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Candidata ao Senado pelo Rio Grande do Sul do PSOL, a jornalista Manuela D’Ávila produziu um podcast feminista financiado por emendas da deputada federal Carol Dartora (PT-PR), ao custo de R$ 20 mil por episódio. A própria autora da emenda participou da atração. Em nota, Manuela afirmou que seguirá fazendo o programa (leia mais abaixo).
No total de R$ 100 mil, em cinco episódios, Manuela usou o instituto “E Se Fosse Você?” para captar os recursos do ElaPod – Vozes das Mulheres por meio de um convênio com o Ministério da Igualdade Racial. No primeiro episódio, a apresentadora convidou a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva e a ex-deputada federal Áurea Carolina. O segundo episódio contou com Joice Hasselmann e Kátia Abreu. Já Carol Dartora apareceu no terceiro episódio, em junho.
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A aplicação da verba foi alvo de representação da deputada federal Bia Kicis (PL-DF), que acusou Manuela de produzir um podcast centrado em si mesma e com caráter eleitoral. Segundo a agência OGS, o custo médio de um podcast varia de R$ 1 mil a R$ 5 mil por episódio, a depender da estrutura empregada. Manuela não comentou os custos.
Em um dos episódios, a deputada federal Fernanda Melchiorna (PSOL-RS) menciona que Manuela concorreria ao Senado.
Em nota, Manuela afirmou que o podcast não foi criado para a eleição atual, que o instituto é mantido essencialmente com recursos próprios e que continuará colocando “mulheres para falar”.
Segue a declaração na íntegra:
Não fomos notificados sobre qualquer questionamento.
A matéria do Metrópoles parte de uma denúncia da deputada Bia Kicis.
E qual é, afinal, a denúncia? Que um podcast criado para falar sobre mulheres e política entrevistou… mulheres políticas.
Sim. É exatamente isso.
Durante os sete anos em que estive sem mandato parlamentar, fundei e dirigi o Instituto E Se Fosse Você?, uma organização dedicada à defesa das mulheres e ao enfrentamento da violência política. Há meses estou afastada da organização em função da disputa eleitoral.
Para meu orgulho, nos anos em que ocupei a Presidência, o Instituto organizou campanhas de arrecadação e distribuição de alimentos, criou e dirigiu um abrigo para meninas e mulheres durante as enchentes no Rio Grande do Sul, mantém uma casa de cultura e uma biblioteca comunitária, criou o primeiro serviço de acolhimento a mulheres em situação de violência política, realiza um clube de leitura contra a desinformação e organiza o MEL — Mulheres em Lutas, um dos maiores festivais de mulheres do país. Tudo isso sustentado basicamente por recursos próprios, inclusive pela venda dos meus livros e de produtos do Instituto.
Entre essas muitas ações está justamente um podcast para ouvir mulheres e debater a presença delas na política.
E, vejam só, para falar sobre mulheres e política, convidamos mulheres que fazem política.
Ouvimos mulheres de diferentes campos, trajetórias e regiões: Joice Hasselmann, Kátia Abreu, Marina Silva, Áurea Carolina, Carol Dartora, entre muitas outras. Mulheres de esquerda, de centro e de direita; de grandes cidades e de municípios menores.
No Brasil, há eleições a cada dois anos. É evidente que, em um projeto permanente sobre participação política feminina, algumas dessas mulheres serão candidatas em uma eleição, outras em outra e muitas não serão candidatas.
O podcast não nasceu para esta eleição e nem sequer tem o YouTube como sua plataforma prioritária. Foi concebido principalmente para as plataformas de áudio.
Respeitamos e defendemos todos os processos de fiscalização e, quando e se formos notificados, responderemos com absoluta tranquilidade.
Enquanto isso, seguiremos fazendo aquilo que parece ter causado tanta surpresa: colocando mulheres para falar de política.
Porque mulheres falando de política não são uma irregularidade.
São democracia.






