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drama humano

Litoral luta pela sobrevivência

Isolados por causa dos deslizamentos, municípios litorâneos têm abastecimentos de água mineral, gasolina e carne comprometidos

A comunidade de Floresta, na região rural de Morretes, foi completamente destruída por deslizamentos que atingiram a localidade. Moradores tiveram de ser resgatados por helicópteros | Anieli Nascimento/Gazeta do Povo
A comunidade de Floresta, na região rural de Morretes, foi completamente destruída por deslizamentos que atingiram a localidade. Moradores tiveram de ser resgatados por helicópteros (Foto: Anieli Nascimento/Gazeta do Povo)
Casas foram totalmente destruídas em Antonina. Duas pessoas morreram na cidade |

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Casas foram totalmente destruídas em Antonina. Duas pessoas morreram na cidade

A situação no litoral paranaense tem se agravado diante de um dos piores desastres naturais registrados no estado. A chuva que cai na região desde quinta-feira passada provocou enchentes e uma série de deslizamentos que derrubaram casas e interromperam todos os acessos rodoviários aos municípios litorâneos. Diante desse isolamento, começa a faltar água mineral, gasolina e alguns alimentos, como carnes e comidas prontas para o consumo. A insegurança também assola quem está por lá, já que a possibilidade de saques também aumenta. A situação é mais crítica em Antonina, mas Morretes e Paranaguá também tentam se reerguer em meio à tragédia.

Ao todo, são dois mortos em Antonina, uma pessoa desaparecida em Morretes e o número de desalojados e desabrigados em todo o litoral chega a 9.420. São pessoas com semblante de espanto e incerteza que tomam conta de todas as regiões afetadas. Antonina declarou estado de emergência na sexta-feira e, ontem, Morretes decretou estado de calamidade pública. Antoninenses são enfáticos: nunca houve uma situação tão crítica quanto essa.

O número de vítimas em Anto­­­nina só não foi maior devido a um trabalho preventivo. Segundo o major Antônio Hiller, da Defesa Civil Estadual, na manhã de sexta-feira, a Minerais do Paraná S/A (Mineropar) inspecionou morros da cidade, entre eles o Laranjeira, e alertou a Defesa Civil que os moradores deveriam deixar suas casas. Imedia­tamente, a população foi avisada, mas alguns moradores permaneceram em suas residências. Entre eles a dona de casa Vânia Santana. Foi a filha Rebeca, de 6 anos, quem viu o morro desabando. "Estávamos na cama vendo televisão e comendo pipoca. Saímos pela misericórdia. Só deu tempo de correr", relata Vânia.

A região mais afetada de Antonina foi a do Mirante da Pedra, no bairro Laranjeira. Cer­­ca de 90 pessoas moravam no local e todas estão desabrigadas. O cenário é de destruição: casas totalmente soterradas pelo barro e muitas árvores e galhos espalhados por todos os lados. Na manhã de ontem, os moradores foram autorizados a retirar o que restava dentro das casas. O portuário Derli Batista da Costa tentava salvar alguns móveis e carregava roupas. "Foi barulho de árvore e pedra rolando. Fiquei tão desesperado que saí correndo", lembra. Logo, as pessoas tiveram de deixar o local novamente porque havia risco de novo deslizamento.

O prefeito de Antonina, Carlos Augusto Machado, não soube precisar o porcentual afetado da cidade e o prejuízo ainda não foi estimado. Ele ainda sabe pouco sobre os recursos que serão destinados para a cidade. "Na terça-feira terei uma reunião com o Ministério da Integração Nacional. Só então saberei o que será possível fazer."

Desabrigados

Em Antonina, desabrigados são encaminhados para as igrejas Batista, Quadrangular, Palavra da Fé e Salão Paroquial. Segundo a responsável pela Igreja Batista, a pastora Terezinha Meirelles, 86 pessoas, entre homens, mulheres e crianças, estão no local e cerca de 20 vêm se alimentar no abrigo. Os espaços foram separados para homens e mulheres. Entre os atendidos estão a zeladora Tânia Mara de Santos e dez parentes. Ela conta que não conseguiu salvar nem os documentos. "Minha casa foi engolida." E relata que muitos moradores não acreditaram no alerta da Defesa Civil.

Mantimentos

Por causa da interdição das estradas, fornecedores de alimentos e combustíveis não conseguem chegar a Antonina. A reportagem da Gazeta do Povo teve acesso somente pelo mar, por meio da Capitania dos Portos do Paraná/Marinha do Brasil. Equipes da capitania atuam de forma voluntária, transportando bombeiros e levando água para a cidade. Os moradores podem conseguir alimentos, água e leite na estrutura montada pela Defesa Civil, na Estação Ferroviária. Também não há mais gasolina nos postos de combustível, apenas álcool.

Morretes

Nas ruas de Morretes restaram en­­tulhos, areia, terra e móveis estragados. A zeladora Zilma Rocha, moradora do Rocio, um dos bairros mais atingidos, saiu às pressas de casa na sexta-feira, depois que a água atingiu a altura da janela. "Perdi o sofá, colchões e comida. Agora até tudo voltar ao normal, demora". Localidades rurais pertencentes a Morretes, como Flores­ta, foram totalmente devastadas e os moradores tiveram de ser resgatados por helicópteros. Cerca de 40 pessoas foram abrigadas no Colégio Estadual Rocha Pombo.

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