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A economia catarinense pode sofrer uma retração de 25% em outubro em função das chuvas que assolaram cidades e fizeram o estado decretar emergência. A maioria das empresas ainda não fez um levantamento dos prejuízos, uma vez que muitas delas – especialmente na região do Vale do Itajaí – ainda têm muitos colaboradores desaparecidos ou desabrigados, e estão com produção reduzida ou até parada por falta de trabalhadores.

A análise é do vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), Glauco Côrte. "Estamos passando por uma semana perdida para as indústrias. É uma situação angustiante: olhando o estado como um todo, ele está parado, improdutivo, e as estradas não têm condições para transportar as mercadorias disponíveis", relata.

Representantes setoriais enumeram prejuízos com o isolamento: o Sindicato das Indústrias de Cerâmica de Criciúma e Região Sul (Sindiceram) estima prejuízo de R$ 7 milhões a cada dia em que as fábricas permanecerem inativas – todos os fornos estão desligados por causa do rompimento da tubulação de fornecimento de gás natural para a região Sul. A previsão de normalização do abastecimento é de três semanas. Para a indústria têxtil, concentrada nas regiões mais afetadas pelos desabamentos e enchentes, o prejuízo estimado pelas entidades de classe ultrapassa os R$ 10 milhões por dia de inatividade. O setor tem mais de três mil empresas no estado.

Na parte de logística, a contabilidade também preocupa o setor produtivo. O porto de Itajaí, principal via de escoamento de riquezas do estado, está completamente parado desde segunda-feira – a forte correnteza do Rio Itajaí-Açu danificou três berços de atracação e um armazém. O porto é responsável por aproximadamente 50% das exportações do estado em volume e 70% em valor. Ainda não há estimativas oficiais, mas autoridades declararam que a reconstrução do porto levará pelo menos seis meses. Cada dia de porto parado significa que aproximadamente R$ 65 milhões que deixam de ser movimentados, segundo dados da Fiesc.

Também estão completamente parados 4,5 mil caminhões no trecho Sul da BR-101, segundo informações da Federação das Empresas de Transporte de Carga (Fetrancesc). A previsão para a liberação da rodovia no morro dos Cavalos, no município de Palhoça, ao Sul de Florianópolis é para amanh㠖 caso o tempo continue colaborando. "Estamos fazendo de tudo para ajudar o pessoal que está parado desde sábado, com água, alimentação e segurança, juntamente com a Polícia Militar. Mas a essa altura é impossível mensurar o prejuízo de ter tantos caminhões parados há tantos dias", declarou o diretor da Fetrancesc, Leonardo Carvalho.

Encaminhamentos

As expectativas se voltam para os próximos dias, quando é esperado que as águas baixem e avaliações mais precisas do estrago possam ser feitas. A única alternativa de escoamento para exportação é o novo porto de Navegantes, que entrou em operação neste ano, mas que também teve danos com a correnteza do rio Itajaí-açu. "Para as exportações sobra essa opção, desde que se concretize a esperança de que ele em breve esteja em plena operação. Só saberemos com certeza na semana que vem", ressaltou Glauco Côrte.

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