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Enamed 2025

Justiça suspende sanções contra faculdades de medicina reprovadas em avaliação do MEC

Decisão liminar no TRF1 suspende sanções previstas por MP de Lula contra faculdades de medicina com baixo desempenho no Enamed 2025. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

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A Justiça Federal suspendeu, liminarmente, as sanções impostas a instituições de ensino superior que registraram baixo desempenho no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025. A decisão, proferida em 5 de agosto pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), adiciona um novo capítulo à disputa em torno dos mecanismos de avaliação da formação médica no país.

Pela decisão, União, Ministério da Educação (MEC), Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres) e Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) devem se abster de utilizar os resultados do exame para fins regulatórios até o julgamento definitivo da apelação.

As sanções suspensas estão previstas na Medida Provisória 1370/2026, do governo Lula. O texto obriga os estudantes do curso a realizarem o Enamed e a nota obtida no exame passa a integrar os critérios para o exercício profissional.

A ação foi movida pela Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) e pela Associação Brasileira das Faculdades (Abrafi). As entidades argumentam que a divulgação posterior das regras de cálculo compromete a previsibilidade e a segurança jurídica necessárias aos processos avaliativos e regulatórios.

A decisão judicial ocorre em meio ao crescimento da disputa sobre os instrumentos de avaliação e regulação do ensino médico. Nos últimos anos, entidades como o Conselho Federal de Medicina (CFM) passaram a defender mecanismos mais rigorosos para medir a qualidade dos cursos e a preparação dos profissionais recém-formados. As instituições de ensino, por sua vez, afirmam apoiar a avaliação da qualidade, mas questionam aspectos metodológicos e regulatórios adotados pelo governo.

Expansão dos cursos de medicina acirra disputa por avaliações

A qualidade da formação e da assistência prestada à população tem sido alvo de críticas nos últimos anos. Entre os fatores apontados por especialistas estão a rápida expansão dos cursos de Medicina, incluindo graduações com baixo desempenho, mudanças nos modelos de formação de especialistas e o avanço da pejotização, que reduz os vínculos formais entre médicos e empregadores.

“Há muitos médicos malformados hoje atendendo à população. Ficamos cerca de 10 anos expandindo e com um apagão de avaliações”, resumiu Mário Scheffer, pesquisador da área de Força de Trabalho em Saúde e Profissão Médica da Universidade de São Paulo (USP), em entrevista à Gazeta do Povo. “Isso vai ter impacto na relação com o paciente, mas principalmente na qualidade do atendimento e dos desfechos”, complementou.

É nesse contexto que o Conselho Federal de Medicina defende a criação do Exame Nacional de Proficiência em Medicina (Profimed), apelidado de "OAB da Medicina".  Um dos principais diferenciais em relação ao Enamed seria a aplicação de uma prova prática destinada a avaliar habilidades clínicas e competências profissionais dos recém-formados. Além disso, o exame seria administrado integralmente pelo CFM.

O conselheiro federal de Medicina Raphael Câmara afirma que a medida provisória editada pelo governo busca enfraquecer a proposta defendida pela entidade. “O Profimed, sim, é um exame sério que realmente deve avaliar se o médico tem condição ou não de exercer a profissão, com a prova teórica compatível e com a prova prática. Inclusive, o Enamed não tem prova prática. Esse movimento foi feito pelo governo para impedir a fiscalização do CFM”, afirmou à Gazeta do Povo.

Nova entidade médica busca espaço no setor

A disputa envolvendo o Enamed e a avaliação da formação médica ocorre paralelamente a outro embate no setor, desta vez relacionado à concessão de títulos de especialista. A recém-criada Ordem Médica Brasileira (OMB) passou a ganhar visibilidade ao se apresentar como alternativa às instituições tradicionais do setor.

Atualmente, o reconhecimento formal de uma especialidade é obtido por meio da conclusão de residência médica credenciada ou pela aprovação em exames de título vinculados à Associação Médica Brasileira (AMB). Esse modelo é alvo de questionamentos da OMB, que defende a ampliação das possibilidades de certificação.

Em ação movida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) autorizou, em decisão liminar, a realização de exames pela OMB para a concessão de títulos de especialista. A disputa, contudo, segue em tramitação na Justiça.

A Gazeta do Povo já mostrou diversos aspectos envolvidos na possível ampliação das certificações por meio de outras instituições.

Para Gustavo Vilela, advogado especialista em Direito Médico e membro da Comissão de Direito da Saúde da OAB-GO, a ampliação do sistema de certificação deve ser acompanhada de normas.

"Abrir o sistema não é apenas autorizar mais provas. Seria preciso definir quem fiscaliza a qualidade dos certificadores, com padrões mínimos de exigência, para que o título continue significando alguma coisa. A referência internacional é essa: pluralidade com credenciamento rigoroso, e não pluralidade sem controle. No fim, o interesse que o sistema protege não é o das entidades, e sim o do paciente, que precisa conseguir verificar com facilidade se quem se apresenta como especialista realmente é", destacou.

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