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Brasília – O governo pode fechar um acordo com os senadores tucanos para aprovar a CPMF, mas o nó do caso do presidente licenciado do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) está por desatar. E o que é pior: a aproximação entre Planalto e tucanos, traçada para fugir da pressão da bancada do PMDB por cargos e livrar petistas do incômodo papel de salvadores do mandato de Renan no Conselho de Ética, revelou-se um tiro que saiu pela culatra.

Trocados pelo PSDB, senadores peemedebistas estão se recompondo com Renan e usando-o como arma para cacifar a bancada. O resultado dessa operação é que o governo administra a ameaça peemedebista de devolver a Renan a cadeira de presidente entregue ao PT de Tião Viana (AC), ou deflagrar a sucessão do Senado, tumultuando a votação da CPMF.

"O PMDB se sente desprestigiado, neste momento em que o governo negocia a CPMF com o PSDB e dá a impressão de que vai esquecer o Parlamento depois da votação", diz Tião Viana. "O sentimento do partido é de que fomos abandonados pelo Palácio", confessa o senador Gilvam Borges (PMDB-AP).

A conseqüência imediata desse quadro é que a crise Renan, da qual todos queriam se livrar 22 dias atrás, converteu-se em uma espécie de trunfo do PMDB, tanto para conter setores do PT que sonham em assumir o comando do Congresso, como para reagir ao que os peemedebistas chamam de "desprezo" do governo pela sigla na negociação da CPMF. Esse sentimento serve, na prática, para rearticular a salvação de Renan no plenário do Senado e mantê-lo à frente do Congresso.

Renan e a bancada de senadores haviam se preparado para jogar com a CPMF como moeda de troca na negociação com o Planalto e com o PT. Na Câmara, a aprovação da contribuição rendeu ao partido nada menos que a presidência de Furnas Centrais Elétricas, prometida ao PMDB fluminense de Luiz Paulo Conde desde o ano passado e nunca efetivada.

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