Cemitério do Água Verde é o que tem maior fila: 523 pessoas | Felipe Rosa/ Gazeta do Povo
Cemitério do Água Verde é o que tem maior fila: 523 pessoas| Foto: Felipe Rosa/ Gazeta do Povo

Futuro

Prefeitura não tem plano para expansão

A prefeitura de Curitiba não tem planos de expansão dos cemitérios ou de construção de novos. Segundo a diretora do Departamento de Serviços Especiais da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Adriana Arcenio, a demanda por túmulos é suprida pelos cemitérios particulares e paroquiais.

A diferença de preços é grande. Nos municipais um lote padrão custa de R$ 250 (Boqueirão e Santa Cândida) a R$ 500 (São Francisco de Paula e Água Verde). A família fica responsável pela construção dos túmulos e pela manutenção.

Entre os privados, as casas paroquiais são as que possuem jazigos com menor preço. Uma gaveta simples em um "paredão", como é chamado, custa R$ 2 mil. Em um cemitério particular um jazigo de três gavetas pode ultrapassar os R$ 10 mil.

Carentes e indigentes

Além de manter os cemitérios municipais, a prefeitura tem um convênio com o Parque São Pedro, onde dispõe de uma área de 45 mil m² para sepultar pessoas carentes e indigentes.

Quase 1,6 mil pessoas estão na fila de espera por um lote nos quatro cemitérios municipais de Curitiba, que se encontram completamente ocupados. Para conseguir uma vaga, é preciso esperar os processos de reversão, quando os lotes abandonados são desapropriados. Antes do processo, no entanto, os proprietários são chamados por edital publicado no Diário Oficial e em jornal de grande circulação, com prazo de 90 dias para cuidar de seu lote. A própria Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMMA), que administra os cemitérios, considera o processo "longo".

O início do próximo processo de reversão está previsto somente para o começo do ano que vem no Cemitério São Francisco de Paula, que tem uma fila de espera de 134 pessoas. Os outros cemitérios municipais contam com filas ainda maiores, sendo a maior delas no Água Verde (523 pessoas), seguido pelos cemitérios do Boqueirão (494) e do Santa Cândida (446). Mesmo com a menor fila de espera, o São Francisco de Paula é considerado pela prefeitura como o cemitério mais concorrido, por ser o mais antigo da cidade (inaugurado em 1866) e por ter passado recentemente por um grande processo de reversão, de 89 jazigos, em 2010.

Segundo estimativa da Se­­cretaria de Meio Ambiente, há entre 220 e 300 jazigos abandonados no São Francisco de Paula, mas não há previsão de quanto tempo levará para ser concluído o processo de reversão. A prefeitura também não sabe dizer se todos os 134 postulantes da fila de espera serão atendidos na próxima reversão, já que a prioridade é a manutenção dos jazigos já ocupados. "A intenção do município é estimular que as pessoas cuidem do túmulo de seus familiares", diz a diretora do Departamento de Serviços Especiais da SMMA, Adriana Arcenio.

Nos lotes nos cemitérios municipais de São Francisco de Paula e do Água Verde o metro quadrado custa R$ 105; no Boqueirão e no Santa Cândida o metro quadrado sai por R$ 47.

Enterros na RMC

Com os cemitérios municipais da capital lotados, muitas famílias curitibanas recorrem a cidades da região metropolitana, principalmente São José dos Pinhais, para enterrar seus mortos. Porém, não são os cemitérios municipais os escolhidos – também esses estão lotados – mas sim os privados, que oferecem preços consideravelmente mais baratos que os da capital.

Dados da SMMA mostram que, de cada quatro mortos registrados no serviço funerário de Curitiba, um é enterrado em outra cidade. Porém, nessa proporção podem entrar pessoas que residiam em outras cidades e que vieram a falecer em hospitais da capital, onde eram tratados.

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