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Disputa

Ferroeste quer manutenção do traçado da ferrovia Norte-Sul por Maringá

Presidente da Ferroeste pediu ao relator do projeto para que não haja alterações. Empresários e políticos de Londrina iniciaram mobilização para participar da obra

“Precisamos fortalecer as regiões do interior do Brasil que são produtoras de alimentos e que não contam com ferrovias", disse Samuel Gomes, ao defender traçado pelo Noroeste | Arquivo/Agência de Notícias Gazeta do Povo
“Precisamos fortalecer as regiões do interior do Brasil que são produtoras de alimentos e que não contam com ferrovias", disse Samuel Gomes, ao defender traçado pelo Noroeste (Foto: Arquivo/Agência de Notícias Gazeta do Povo)

O presidente da Ferroeste, Samuel Gomes, voltou a afirmar sua preferência pelo traçado da rodovia Norte-Sul, passando por Maringá e Campo Mourão. A linha férrea que deverá cortar o Brasil de Norte a Sul ainda não saiu do papel e já colocou Maringá e Londrina em disputa pela obra. Gomes conversou nesta terça-feira (30) com o deputado federal Beto Albuquerque (PSDB-MG), relator do projeto que tramita na Câmara Federal, e pediu que o projeto seja mantido no formato atual. A proposta em discussão, elaborada pela Ferroeste, passa por Maringá e já foi aprovada na Comissão de Viação e Transporte da casa.

Na mesma data, Gomes recebeu para uma visita o prefeito de Campo Mourão, Nelson Tureck, e conversaram sobre a ferrovia que deverá cortar o município. "Precisamos fortalecer as regiões do interior do Brasil que são produtoras de alimentos e que não contam com ferrovias, melhorando a sua infraestrutura logística e sua integração com os demais modais de transporte e com os portos. É o caso do Sudoeste do Mato Grosso do Sul, do Noroeste do Paraná, especialmente Campo Mourão", disse Gomes. Na semana passada ele já havia dito que a preferência do traçado pelo Noroeste era por Campo Mourão, já que a cidade é sede da Coamo.

Depois que o prefeito de Londrina, Barbosa Neto (PDT), se mostrou insatisfeito com a escolha, empresários e políticos londrinenses iniciaram mobilização para garantir que o trecho da ferrovia Norte-Sul, previsto para ser construído no Paraná, seja mantido como consta do projeto original do Ministério dos Transportes, ligando Apucarana e Guarapuava. Os deputados federais Alex Canzian (PTB), Luiz Carlos Hauly (PSDB) e André Vargas (PT) vão trabalhar em conjunto – em Brasília e Curitiba – para que a preferência da Ferroeste, que vai comandar os trabalhos da recém-criada Ferrosul, por Maringá, seja revertida.

Mesmo assim, a briga será dura para Londrina, visto o traçado passando por Maringá e Campo Mourão conta com estudo de viabilidade, proposto pela Ferroeste, e já está sendo analisado pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal. A passagem da ferrovia por Londrina foi sugerida pelo Ministério dos Transportes, mas foi considerada apenas como "ensaio de traçado". Ainda não há prazo para o fechamento dos convênios.

Trechos em discussão

O ensaio de traçado idealizado pelo Ministério começaria em Panorama, divisa entre São Paulo e Mato Grosso do Sul, entraria no Paraná pela região de Londrina, seguiria até Guarapuava, terminando em Pato Branco. A contraproposta da Ferroeste prevê entrada no estado pela região de Maringá, Campo Mourão e finalizando em Laranjeiras do Sul. Após essa etapa, outra fase seria a ligação até Chapecó (SC), e em seguida Erechim (RS). O projeto da Ferrosul - formada pelos estados de do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul – de interligar os estados por meio de linhas de trem ganhou simpatia do governo federal e deve ter orçamento incluído nas obras do Programa de Aceleração do Cresciemento (PAC).

Segundo Gomes, a preferência não é por Maringá, mas por Campo Mourão. "Eu defendo que passe por Campo Mourão, já que ali está a Coamo, a maior cooperativa da América Latina". A Ferroeste teria, segundo o presidente, desenvolvido um projeto de viabilidade econômica que aponta esse traçado como mais vantajoso. O sugerido pelo Ministério seria ainda mais caro.

A ligação ferroviária em questão foi apenas um dos pontos tratados, já que a implantação de outros trechos está com a negociação mais adiantada. Um deles é a conclusão da ligação entre Maracaju (MS) e Paranaguá. Segundo Gomes, esse é um grande desafio para o desenvolvimento do estado, já que o único acesso por trilhos ao porto é através de uma linha construída ainda no período imperial. A Ferrovia Norte-Sul já tem trechos concluídos na região Centro-Oeste. No próximo dia 9 de abril, o presidente Lula deve inaugurar a linha entre Colinas do Tocantins e Guaraí (TO), segundo informações da Valec.

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