Corsa tinha placa de Campo Largo.

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