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O ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados (veja abaixo), em 11 de dezembro de 2019, também é mostrada como prova das “inverdades”.
O ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados (veja abaixo), em 11 de dezembro de 2019, também é mostrada como prova das “inverdades”.| Foto: Cleia Viana / Câmara dos Deputados

A procuradora Luciana Loureiro Oliveira, do Ministério Público Federal (MPF), denunciou o ex-ministro da Educação Abraham Weintraub por improbidade administrativa, apontando uma série de afirmações que seriam, segundo ela, "dolosamente incorretas ou distorcidas" sobre as universidades públicas brasileiras, feitas quando ele ainda chefiava a pasta. Leia a ação ajuizada aqui.

A ação de 31 páginas enviada à 3 ª Vara de Justiça federal do DF cita diversas declarações de Weintraub. A procuradora afirmou que estas seriam “acusações genéricas, desprovidas de provas e sabidamente inverídicas”. Na ação, a Procuradoria pede que o ex-ministro pague multa e tenha a suspensão dos seus direitos políticos no prazo previsto no artigo 12, da Lei de Improbidade Administrativa (nº 8.429 de 1992), entre três e cinco anos.

Maconha, doutrinação e balbúrdia

Entre os discursos citados pela procuradora está a entrevista dada pelo ex-ministro em 2019, sobre doutrinação e drogas em universidades:

“Como você se livra dessa doutrinação? Eu acho que diminuindo o poder absoluto hegemônico que hoje tem nessas madraças de doutrinação que são as universidades federais. É, foi criado uma falácia que as universidades federais precisam ter autonomia. Justo. Autonomia de pesquisa, autonomia de ensino, só que essa autonomia acabou se transfigurando em soberania. Então o que você tem? Você tem plantações de maconha, mas não é três pés de maconha, você tem plantações extensivas de maconha em algumas universidades, a ponto de ter borrifador de agrotóxico. Porque orgânico é bom contra a soja, para não ter agroindústria no Brasil, na maconha deles eles querem tudo que a tecnologia está à disposição. Ou coisas piores, você pega laboratórios de química, uma faculdade de química não era um centro de doutrinação, desenvolvendo laboratório de droga sintética, de metanfetamina, porque a polícia não pode entrar nos campi. Então o desafio é esse, foi criada uma estrutura muito bem pensada durante muito tempo, e a verdade é que a gente aterrissou aqui há um ano, nem um ano ainda, e estamos começando a descobrir um monte de detalhes, cada, cada enxadada é uma minhoca”.

A denúncia também cita outra entrevista, famosa, também de 2019, quando o ministro falou da redução de recursos a instituições federais que estivessem fazendo "balbúrdia". "Universidades que, em vez de procurar melhorar o desempenho acadêmico, estiverem fazendo balbúrdia, terão verbas reduzidas", disse. Na ação, a procuradora traz dados inverídicos, como se o contingenciamento do orçamento das despesas não discricionárias de 2019 tivesse atingido despesas de água e de luz, o que não ocorreu.

Fragmentos da participação do ex-ministro na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados (veja abaixo), em 11 de dezembro de 2019, também são transcritos na denúncia, como prova das "inverdades".

Em resposta às acusações, Weintraub postou em suas redes: "Querem tirar meus direitos políticos por falar que há drogas nas universidades!". Ele fará uma live nas redes sociais, nesta quinta-feira, às 20 horas, para comentar a denúncia.

Abraham Weintraub e seu irmão, Arthur, também fizeram uma live na noite desta quinta-feira (22) e comentaram a denúncia do MPF. Eles criticaram o fato de o ex-ministro ter sido denunciado por improbidade administrativa - crime relacionado com corrupção - ao falar sobre drogas nas universidades federais. Em tom de desabafo, os irmãos afirmaram que a denúncia, na visão deles, pode estar relacionada às futuras pretensões políticas de Abraham Weintraub em 2022.

O ex-ministro salientou que considera absurdo o fato de correr o risco de perder seus direitos políticos - direto de votar e ser votado - por causa das declarações, já que não fez referência a nenhuma instituição ou pessoa especificamente. Ele afirmou ainda que seus advogados irão tratar dessa denúncia no Brasil - atualmente mora nos Estados Unidos - e que já se considera citado com relação a essa denúncia do MPF. Assista à live dos irmãos Weintraub.

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