
Wellington Menezes, de 23 anos, chocou o país ao invadir a Escola Tasso da Silveira, em Realengo, no Rio de Janeiro, e matar 12 adolescentes. A chacina, porém, é uma exceção à realidade encontrada nas instituições de ensino do país. Em muitas delas, a violência se manifesta através de ameaças, xingamentos e agressões psicológicas, um retrato do que acontece na sociedade. Em situações como essas, professores estão despreparados para agir. Mesmo que as agressões chamadas de invisíveis apareçam em primeiro plano, não se descarta a ocorrência de brigas e a existência de armas brancas e de fogo nas salas de aula. A pesquisa Cotidiano das Escolas entre Violências, realizada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em 2006, constatou que 35% dos estudantes já viram armas nas escolas, assim como 29% do corpo técnico. Realizado em seis capitais do país, o estudo mostrou que os aparatos mais frequentes são os canivetes (22%), facas (13%) e revólveres (12%).
Algumas cidades, no entanto, têm problemas mais complexos. É o caso de Curitiba, que tem o maior número de alunos envolvidos em brigas e é a segunda capital em agressões por arma de fogo, conforme dados da Pesquisa Nacional de Saúde Escolar feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2009.
Como agir
Diante desse cenário, a ação dos professores é fundamental. A socióloga e professora da Faculdade Latino Americana de Ciências Sociais (Flacso) Miriam Abramovay, uma das coordenadoras da pesquisa da Unesco de 2006, diz que o início da mudança passa pela capacitação dos professores. "Há um menu de coisas a serem feitas. Porém deve se entrar muito forte nesses termos, dando ênfase aos diagnósticos e pesquisas", defende.
A coordenadora técnica do Projeto Não Violência, Adriana Cristina de Araújo Bini, tem opinião semelhante. Ela argumenta que professores devem ensinar os alunos a lidar com as diferenças. "Não existe ambiente pacífico ideal, a gente trabalha com a ideia de que a paz possível leva em conta o conflito como parte das relações humanas", diz. Na avaliação dela, envolvida no projeto há 13 anos, os professores e funcionários não estão capacitados a trabalhar com essa diretriz. "É preciso criar espaços de diálogo, onde o professor não tenha que arbitrar, mas deixar que as partes envolvidas cheguem a um consenso", afirma.
Crítica
Janeslei Albuquerque, secretária educacional do sindicato dos professores da rede estadual de ensino (APP-Sindicato), critica a formação dos professores. "Está voltada para a escola ideal, o aluno ideal da classe média e branco e de uma família escolarizada. Isso não existe", comenta. "Além de nós termos sofrido uma tremenda precarização das condições de trabalho, vive-se hoje a falta de qualidade na formação dos professores."
Em tese, um professor capaz de trabalhar com as diferenças ajudaria a tornar a escola um espaço de proteção. "É a única instituição social a que crianças, adolescentes e jovens têm acesso. Quando a violência atinge índices elevados, a aprendizagem se perde", diz Janeslei.
A violência não se forma na escola, mas é reflexo da sociedade. Nesse sentido, não cabe somente à instituição escolar resolver o problema, na opinião da professora Marta Vanelli, secretária-geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação. Para ela, a solução para o problema passa por políticas públicas e maior envolvimento com a comunidade. "Não há uma fórmula", diz. "Cada escola tem que chamar a comunidade, discutir o regimento de maneira coletiva e seu projeto pedagógico, no qual alunos e pais se sintam envolvidos em cuidar da própria escola."
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