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Análise

Um sumo pontífice prático, popular e informal

  • PorJosé Carlos Fernandes
  • 22/07/2013 21:08
Frei Clodovis Boff: Francisco tem um estilo popular | Aniele Nascimento/Gazeta do Povo
Frei Clodovis Boff: Francisco tem um estilo popular| Foto: Aniele Nascimento/Gazeta do Povo

Prático, popular e informal. Para o religioso catarinense Clodovis Boff, 69 anos – um dos maiores expoentes da teologia no Brasil –, essas três características do papa Francisco são mais do que marcas pessoais. Devem se tornar marcas pastorais – seguidas pelo clero e cobradas pelos fiéis. Debaixo do pontificado de Jorge Bergoglio, "um legítimo pastor do Mundo Novo, pouco dado às pompas vaticanas", como frisa, tende a vingar um jeito latino-americano de ser Igreja.

Boff se refere aos gestos largos e calorosos de Francisco, um sujeito que tem pouco a ver "com palácios italianos onde vivem muitos clérigos como se fossem príncipes". As inspirações mais flagrantes do religioso são a pobrezinha Igreja Primitiva e sua legião de mártires; e a Igreja da Conferência de Puebla, no México, em 1979, quando se afirmou a opção preferencial pelos pobres e pelos jovens.

"Francisco traz muitas incógnitas. É evangélico, fala ao povão, é independente. Não tem medo de quebrar tabus. Ele é o que é sem ser demagógico e populista. Tende a surpreender", observa Boff, que é frade da Ordem dos Servos de Maria, professor da graduação e do mestrado de Teologia na PUCPR, pesquisador de Mariologia, Escatologia e Método. Em resumo, tem autoridade na observação do papado e nos efeitos da visita do papa ao país.

As incógnitas não são estranhas para quem acompanha Jorge Bergoglio desde abril, quando foi eleito. Não se sabe, por exemplo, se a simplicidade é corolário de um distanciamento doutrinário de seu antecessor, Joseph Ratzinger, o Bento XVI. "Teologicamente eles não têm muita semelhança", afirma Clodovis, ao comentar que na encíclica Lumen Fidei, iniciada por Bento XVI, concluída por Francisco, o argentino cita por força de algum escriba autores como Nietzsche e Rousseau, entre outros com os quais Ratzinger – que fala com proficiência aos europeus – lida com os pés às costas. Não é essa a praia de Francisco.

Nem a Karol Wojtyla o teólogo ousa compará-lo. "João Paulo II tinha uma personalidade talhada, era um líder que se sobressaía". Francisco é sobretudo o homem que no dia de sua eleição pediu bênção ao povo, "puxou" um singelo Pai-Nosso na Praça de São Pedro e usa sapatênis. A primeira impressão é que valoriza mais a misericórdia do que inflamados discursos sobre moral pessoal. Num momento em que se discute com paixão temas espinhosos para a Igreja, como o casamento de homossexuais, assemelha-se mais aos afetivos párocos estrangeiros enviados em missão, tão familiares à América, do que a um doutor da Lateranense de Roma.

Layouts à parte, Boff reforça as qualidade eclesiais do modo Francisco de ser. Se de um lado tudo indica que haverá poucas turbulências teológicas, do outro faz soprar ventos que tirarão clero e agentes da zona de conforto. "Ele é um sujeito ‘com’. Está junto. Jesuíta até a medula, tende a ser pragmático e missionário. Idealista, sacode a sociedade pálida e desnutrida."

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