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Doenças degenerativas

Eletrodos contra o mal de Parkinson

Cirurgia provoca choque elétrico no cérebro do paciente e reduz as doses de medicamento para controle de sintomas

  • Ari Silveira
O ator Paulo José fez a cirurgia de estimulação cerebral profunda e retornou aos palcos depois de nove anos afastado |
O ator Paulo José fez a cirurgia de estimulação cerebral profunda e retornou aos palcos depois de nove anos afastado
 
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Eletrodos contra o mal de Parkinson

Uma técnica cirúrgica vem revolucionando o tratamento do mal de Parkinson, que teve seu dia mundial celebrado no último 11 de abril. Graças à estimulação cerebral profunda, pacientes em estágio avançado da doença têm os sintomas atenuados e conseguem levar uma vida normal. A cirurgia não chega a ser propriamente uma novidade: o procedimento, que consiste na implantação de eletrodos no cérebro do paciente, controlados por uma espécie de marcapasso, vem sendo desenvolvido nas últimas três décadas. No Brasil, se tornou uma intervenção de rotina há 10 anos e já é oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A estimulação cerebral profunda é indicada aos portadores de Parkinson no estágio da doença em que os efeitos colaterais das medicações não são contornáveis com medidas clínicas. É recomendada em casos de tremor, distonia (congelamento dos movimentos), tiques refratários e doenças psiquiátricas, como transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e depressão. À medida que a técnica vem sendo aprimorada, os resultados obtidos se tornam cada vez melhores.

“Mais de 90% dos pacientes têm melhora dos sintomas, uns mais, outros menos”, garante o neurocirurgião funcional Erich Talamoni Fonoff, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, pioneiro da técnica no país. “Isso depende da técnica cirúrgica e neurofisiológica do implante. Outro aspecto que determina os resultados é indicação mais correta de pacientes em fase adequada, nem em doentes muito graves e com doença muito avançada e nem em doença inicial em que os pacientes ainda se beneficiam com medicações.”

Fonoff lembra que a doença ainda não tem cura. “A cirurgia apenas diminui os sintomas que são por vezes incompatíveis com uma vida normal”, explica. O tratamento também não é 100% seguro. Os maiores riscos são de infecção, como em qualquer procedimento cirúrgico, agravados pela presença dos eletrodos e do marcapasso.

A operação não dispensa outros tipos de tratamento. “Sempre se combina com reabilitação e medicações”, esclarece o médico. Os pacientes têm a medicação diminuída, mas não retirada totalmente. “Raramente temos pacientes que podem permanecer por um período de meses sem medicação e há melhora só com a cirurgia”, afirma Fonoff.

Pacientes

Em todo o planeta, calcula-se que aproximadamente 100 mil portadores de mal de Parkinson tenham sido submetidos a cirurgias de estimulação cerebral profunda. No Brasil, a estimativa é de que cerca de 200 pessoas tenham passado pelo procedimento. De acordo com Erich Fonoff, o tratamento tem enorme procura pelos segurados do SUS.

Um dos pacientes beneficiados pelo tratamento é o ator gaúcho radicado no Rio de Janeiro Paulo José. No ano passado, ele foi submetido à intervenção, que reduziu sintomas como os tremores e a rigidez. Com a melhora, Paulo José, que é portador da doença há 16 anos, recuperou a confiança para atuar ao vivo e voltou aos palcos após uma ausência de nove anos.

Em Curitiba, a estimulação cerebral profunda está disponível há 10 anos. A cirurgia pioneira foi feita pelo neurocirurgião Murilo Meneses, no Hospital das Nações.

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