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Biodiversidade

Exóticos e perigosos

A resistência da população ao extermínio de plantas e animais invasores é o principal desafio do programa de controle dessas espécies

  • Aniela Almeida
Transmissor de doenças graves, o caramujo africano foi trazido para o estado na década de 80 e proliferou |
Transmissor de doenças graves, o caramujo africano foi trazido para o estado na década de 80 e proliferou
 
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Conscientizar a população é o principal desafio do Programa Estadual para Espécies Exóticas Invasoras do Paraná. “É difícil para as pessoas entenderem a necessidade da retirada de árvores ou extermínio de animais. Mas é preciso entender que há riscos para o ambiente e para a saúde do homem”, explica Odete Bertol Carpaniezzi, coordenadora da proposta. A invasão de espécies exóticas é a segunda causa de perda de diversidade biológica no mundo, atrás apenas do desmatamento e com impactos equivalentes aos gerados por efeitos de mudanças climáticas.

O reconhecimento dessa ameaça gera preocupações ambientais de amplitude mundial. No Brasil, o primeiro passo para solução do problema foi dado ano passado, com o lançamento da Estratégia Nacional sobre Espécies Exóticas Invasoras, resolução, aprovada pela Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio), que ainda espera por implementação. No Paraná, as espécies exóticas invasoras estão presentes nas 63 unidades de conservação e nas 25 áreas de proteção integral.

O projeto paranaense, que serviu de referência para a proposta nacional, começou a se configurar em 2006. De lá para cá, o estado elaborou duas listas de espécies exóticas invasoras da fauna e da flora. A mais recente contabiliza 102 espécies e 11 animais de ambientes urbanos e periurbanos (caracol-asiático, lagartixa de parede, pombo-comum, bico-de-lacre, pardal, periquito-rico, camundongo, ratazana, gato, cachorro e rato-preto). O Paraná foi o primeiro estado do país a elaborar a relação das espécies, mas, apesar do pioneirismo, ainda não houve avanço na conscientização da população.

A coordenadora do Programa de Espécies Invasoras para a América do Sul da ONG The Nature Conservancy, Silvia Ziller, diz que a resistência da população aos projetos de erradicação decorre da falta de percepção dos impactos que as espécies exóticas invasoras causam às nativas. “Muitas vezes, os invasores tornaram-se tão familiares que são confundidos com as espécies nativas ou passam despercebidos.” Um exemplo é o bagre-africano, que já representa 80% da população aquática de rios do litoral paranaense.

De acordo com Odete Car­paniezzi, uma dificuldade para se medir o impacto das espécies invasoras sobre a diversidade local é que nem todas as espécies nativas estão catalogadas. “A cada dia descobrimos uma nova”, conta. Ela cita os exemplos de um tipo de perereca e de uma samambaia descobertos no Parque Estadual de Vila Velha, em Ponta Grossa, após a retirada de 540 mil pínus e 7 mil árvores invasoras, em 2006. “Não sei se teríamos feito essas descobertas, se o parque não tivesse sofrido o processo de erradicação de pínus”, comenta.

Silvia Ziller ressalta que a proliferação de espécies invasoras traz problemas também em outras áreas, como de saúde pública. É o caso do caramujo africano, que transmite doenças que podem levar o ser humano à morte. Trazido ao Brasil na década de 80, ele proliferou rapidamente no estado.

Estudo

A investigação científica do impacto de espécies exóticas invasoras sobre determinada área é o que orienta o processo de erradicação e controle. Um estudo sobre o javali, animal introduzido no Parque Estadual de Vila Velha e que vem causando prejuízos às propriedades agrícolas da região, começou no último fim de semana. Estudantes da Universidade Positivo, em parceria com uma equipe da Universidade de Aveiro (Portugal), estão fazendo o levantamento dos transtornos ambientais. O trabalho conta com a participação de acadêmicos da Universidade Estadual de Ponta Grossa, que estão verificando as consequências da introdução da espécie para a agricultura da região. “Os animais têm um apelo maior e por isso exige-se um esclarecimento muito forte para a população”, diz Odete.

Dentro deste processo, o programa estadual está capacitando professores da rede estadual para que o assunto seja abordado na escola. Outra iniciativa em curso foi o envio de questionários para todas as prefeituras do Paraná, para que elas informem a ocorrência de espécies exóticas. Até agora, 132 municípios enviaram suas respostas e o comitê que coordena as ações do programa estadual está analisando o material para propor ações de controle. “O programa é novo e estamos experimentando, mas até agora podemos dizer que tivemos mais acertos do que erros”, diz a coordenadora.

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